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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


11.08.23

Descubro a quinta força do Universo

E escondo-a nos teus lábios de mel.

Ainda não sei o seu nome

Como se comporta em relação às outras quatro forças

(a força gravitacional, a força electromagnética, a força nuclear forte e a força nuclear fraca)

Mas se fosse eu a apelidá-la

Apelidava-a de DESEJO.

 

E do caos esconderijo dos meus braços e das minhas mãos

Acorda o silêncio

Desperta a alvorada em mim,

Libertam-se as gaivotas do meu jardim,

E batem-me à porta as árvores dos teus olhos de mar,

 

Como são lindas as janelas do teu olhar

Quando a quinta força do Universo te beija a face

E lentamente escreve ao teu ouvido…

As primeiras leis da madrugada,

 

Descubro a quinta força do Universo

E escondo-a nos teus lábios de mel.

Ainda não sei o seu nome

Ainda não sei nada…

Mas se fosse eu a apelidá-la…

Apelidava-a de DESEJO.

 

 

 

11/08/2023


09.07.23

20230709_213716.jpg

Podia extinguir-se o Universo,

Meu amor,

Podia extinguir-se o Universo, que eu não me importava,

Desde que ficasses eternamente nos meus braços

E me segredasses todas as palavras de te amar…

 

Podia extinguir-se o tempo,

Meu amor,

Não tínhamos horários de amar,

De comer,

Não sabíamos se era segunda-feira,

Quinta-feira…

Ou outra coisa qualquer,

 

E nunca, meu amor, nunca saberíamos…

Se era de dia,

Se era de noite,

Não tínhamos estrelas para desejar…

Mas também para que eu queria as estrelas…

Pedir desejos…

Quando o maior desejo dormia nos meus braços,

 

Podia extinguir-se o Universo,

Meu amor,

Podia extinguir-se o Universo que eu não me importava…

Olha, meu amor,

Importo-me mais com a inflação…

E todas as outras coisas…

Do que com o Universo,

 

Podia extinguir-se o Universo,

Meu amor,

Podia extinguir-se o universo que eu não me importava,

Desde que me deixasses pintar os teus olhos de cor do mar…

E os teus lábios de doce mel…

Depois…

Depois abraçava-te,

Ensinava-te a desenhar círculos de luz com olhos verdes…

E com um silenciado beijo…

Escondia o Luar na tua mão.

 

 

 

09/07/2023

Francisco


22.05.23

Neste pedaço de vidro

Desenho o silêncio do meu rosto,

Escrevo as lágrimas do meu antigo rosto…

Neste pedaço de vidro,

Olho-o, olho-o incessantemente…

Até que este pedaço de vidro,

Despede-se de mim

E ausenta-se no centro do círculo da insónia.

 

Neste pedaço de vidro

Poiso as cores do meu sorriso,

Semeio o meu silenciado olhar…

Que desparece…

Neste pedaço de vidro.

 

Neste pedacinho de vidro

Escrevo os poemas à minha amada,

Desenho a chuva,

Da chuva que cobre o corpo da minha amada…

De desejo-azul…

A este pedaço de vidro

Vêm as estrelas de todo o Universo…

E um punhado de electrões,

Brincam neste pedaço de vidro.

 

 

 

 

Alijó, 22/05/2023

Francisco Luís Fontinha


01.05.23

Não podemos ser tudo

Quando somos o nada menos o tudo,

Não podemos ser isto,

Não podemos ser aquilo

E aqueloutro,

Só porque queremos ser,

Isto e aqueloutro…

Quando queremos ser tudo…

Às vezes,

Muitas vezes

Somos o nada menos o tudo,

 

E o nada seremos sempre,

Sempre que lutamos por ser o tudo

Acabando por sermos o nada,

Não podemos ser pássaro

Se não tivermos asas para voar…

E podem dizer-me que um pássaro

Sem asas

É um pássaro,

Mas não é um pássaro qualquer… e não é a mesma coisa…

Um pássaro sem asas… é o nada,

 

Um pássaro que não canta,

É um pássaro,

E sem asas e sem cantar…

Continuará a ser um pássaro,

Mas…

Para que quero eu um pássaro,

Que não canta,

Que não voa…

Que apenas me serve de adorno

Sobre a mesinha-de-cabeceira

Onde guardo o isqueiro os cigarros e a pistola?

 

O nada,

Sempre que o tudo…

Não é o tudo,

É quase como o Universo…

Tão infinito tão belo tão escuro tão… tão nada,

De que me serve a beleza do Universo?

De que me serve se o Universo é finito,

Não finito…

Ou assim-assim…

Ou o nada…

De que me serve saber que toda a matéria do Universo se encontrava concentrada no espaço do tamanho da cabeça de um alfinete,

Vê lá tu… meu amigo, do tamanho da cabeça de um alfinete,

Depois…

Dizem que explodiu…

Expandiu-se…

E hoje…

O nada,

De que me serve saber de nublosas, buracos negros…

Buracos negros em vómitos,

Velocidade da luz,

Que fiquei com raiva de Einstein quando percebi que…

Vê tu, meu amigo,

Que teoricamente é possível viajar no tempo…

Odeio este gajo só por isto,

E por anda,

Imagina meu amigo, imagina viajarmos no tempo…

E encontrar aquela gaja horrível,

Aquele gajo…

Qualquer coisa,

De nada, obrigado…

Estes e outros fantasmas da noite,

E anda por aí, e anda por ali…

Anda por cá e vai cavalgando montes e vales,

Pedras e montanhas,

Noites de lua cheia…

E o nada,

O zero absoluto…

Zero graus celsius,

O quase tudo,

Ou o quase nada,

 

De que servem as palavras,

Os poemas…

E a madrugada?

