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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


11.02.22

Na máquina de escrever

Escrevo o teu nome

E desenho os teus lábios de cereja,

Pinto a tua boca

Com pinceis de desejo,

Escrevo o teu nome,

Desenho o teu beijo.

Na máquina de escrever,

Agradeço por pertenceres à minha sombra,

Quando ainda ontem,

Eu mergulhava na tela luar.

Na máquina de escrever,

 

Eu, sou o poema,

Sou a geada suspensa na madrugada,

Sou o verbo amar,

Quando a noite

Não tem medo a nada.

Na máquina de escrever,

Sou o poeta,

Ou outro gajo qualquer,

Sem identidade,

Sem nome,

Que caminha na tua mão,

Feliz por ser.

 

 

Feliz por ter,

Ter uma máquina de escrever.

Na máquina de escrever,

Dentro do velhinho teclado,

Há uma gota de amor

Dançando na insónia.

Na máquina de escrever,

Onde me sento e deito,

Como uma pedra selvagem…

Neste corpo em viagem,

Neste corpo que chora no teu peito.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 11/02/2022


11.11.21

Onde habitam os pássaros

Dos teus lábios

Que voavam nas árvores da minha boca,

Meu amor!

O que fazem os pássaros

Dos teus lábios

Quando na minha boca, meu amor,

Habitam as flores do teu sorriso!

Como se sentem, meu amor,

Os pássaros do teu cabelo,

Quando nos meus braços,

Habitam o silêncio e o desejo!

O que sentem os pássaros

Dos teus seios,

Quando nas minhas mãos,

Habitam os pássaros de escrever!

E dos pássaros das tuas coxas,

Quando se abraçam

Aos pássaros da minha noite,

Sabendo que os pássaros

Do meu silêncio,

São os pássaros de amar,

São os pássaros de beijar…

Como serão os pássaros

Do teu olhar,

Quando os pássaros do meu escrever,

Se sentam junto ao mar,

E, se abraçam até que acorde o luar,

E nasçam os pássaros de viver.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 11/11/2021


08.12.19

Trago em mim a fome da saudade.


Não sei quem sou, nesta cidade deserta,


Cansada da verdade.


Trago em mim a fome da tristeza,


Quando o vento se alicerça nos teus lábios.


Trago em mim o silêncio da noite,


Quando um livro perdido, se levanta, e avança contra a escuridão.


Trago em mim o sofrimento do desejo,


Como uma cancela escondida pela geada,


E na montanha, tenho escondidas as lágrimas da calçada.


Trago em mim a morte,


A dor,


E o sonho de adormecer no teu colo.


Trago em mim a saudade,


A fome,


A vaidade.


Trago em mim a felicidade,


De um dia, voar,


Nas tuas mãos,


No teu sonhar.


Trago em mim a fome de sofrer,


Dentro de um relógio indignado com o tempo.


Trago em mim a fome de escrever…


Escrever palavras de alento.


Trago em mim a fome de ser,


Ser quem não sou,


Que sou ser,


Invisível,


Nesta Galáxia complexa da noite.


Trago em mim o prazer,


O sonho,


A vontade de viver.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


08/12/2019


30.06.17

Que sobre o amor nada tenho a dizer,
Saboreio a vida com prazer,
Todos os dias ao acordar,
Danço, escrevo e consigo navegar
Nos teus braços de manteiga,
Aceito,
Amo,
Percorro caminhos obscuros da maternidade…
Tenho em mim a saudade,
Da verdade,
Da sabedoria de nada saber…
A não ser…
Que a morte existe,
Persiste…
Persiste em me atormentar,
Navego no teu colo nascer do sol,
Quando o tempo se esquece de mim,
Tenho o teu jardim,
Desenhado,
Desenhado num caderninho…
Num caderninho dentro de mim,
Que sobre o amor nada tenho a escrever,
A não ser,
Viver.


Francisco Luís Fontinha


11.01.17

Tanto faz,


A alegria de morrer


Ou a tristeza de viver,


Tanto faz,


A alegria de escrever


Ou a tristeza de ler…


… o que escrevi sem o querer,


Tanto faz,


Hoje, este corpo de sofrer,


Ausente


Das lápides que a mão não sente…


As palavras do ser,


À palavra que mente.


 


 


Francisco Luís Fontinha


11/01/17


12.12.14

Estas palavras


são as tuas lágrimas


disfarçadas de anoitecer,


estas palavras


pertencem ao teu corpo


suspenso na escuridão,


estas palavras


são as tuas lágrimas...


entre as palavras... as tuas palavras de viver,


estas palavras


são as raízes do teu coração,


palavras, palavras... palavras em vão.


