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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


14.08.21

Uma abelha de luz poisa no teu olhar. Haverá sempre noite; mesmo que a lua se suicide no teu olhar, haverá sempre luar na tua vida,

O cansaço,

Nos dias que se perdem, nas horas em que nasce e, morre uma estrela, mesmo assim, haverá sempre Primavera na esplanada da saudade.

O esqueleto rangia como os gonzos do silêncio e, nunca percebeu que lá fora, junto ao rio, um fio de nylon tentava regressar à velha fotografia; tinha na mão a imagem de Cristo crucificado.

Em cio, avança o exército de gaivotas em direcção ao mar; os barcos da minha infância são hoje objectos raros, distantes de uma cidade envergonhada pelo passado.

Pedacinhos de linha, anzóis despedidos pelo velho pescador e, junto ao cais

Uma criança inventa electrões, protões e a tomografia por emissão de positrões e, eu desconhecia que o PET lhe vasculhava tudo até aos ossos; amores e paixões, flores e jardins, sumo de laranja e bacalhau com natas. No final

A sentença. CONDENADO.

Ela

CONDENADA.

Hoje, há quem me diga que são muito felizes, os dois e, vão amar-se eternamente.

O dia e anoite,

A lua e o luar,

Ambos, ambas, condenados

Condenadas pela insónia de DEUS.

Hoje são pequenos grãos de areia na mão da tempestade. Vivem num cubo de vidro, alimentam-se de pequenos nadas e, lêem as escrituras divinas. Nada a fazer, digo eu

Tudo a fazer, dizia ela

CONDENADA pelo oxigénio abstracto da manhã.

 

 

Alijó, 14/08/2021

Francisco Luís Fontinha


24.02.20

Acordava do sono emagrecido,


O homem da nuvem embriagada,


Cansado,


Perdido,


E, reclamava,


E, gritava,


A palavra enfeitiçada.


E, hoje, nas camufladas ruas da cidade esquecida,


Embrenhado na poesia, a canção do adormecido,


O homem, cansado, denegrido,


Escreve sem ânimo,


Desiludido…


Dos alicerces envergonhados.


Rezam pela sua alma,


Coitado,


Sem nome,


Degolado pela tempestade,


O homem, o mesmo homem, o cansado,


Pegas nas palavras da reza em seu poder,


Desorganiza-se,


Veste-se de negro,


Negro, negrito, negrinho,


Como o gato do vizinho,


Dançando na eira das espigas adormecidas.


As sombras do silêncio,


A alvorada da sinfonia que jaz na ribeira,


O rio, em delírio,


O rio, desconectado da vida,


E, corre,


E, dorme,


Nas almas do mar.


O mar tudo engole, e, tudo mastiga,


Pessoas, lixo, palavras, o vento…


Uma laranja, sofre,


E, vive,


E, morre,


Dentro da laranja adormecida.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


24/02/2020


13.04.19

Menina do meu saber,


Endiabrada e a correr,


Menina do Douro encurvado,


Que chora sem querer…


Menina mimada, menina das tardes a chover,


Menina cansada,


A chorar,


Neste rio deitada,


A correr para o mar.


Menina da ribeira,


Dançando sobre o amor,


Palavras escritas no vento,


Deste corpo suicidado,


Menina das flores e do amar…


No pensamento,


A mão lançando a espada,


Dos livros, de nada…


Menina em flor,


Meninada apaixonada.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


13/04/2019


12.08.18

O tempo não passa.


O tempo é uma ameaça, um rio sem nome,


Escondido na minha infância.


 


Mãe, tenho fome,


Sinto o vento na tua lápide imaginária…


No fundeado Oceano,


De pano…


 


Mãe, me aquece antes que adormeça,


E esqueça,


O telefone,


Que não me larga,


Durante a noite,


A desgraça,


 


Os ossos envenenados pelo tédio da esplanada mal iluminada,


O empregado,


Coitado,


Cansado…


Já não me atura,


Foge,


Mistura,


O tabaco com outras substâncias, folhas mortas, ausências…


 


O tempo não passa, mãe.


 


E sinto constantemente, em mim, esta miséria,


Que me alimenta,


Mente,


Como um Planeta adormecido,


Senta,


Senta em mim as sombras das tuas lágrimas.


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 12/08/18


22.04.18

Flor queimada.


Quando a enxada da saudade,


Dócil quimera da tempestade,


Mergulha na madrugada,


 


Perfume da solidão,


Rasgando a terra onde se entranha o teu cansaço,


Toco-te com a minha mão…


E sacudo a espada do abraço,


 


Nada faço,


 


A não ser escrevendo palavras ao vento.


 


Me sento.


 


Me alimento.


 


Menino da tua liberdade.


 


Flor queimada,


Que o mar semeia nos tempos de espera,


Quem me dera…


Nos soníferos da pomba assassinada.


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 22 de Abril de 2018


15.04.18

Todos os dias apareço.