Quando o sono,

Quando o sono apenas estorva…

Não deixa viver,

Não deixa respirar…

De quase tudo,

Ou de quase nada,

O que adianta passares a noite em discussão…

Se Deus,

Se Deus existe, existiu…

Ou nem por isso?

Se Deus criou alguma coisa…

Tu,

Tu vais morrer, existindo ou não existindo Deus,

Universo…

Ou buracos negros,

Ou o raio que os parta,

E nunca te esqueças, meu grande amigo,

Nunca te esqueças que setenta por cento do peso do teu corpo…

É água,

E o resto…

Merda,

E o quase nada,

Depois,

Temos a luz vestida de noite,

Lindíssima como as estrelas,

Lindíssima como sempre,

A sempre bela noite,

Bela e puta…

Também ela,

Tal como eu,

Um pedacinho de nada,

Uma molécula de desejo… nos olhos da alvorada,

Dentro de um recipiente…

A poeira do teu corpo,

 

Não,

Não podemos ser tudo,

Quando nasceste para ser o nada,

Quando nasceste travestido de equação matemática,

Complexa…

Ordinária equação complexa do terceiro grau ou do quarto grau…

Uma complexa equação diferencial,

De uma mão, da outra mão,

Acordam,

O nada,

E o tudo…

Ou o quase tudo,

E quase nada,

 

Sim meu amigo,

De que te servem as canções da alegre Primavera,

Quando a tua Primavera…

É quase nada,

Do nem quase tudo,

De entre o tudo e o nada,

 

Depois,

Depois dizem que estás louco,

Internam-te em psiquiatria…

E que sim,

Ao nascer do dia,

Coitado do rapaz…

Coitado dele,

E às vezes, nem tudo é o tudo,

Nem o nada é o tudo,

De nada,

Nem o nada…

Nem o tudo,

Não me digas que às vezes o nada é o tudo?

Ou quase tudo?

Quando não preciso de nada,

Não meu amigo,

Eu, eu sinceramente já não te digo nada,

Nada,

Que nem tudo é tudo,

E que nem tudo é o nada…

Quando tu,

Quando eu,

Meu grande amigo,

Somos o nada,

 

E o nada é um conjunto vazio,

Tem jarras com flores,

Tem poemas de amor e sedução,

Olha…

Tem um rio,

E tem o mar,

O mar de ninguém,

No mar de nada,

Quando o quase tudo,

Nasceu, cresceu, morreu…

Sendo o quase nada…

E do quase nada,

Vês apenas o sorriso do clitóris

Quando se ergue na tua mão… a doce madrugada…

Que de tudo,

Não tem nada.

 

 

 

 

Alijó, 01/05/2023

Francisco Luís Fontinha

Luz


10.04.23

Não me importo

Não me importava que o Universo se extinguisse

Não me importo

Não me importava que o Sol deixasse de sorrir

Ou sonhar

Não me importo

Não me importava

Que tudo isto deixasse de existir…

Desde que ficasses nos meus braços

Enquanto a noite não se extinguisse

Não me importava

Nem me importo…

Desde que os teus lábios de mel

Poisassem nos meus lábios

E os teus olhos sejam a luz dos meus dias.

 

 

Francisco

10/04/2023


09.04.23

Podia beijar o Universo

Podia beijar todas as estrelas do Universo

E todas as flores do Universo

No entanto

Não trocava os teus lábios de mel

Quando a madrugada se deita na Primavera

Não trocava os teus lábios em desejo mar

Por todos os beijos do universo

 

E no entanto

Podia beijar o Universo

Todas as estrelas do Universo

E Deus

Deus que numa noite em desejo…

Criou todo o Universo

Para eu beijar

 

Podia beijar o Universo

Podia beijar todos os mares do Universo

E todas as árvores do Universo

E todos os peixes do Universo

E todos

Todos os pássaros do Universo

No entanto

Não trocava beijar os teus seios

Janela da maternidade

Mar da Tranquilidade

Nas noites em luar

Por tudo aquilo que o Universo me dá

 

Podia beijar o Universo

E todas as equações do Universo

Podia beijar o sol e a lua

Podia beijar o silêncio

E a paixão

Podia beijar o Universo

Todas as estrelas do Universo

E todos os buracos negros do Universo

Podia beijar tudo isso

Podia

No entanto

Prefiro beijar cada milímetro do teu corpo

Cada centímetro quadrado da tua pele em perfeito delírio

Podia

Mas sabes

Meu amor

Quero lá saber do Universo…

E dos beijos do Universo

Quando tu

Tu és o meu Universo.

 

 

 

 

Alijó, 09/04/2023

Francisco Luís Fontinha


22.02.23

Podia extinguir-se o Universo…

Podia,

Podia morrer o sol

E todas as estrelas,

Morrer o dia,

Podia,

 

Tudo podia acontecer,

Porque eu,

Não me erguia desta cadeira em frente ao mar,

 

Podia chover,

Podia nevar,

Podiam levar-me este mar…

 

Que eu continuava sentado nesta cadeira,

Nesta cadeira em frente ao mar,

 

(Podia extinguir-se o Universo…

Podia,

Podia morrer o sol

E todas as estrelas,

Morrer o dia,

Podia)

 

E o que eu fazia se tudo isso acontecesse?

 

Nada.

Absolutamente nada.

 

 

 

Alijó, 22/02/2023

Francisco Luís Fontinha

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