Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


14.02.20

Uma rosa,


Rosa,


Rosa,


No teu corpo,


Corpo,


Corpo, rosa.


Um sorriso,


Riso,


Palavras,


Lavra,


No poema,


Ema,


Riso,


Rosa,


Cama.


Um silêncio,


Lêncio,


Algures na madrugada,


Ugada,


Ada…


Uma pedra,


Pedra,


Nas palavras,


Lavras,


Quando acorda a noite,


Noite,


Oite…


Uma rosa,


Rosa,


No amor,


Rosa,


Mor,


Flor,


Lor,


Dor.


Uma pirâmide de giz,


Na ardósia nocturna da serpente,


Mente,


Ente.


Do ponto,


Onto,


Nada.


Nada, de mim.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


14/02/2020


02.02.20

E, agora? O que será de nós depois da saudade;


Pertenciam-lhe as palavras invisíveis das marés de prata.


A boca mergulhava na ínfima madrugada do silêncio,


Descia à cidade, quando acordava a noite,


Pegava num pedaço de sombra,


Agachava-se no pavimento húmido da solidão…


E, gritava palavras de amor.


E, agora? Que a tempestade regressou de ontem,


Traz consigo os dois cansados cadáveres da única memória que lhe restava,


Os homens entre guerras e coisas simples, banais,


Percorriam as ruelas sem saída, suspendiam pinturas nas janelas do horror,


Para que as crianças conseguissem adormecer,


Nesta cidade de “merda”, sem dormitórios, sem palavras abstractas,


Que pertencem aos livros de poesia.


O corpo arrefece sobre a lápide fria da manhã,


O silêncio vem em direcção ao peito,


Como uma flecha, e, o sangue corre para os canaviais…


Tinha medo da saudade,


E, agora?


O que será de nós, depois da saudade, quando alguém procura o corpo amachucado pela violência dos gritos do homem de chapéu negro,


Seu nome Chapelhudo, vestido de pássaro nocturno,


Quando as palavras emergem e, tudo à volta morre, extingue-se em finíssimos pedaços de carvão,


O desenho acorda,


Mergulha na tela da saudade,


Sempre ela, a saudade dos dias, da noite, dos candeeiros a petróleo…


E, agora? Nada.


Apenas um sorriso,


Flácido,


Triste,


Porque sim;


Cansado da vida.


Chapelhudo, morre. E todas as palavras do menino branco.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


02/02/2020


02.05.19

O teu sorriso é uma rosa de pétalas encarnadas,


A sombra do plátano,


Na Primavera encantada,


O teu sorriso é o mar em cio,


A madrugada atrapalhada,


Quando regressa o frio.


O teu sorriso é uma jangada,


O silêncio da alvorada,


Junto ao rio.


O teu sorriso é um livro de poesia,


Palavras voando sobre a cidade dos pássaros…


No final do dia.


O teu sorriso,


O esplendor da floresta virgem,


As marés,


E os barcos de papel,


O teu sorriso,


Um batel,


Sonâmbulo das noites intermináveis…


Como uma jarra de flores,


Sobre a mesa,


Sobre a secretária…


Recheada de livros.


O teu sorriso é o luar,


Marinheiros enfurecidos nas asas do embriagado mar,


O teu sorriso é oiro,


Incenso,


Mirra…


Ai, menina, o teu sorriso!


O teu sorriso é literatura,


Ternura,


Nas tardes de xisto.


O teu sorriso é feitiço,


Nas caravelas,


No cais da despedida…


O teu sorriso é a sanzala,


O capim,


Jardim,


Que nunca se cala.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


02/05/2019


14.04.19

Trago nas mãos a enxada da vida,


Tenho nas mãos o silêncio da vida,


Tenho no meu corpo o círculo da vida,


Sem viver, esta vida de sofrer.


Trago nos lábios o sofrimento de respirar,


O ar purificado das planícies perpendiculares ao quadrado…


Quando durmo, e não consigo sonhar.


Trago em mim todas as flores do teu jardim,


Todas as árvores do teu cabelo…


Caminhando pela cidade.


Trago em mim todos os barcos, todas as marés do teu sorriso…


Dançando na chuva,


Brincando na chuva,


Como uma criança sem nome.


Trago em mim todas as palavras que te vou dizer,


Numa tarde de vento,


Junto ao rio a correr…


Trago em mim todos os socalcos do Douro,


Todas as sombras do Douro…


Quando nasce o Sol, quando nasce a saudade de te beijar.