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2014


12.07.14

Vivíamos encaixotados numa lâmina de silêncio,


tínhamos dentro de nós o sonho, tínhamos a transparência do amanhecer,


vivíamos sem saber que vivíamos...


viver,


 


Vivíamos dentro do espelho de uma folha por escrever,


vivíamos como se amanhã fosse o dia mais belo do luar,


tínhamos as palavras em gritos, e vivíamos acreditando que havia uma árvore nua, em despedida...


sentada na alvorada... esperando o regresso do mar,


 


Vivíamos no centro do círculo de vidro,


tínhamos no olhar a distância transatlântica do desespero..., havia em nós o medo, a solidão,


vivíamos não vivendo,


… porque tínhamos um beijo em nossa mão.


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sábado, 12 de Julho de 2014


10.07.14

Não alimentes a minha fome,


porque eu não quero comer,


não, não grites o meu nome...


… porque sem a tua mão sou capaz de viver,


 


Escrever,


e... e sonhar,


 


Não alimentes a minha fome,


não cerres toas as janelas do meu olhar,


não me peças para chorar,


não, não sei chorar...


 


(escrever,


e... e sonhar),


 


Não alimentes a minha fome,


não quero os teus lábios de ciclone,


vagueando no meu peito, sobrevoando os meus cabelos tristes,


não,


porque insistes?


que eu seja o que nunca quis ser,


não,


não quero comer,


não,


não quero correr...


apenas quero ser o mar,


com lençóis de amanhecer,


 


(escrever,


e... e sonhar),


 


Não, não me obrigues a voar!


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quinta-feira, 10 de Julho de 2014


29.06.14

A tua voz me entristece,


quando sei que deixou de existir em mim o verbo amar,


a minha cidade, lá longe, tão longe... que nunca a conseguirei alcançar,


dormir nela,


acordar cedo, e abrir a janela,


a janela que tenho no meu peito,


há gaivotas, e há um corpo que envelhece,


a tua voz... a tua voz me enlouquece,


e no entanto, sou obrigado a viver acorrentado a este silêncio sem nome,


a esta vergonha de perder sem ser encontrado,


... não sendo habitado,


nesta sanzala de papel...


 


Este esqueleto de gesso que carrego e me deito,


sem perceber que há lábios de mel, que há lábios de desejo..., lábios consumidos pela fogueira de beijar,


esta voz me entristece,


como a água do rio que se evapora,


e levita,


e procuro-te, e procuro-te...


e me dizem... aqui ninguém mora,


aqui... aqui ninguém... chora,


 


Aqui é proibida a escrita,


 


Os tentáculos do amor,


os seios de uma flor antes de acordar,


as cordas de nylon que ancoram a tua dor...


ao cais de embarcar,


 


A tua voz me entristece,


o teu corpo vacila na tempestade de sonhar,


o calendário não cessa de correr...


e come-te em pedacinhos,


a tua voz enfraquece,


e transforma-se em versos desesperados,


versos odiados,


versos de escrever...


a tua voz me entristece,


antes de alguém desenhar no tecto das tuas pálpebras a madrugada,


ainda não zarparam os barcos da minha infância,


ainda... ainda não encontrado o verbo “AMAR”...


 


A tua voz não pode gritar!


 


A tua voz é um feitiço,


uma nuvem vagueando sobre o Tejo,


a tua voz é um marinheiro mórbido, um marinheiro embriagado na esplanada do beijo...


há cadeiras apaixonadas, há sorrisos travestidos de amanhecer,


a tua voz não pode cessar, a tua voz... não pode morrer,


a tua voz... não é o meu verbo “AMAR”...


que... que deixou de ser,


que... que deixou de sofrer...


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 29 de Junho de 2014


29.06.14

(para ti)


 


 


Eu te quero,


mergulhar nas cinzas abandonadas do rio que te absorve,


escrever na flácida pele que te embrulha para separarem a tua pele... da minha pele,


eu te quero,


desfeita em pedaços de suor,


palavras suicidadas das folhas emagrecidas,


palavras de amor,


eu te quero,


como quero viver,


mergulhar nos teus tentáculos que só o desejo conhece..., dentro de ti,


eu te quero... como quero morrer...


apenas... apenas ser.


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 29 de Junho de 2014

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