Todas as noites sou comido por uma língua de sombra,


 


Posso concluir que sou um sonâmbulo desorganizado,


Distante das estrelas,


Cansado do vento.


 


Cada osso meu,


Um poema teu,


 


O carrasco.


 


Não gosto do vento,


Porque o detesto,


Faz-me mal às palavras escritas,


Enquanto dormes.


 


E sonhas.


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 15 de Abril de 2018


29.04.17

Em direcção à morte


O vento se despede da solidão


Sem perceber que a manhã se suicidou contra os rochedos da insónia


A noite chegou


Trazia na algibeira o Universo remendado pelos papéis da agonia…


E um homem espera desesperadamente pelo seu amante,


Escrevo-te,


Junto ao mar


Os petroleiros do desejo em soluços


Como as estrelas pregadas no Céu nocturno das fotografias prateadas,


Escrevo-te,


Espero pela alegria da distância abrupta da imensidão do tempo,


Espero pela ausência do teu peito


Fundeado num qualquer porto esquecido numa qualquer cidade…


Em direcção à morte


Os alicerces do medo entre pergaminhos e livros de veludo


Correndo a calçada que abraça o rio,


A areia do teu corpo semeado nas mãos do teu rosto,


E não sabias que do fogo da inocência


Um suspiro se ergue até ao pôr-do-sol,


Desisto,


Sento-me no jardim com vista para a tristeza,


E um copo de uísque se despede de ti,


Até logo,


E escrevo-te nesta angustia de viver


No sonho do veleiro abandonado,


Fujo com o barco,


Deixo-te,


Abandono-te…


Sem perceber o desejo do meu corpo


Nos parêntesis da memória,


Escrevo-te,


Junto ao mar…


E escondo-me da tua sombra.


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 29 de Abril de 2017


28.04.16

O vento que passa


E leva com ele a madrugada


O peso das árvores sobre o sorriso da solidão


Um livro assa


Na fogueira do teu coração


Quando a manhã acorda cansada,


 


O vento que passa


E traz a mim a insónia dos corredores


Preciso de espaço para saborear o beijo


E libertar-me da maça


Que lapida os meus ossos como flores


E me leva o desejo,


 


O vento que passa


E transforma a liberdade em melancolia


O sorriso da fera acorrentada


E se enlaça


No acordar do dia


Como uma montanha apressada…


 


Francisco Luís Fontinha


quinta-feira, 28 de Abril de 2016


02.04.16

Sofro por ti meu amor


Sinto a tua mão no meu rosto cansado pela doença


Sinto no meu corpo


As marras do destino


Habito em ti


Sou pedaço do teu cansaço


Livro das tuas palavras


Algumas parvas


Algumas insignificantes


Sofro o derradeiro sofrimento


Que as marés do inferno me trazem


Não tenho medo da tua partida


Não tenho medo da tua ausência


Suicido-me nos teus lábios


Acabrunho-me nas imensuráveis paixões dos poços da morte


Estou só meu amor


Partiste sem me avisar


Naquela noite das sombras do esquecimento


Suicido-me no teu perfume


Caminho calçada abaixo


As rosas da melancolia


As raízes dos soníferos orgasmos da manhã


Fugidios corações de aço


No corpo debruçado sobre o parapeito do desejo


Estou cego meu amor


Os dias tristes da tua ausência


Ao longe os apitos da locomotiva do adeus


Nunca mais quis o amor


Nunca mais quis a infância desenhada em Luanda


Perder-me numa Alijó encurralada no esquecimento


O frio


O frio disfarçado de abismo


O amor regressado do mendigo palhaço do deserto


Saber que amanhã estou só


Eu


A noite


O amontoado de sucata


As árvores do teu sorriso


Estou só



Só neste sargaço da sonolência do labirinto de asas


Pássaros enraivecidos


Limitados pela cabeça do sono


Tenho medo meu amor


Tenho medo da madrugada


E acreditar que estás vivo


Ao meu lado


Esticando o dedo…


Então engenheiro!


Não tenho palavras do suicídio fictício da minha vida


O Tejo peneirento algures nos teus lábios


Estou feliz hoje


Permaneço no esquadro envidraçado do teu olhar


Meu amor


Me encontro encurralado no esquecimento


Submersos esqueletos de gelatina


Ao espelho


O meu corpo envidraçado


 


Francisco Luís Fontinha


sábado, 2 de Abril de 2016


20.11.15

Este triste rio


Que desabraça as suas margens


Que troca o silêncio da noite


Por gaivotas em papel


E barcos de sombra


Agacha-se quando a solidão brinca no vento


Sorri quando a melancolia voa sobre os coqueiros


Este triste rio


Que habita no meu peito


Não dorme


Não come…


Mas ama


E sofre


Como eu


Uma caravela sem destino


No estrelar do desejo.


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


sexta-feira, 20 de Novembro de 2015

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