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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


04.11.23

Ao longe o som da lareira

Abraçada aos barcos da minha infância mimada

Flautas de néon melodiam o teu olhar

Ao longe o sorriso da ribeira

Que não se cansa da madrugada

E corre sempre para o mar

 

Ao longe o teu cabelo em silêncio vento

Insónia noite ao despertar

Como as flores da Primavera adormecida

Ao longe o faminto alimento

Que o homem procura num pincelado olhar

Ao longe a luz prometida

 

Aos barcos da minha infância mimada

Ao longe as cubatas envenenadas pelo capim

Que a tarde construía em volta do musseque zincado

Ao longe o teu peito em tardes animadas…

Trazendo os cheiros do jardim

Quando o vento é apenas um sonho sonhado

 

 

 

04/11/2023


11.06.23

Desenho-te na sombra deste lápis

Desenho-te na tarde em silêncio

Do silêncio em tarde…

Até que regressa a noite

E na noite

Desenho-te na sombra deste lápis.

 

Desenho-te no silêncio em tarde

Desta tarde que se despede

Do desenho

E de ti…

E de mim, finalmente em tarde.

 

Desenho-te na sombra deste lápis

Que no silêncio lápis

Entre sombras gradeadas…

Desenho-te apressadamente

Antes que esta tarde acabe…

E que de tarde em tarde

Nasça uma outra tarde…

Enquanto eu…

Enquanto e te desenho na sombra deste lápis em silêncio tarde,

 

 

 

Francisco Luis Fontinha

11/06/2023


29.12.22

Oiço as estrelas que dormem

As estrelas que rumam em direcção ao mar

Oiço-as enquanto sentado nesta pequena pedra de silêncio

Te escrevo

Enquanto a noite não vem

Enquanto as oiço

E peço perdão às palavras

Enquanto estou vivo

E sentado

Deixo-me ir com o vento

 

Deixo-me ir

Por aí

E por aqui

 

Tanto faz onde estou

 

Apenas preciso de estar vivo

De fumar

E de beber coisas

Ou até mesmo de fumar coisas

E beber pequenos pedacinhos de nada

Fumar palavras

Fumar… fumar as madrugadas

 

O importante é viver

Estar vivo nesta selva de palavras

Nesta selva de invejosos

 

Oiço as estrelas que dormem

As estrelas que rumam em direcção ao mar

E também oiço as estrelas que nunca dormem

E que nunca comem

Tão pouco fumam e bebem coisas… coisas estranhas

 

Estrelas da manhã que oiço nas tardes do dia seguinte

Das tardes junto ao rio

Junto ao rio das estrelas que bebem e fumam coisas

Coisas estranhas

Estranhas noites das estrelas que dormem

E termina o dia nas mãos de uma criança.

 

 

 

 

Alijó, 29/12/2022

Francisco Luís Fontinha


10.04.19

Suspensa nos teus lábios, a fotografia do amanhecer.


Chove no meu corpo,


Piso o deserto da saudade,


Enquanto a serpente do teu cabelo rasteja no meu olhar,


É noite, meu amor.


Suspensa nos teus lábios, a inocência da infância,


As correntes marítimas dos oceanos embriagados,


Vai,


Não regresses mais, tempestade oncológica das tardes perdidas…


Até que o vento te leve,


Para longe,


Em pequenas lâminas de aço,


Pobre.


Rico.


Sem-abrigo, é tudo o que eu sou…


Meia dúzia de ovos, um café e uma torrada,


Ao final da tarde.


Mendigo.


Perigo.


Suspensa, em ti, as palavras minhas,


Desajeitadas,


Sem nexo,


O beijo da serpente.


Abro a janela da paixão,


Finalmente há amanhecer,


Porque a tua fotografia,


Pertence aos teus lábios.


Estou alegre.


Apaixonado pelos socalcos da geada…


Mendigo.


Perigo.


Aventuras, telegramas sem remetente…


Nos braços,


O ausente,


Da morte,


Que há-de regressar ao teu peito.


 


A cidade, toda a cidade arde,


Nos teus seios,


O jardim dos gladíolos…


 


Sem nexo.


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


10/04/2019


30.03.19

Os teus olhos são as cataratas do Niágara,


O cansaço do povo,


Os teus olhos são a luminosidade da saudade,


O silêncio prometido,


Alto,


Esguio…


 


Das parais encantadas.


 


Os teus olhos são a Primavera,


A mudança da hora,


Deste velho relógio,


Que adormece no meu pulso,


 


Quebrado,


Triste,


Cansado.


 


Difuso.


 


Os teus olhos, meu amor,


São a tempestade nocturna,


A cidade em chamas,


 


E das aldeias perdidas,


 


Nos teus olhos, meu amor.


 


Os teus olhos são o sorriso da madrugada,


A velha jangada,


Poisado na mão do rio…


 


Quando regressa a tarde,


Chorando,


Sem querer…


Chorando.


 


Meu amor.


 


Os teus olhos.


Saudade,


Dos beijos,


Na claridade,


Dos teus olhos,


Quando logo, mais tarde,


Eu, pegar nos teus olhos…


 


E dormir,


Com a saudade.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


30-03-2019


29.03.19

Não posso, desisto.


Não posso, finjo, caminhar em tua direcção,


Descalço,


Não posso,


Fingir que te amo.


Se te amasse, amava-te,


Se te escreve, escrevia-te,


Mas, não, não posso,


Fingir,


Escrever,


Se pudesse, lia-te, todas as palavras começadas por A…


Não posso,


Fingir,


Que te lia todas as palavras começadas por A.


Amar.


Começar,


Caminhar,


Não posso.


Fingir.


Que sou o mar.


Lanço no poço da saudade o beijo desenhado,


Na alvorada,


Na eira,


O beijo embalsamado,


Fingido,


Doente,


Caminhando, caminhar,


O fogo do prazer,


Quando o teu corpo adormece,


Arde,


Tudo arde,


Mesmo o entardecer.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


29/03/2019


03.06.15

A tarde vaiada no silêncio do adeus,


Há sempre uma partida,


Sem despedida,


Alguma,


Ou… ou nenhuma


Canção de embalar,


Há sempre uma palavra


Amiga,


Amarga,


Desempregada…


Sem… sem desenhos para desenhar,


A tarde,


 


Só,


Entre as paredes dos plátanos envelhecidos,


E gritam,


Às vezes…


Enfurecidos,


As pálpebras cinzentas da madrugada,


 


Mas da tarde vaiada…


Não sobra nada,


 


Nada.


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quarta-feira, 3 de Junho de 2015

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