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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


23.11.13



foto de: A&M ART and Photos


 


os triângulos insectos que o sofrimento padece


quando lhe pertencem as tuas mãos de andorinha selvagem


os senos inventados dos lábios em engrenagens que à tua boca atracam


e se afundam como serpentes cordas em nylon emagrecido que a madrugada alimenta


os triângulos insectos que se alicerçam ao teu peito


bebíamos pétalas de silêncio em efusão de sílabas desastradas como pedras de calçada...


havíamos roubado todos os barcos naufragados das avenidas embriagadas


entravam em nós marinheiros e meninas de mini-saia doirada com círculos encarnados


pensávamos que era o rosto da lua


mas a lua nunca foi encarnada


mas a lua nunca pertenceu aos barcos envergonhados das avenidas embriagadas...


então?


 


(os cossenos dos teus seios dentro de tristes equações diferenciais


depois


havíamos roubado todos os barcos naufragados das avenidas embriagadas


e ficávamos com as tangentes do sofrimento que sobejavam das flores do medo...)


 


então


então pensávamos que o seno hiperbólico da saudade vivia no mesmo quarto que os beijos cansados


dos triângulos insectos em teus cabelos mergulhados na geada cristalina da montanha dos peixes...


então...


então víamos o regresso da paixão em ensonadas linhas paralelas


então...


ouvíamos os uivos grunhidos dos corpos em movimento uniformemente acelerado


parávamos em frente aos telhados de zincos dos guindastes da pobreza...


então...


então percebíamos que as palavras escritas nos quadriculados cadernos...


eram os encarnados círculos disfarçados de cossenos parvos


disfarçados de senos loucos que a trigonometria inventou para nós...


 


 


(não revisto)


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sábado, 23 de Novembro de 2013



18.10.13



foto de: A&M ART and Photos


 


dos lençóis da tristeza oiço os murmúrios que o cansaço deixa em mim


como conchas de sono pregadas na parede do desejo


o espelho que absorve os teus olhos é duplicado em migalhas de prata


e submergem


e suicidam-se


e não percebes que as entradas no silêncio o são proibidas


… inacessíveis


tristes


as nuvens castanhas com sabor a solução de luminol...


tangencias rectas crucificadas em ângulos trigonometricamente invisíveis


absortas


húmidas


 


queria ser uma sombra em granito


rompendo os soluços da noite


queria ser volátil


flor artificial junto à tua lápide


queria ser o túnel de vento


o buraco de minhoca


a teoria do caos...


a borboleta batendo as asas


e lá longe


os teus seios cintilando como avelãs


nozes


e fotografias envenenadas pelas lâmpadas de mármore


 


(não não tenho sorte nenhuma)


 


os triângulos da tua voz


são como grãos de areia mergulhados em sílabas melódicas


há conversas parvas entre copos de cerveja e perfume de vodka que um marinheiro Russo esqueceu na algibeira de um cargueiro com contentores de insónia


tenho medo de te encontrar e não entender o amanhecer que vive em ti


tenho medo do medo


medo de te amar e não saber que te amo


se é apenas amizade


vergonha de viver


ou... palavras apenas palavras sobejadas sobre a mesa da cozinha


dos lençóis da tristeza oiço os murmúrios que o cansaço deixa em mim


como conchas de sono pregadas na parede do desejo


 


 


(P.S. Amo os Pop Del Arte... como se eu fosse uma munição de areia e me entranhasse nos cobertores frios do teu corpo de solstício louco, lá fora chove, e eu quase que quero desaparecer sobre as árvores inconstantes da tua garganta, grito o teu nome, não percebem que existe um vagabundo igual a mim, que sofre, que ama, que vive fingindo viver... )





(não revisto)


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sexta-feira, 18 de Outubro de 2013



03.10.13



foto de: A&M ART and Photos


 


Habitas os planaltos castanhos desde que foram construídos pelos teus olhos em flor, habitas como sombra dentro do meu corpo, dentro do meu cubo esquelético, e dos meus olhos triangulares sinto os ângulos obtusos entranharem-se-me como agulhas, como serpentes de aço, barcos e caravelas enferrujadas, velhas, caquécticas sentadas à mesa do café, pedem chá para três e conversam sobre as marés dos orgasmos invisíveis,


A chuva, para ti, é o quê?


Um corpo húmido circula concêntrico na fogueira dilacerante que os morcegos deixaram antes de todas as luzes se acenderem, ouvia gritar o meu nome no espelho de um guarda-fatos de mármore, a cama cheirava a sexo e a palha, o colchão picava os corpos transparente que tinham sobejado do Verão minguado, havia uma mão na tua boca, havia


A chuva, para ti, é o quê? Pedem chá para três e conversam sobre as marés dos orgasmos invisíveis, escrevem sobre a mesa as folhas tristes do Outono, desnudas, as árvores, abraçam-se aos guindastes plastificados em brinquedos crianças, vêm as lágrimas, vêm os primeiros holofotes de néon depois de partirem as madrugadas, e os corpos, os nossos, e os deles


Apodrecem os ramos...


E os corpos amanhecer suspensos nos alfinetes do alfaiate, as calças ficam-me pelos tornozelos, ele ri-se como se eu fosse um boneco de palha espetado no centro do campo de trigo em Carvalhais,


Você cresceu, amigo!


Pedem chá para três e conversam sobre as marés dos orgasmos invisíveis, a chuva


A chuva, para ti, é o quê?


Um corpo magoado, ausente, triste e cansado, um corpo molhado, um corpo em pura lã virgem antes de acenderem-lhe os braços, ela sorri, encerra os olhos como um navio antes de partir, olhava os porões... e lá longe, homens do tamanho de agulhas, passeavam-se como abelhas de colmeia em colmeia, como velhos


De asilo em asilo,


As ovelhas brincavam sobre a erva doirada das tardes de Primavera, no intervalo entre duas cervejas, uma delas diz-me que se sente apaixonada pelo distinto orvalho, faço-lhe ver que o orvalho é um gajo mal disposto, mal educado, que é um gajo


A chuva, para ti, é o quê?


E ela insiste, e ela que o amor não escolhe idade, religião, sexo ou cor... que o amor apenas acontece, e nada mais de que isso, e que as ovelhas são umas grandes cabras, e que as cabras, às vezes, parecem e nunca o conseguiram ser... mulheres vestidas de chuva, mulheres que pedem chá para três e conversam sobre as marés dos orgasmos invisíveis, que fuma cigarros quando sentadas num banco em granito, e que


E que caiem as folhas das árvores porque elas, as árvores, estão tristes, porque elas, as árvores


E que ninguém quer perceber,


As árvores sinto-as vacilarem como cordéis de neblina no centro esquerdo do cais das borboletas flutuantes, o lago espirra, tosse, tosse... e o dióxido de carbono aloja-se nos teus seios de incenso, como a noite, como todas as mulheres...


Pedem chá para três e conversam sobre as marés dos orgasmos invisíveis,


A chuva, para ti, é o quê?


Gajas nuas, gajas... saltando muros em xisto.


 


 


(não revisto – ficção)


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quinta-feira, 3 de Outubro de2013


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