Trago em mim os livros que vamos ler,


À lareira,


Enquanto pego na tua mão…


E nela, semeio as palavras que não tenho coragem de te dizer,


Apenas escrevo,


Que trago em mim todo o meu saber.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


14/04/2019

...


22.03.19

O sorriso. O silêncio que habita o sorriso, camuflado na montanha da solidão, o abismo da tristeza embainhada no clitóris da paixão, quatro paredes em suspenso, o sofá com o desenho do meu corpo, ele, dorme,


Hoje é um dia triste, diz ele em frente ao espelho do sofrimento, da horta regressam os pássaros moribundos, capazes de fazer amizades em qualquer situação,


Não.


Não o encontro, abro as janelas, abro todas as portas e todos os telhados da minha pobre casa, mas ele não está, dorme


Hoje há tripas.


Dorme como o silêncio que habita o sorriso, e as estátuas parecem o meu corpo antes de acordar, mórbido, cansado de sonhar, triste, também ele,


Hoje,


Não.


Pego num livro, folheio-o e encontro finalmente a amizade, três palhaços, uma pequena tenda de circo e uma contorcionista escreve poesia nos lábios dos espectadores impávidos, ciumentos, capazes de gritos histéricos ao cair a noite,


Hoje?


Hoje, não, meu amor…


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


22/03/2019


12.05.18

Gostava que as tuas mãos fossem palavras,


Sonhos encantados nas páginas de um livro embriagado,


Gostava que as tuas mãos fossem fósseis,


Pedaços de ossos,


Adormecidos no lençol da madrugada.


 


Gostava que as tuas mãos fossem um sorriso,


Um rio envergonhado correndo para o mar,


Gostava que as tuas mãos tivessem nos dedos pequenos dardos de sangue…


Quando acorda a lua.


 


Gostava que as tuas mãos fossem papéis,


Pedacinhos de jornal,


 


Entre parêntesis,


 


Em cada final de tarde.


 


Gostava que as tuas mãos fossem um carrossel,


Com crianças de sombra,


Gostava que as tuas mãos fossem um poema,


Cantado pelo silêncio,


Nos lábios de uma pomba.


 


Gostava que as tuas mãos fossem a Primavera,


Flores,


Jarras envenenadas por flores…


Das flores desencontradas.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 12 de Maio de 2018


26.07.17

Regressa o passado,


De longe recebo a última réstia de sombra,


O filme que vivi…


Voltará?


Sem paciência com as palavras,


Sem vontade de sorrir…


Se voltar…, cá estarei firme…


Como sempre…


Como sempre,


Firme e de pedra.


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 26/07/2017


18.12.16

O som melódico da noite


Misturado nas imagens a preto e branco do sono


O poema alicerça-se no teu olhar


E ancora-se aos braços da paixão


A sorte absorve-me como os rochedos absorvem o teu sorriso


Deitado na solidão


Há delícias do mar voando no teu cabelo…


E as marés da insónia


Poisam vagarosamente no teu peito


Vendi o sono a um transeunte infinito


Que se passeava junto ao cais da despedida…


E penso na morte


Meu amor


E penso na partida


Meu amor…


 


 


Francisco Luís Fontinha


18/12/16


25.09.15

desenho_23_09_2-015.jpg


(Fontinha – Setembro/2015)


 


Deixei de sonhar com as tuas sombras sem sorriso,


Sufocam-me as tuas palavras amargas…


Sofridas e falsas,


Deixei de olhar o mar


E os barcos embriagados pela sonolência da noite,


Agora pareço um Cacilheiro amarrado às folhas ténues dos Plátanos,


Escrevo-te,


Mas não sonho com as tuas sombras,


Sem sorriso,


Agora,


Ontem…


A alegria de estar só.


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sexta-feira, 25 de Setembro de 2015


 


15.09.15

desenho_14_2_09_2015.jpg


(Francisco Luís Fontinha – Setembro/2015)


 


Tão frágil, meu amor, o teu sorriso de vidro fumado,


Tão frágil o teu silêncio antes de acordar a madrugada,


Os pássaros e as flores,


E a cidade dorme nos lençóis do cansaço,


Sem saber, meu amor, sem saber que no meu corpo habita um planeta sem nome…


Que ama.


Tem desejo,


E fome…


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Terça-feira, 15 de Setembro de 2015

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2012
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2011
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub