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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


03.10.23

Maré que me inventas

Todos os dias

A todas as horas do dia

Dos outros dias

Maré dos teus lábios de mel

Que inventa na minha mão o silêncio

E se despede de mim

Quando cai a noite

 

Maré que me inventas

Todos os dias

A todas as horas

Dos dias sem horas

Das horas sem dias

Quando se aproxima o cansaço

E se ergue dos teus braços

O abraço

 

Nas marés que me inventas

No mar dos teus olhos

Tão lindos

São os teus olhos

Quando se ergue na maré que me inventas

O sono

E o desejo

De dormir…

… nos teus braços.

 

 

03/10/2023


05.08.23

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Desenho nos teus lábios o sono

Enquanto tenho a perfeita consciência

Que este

É apenas o silêncio de uma flor

Nas mãos de um rio,

Lindo e curvilíneo,

 

Desenho nos teus lábios de sono

A inocência da noite

Quando depois de se despedir do dia

Um poema

Uma cama em poesia

Levita e voa em direcção à morte,

 

Desenho nos teus lábios de sono

As quatro pedras da tristeza

Na palavra amarga

Bela

Da palavra que se inventa

E brinca

Na palavra que nunca lamenta

Que o sono que desenho nos teus lábios

Seja um pedacinho de pimenta

Ou apenas… o sol entre palavras.

 

 

 

05/08/2023


15.07.23

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Escrevo-te

Escrevo-te enquanto a terra roda

Enquanto os rios correm para o mar

Escrevo-te

Escrevo-te sabendo que daqui a pouco é noite

Que daqui a pouco ergue-se sobre mim uma tempestade de insónia

E a terra

Sempre a girar

Sem parar,

 

Escrevo-te

Escrevo-te acreditando que os meus desenhos são uma merda

Que aquilo que escrevo

Tirando o meu testamento

É uma merda

Escrevo-te

Escrevo-te enquanto o som do mar

Do meu mar

Não se cansa de me gritar,

 

E no entanto

Escrevo-te.

Escrevo-te antes que uma espada de luz ofusque o meu olhar

Escrevo-te

Escrevo-te antes que estes traços de sono

Ganhem vida própria

E depois…

E depois fujam para o mar,

 

Escrevo-te.

Escrevo-te acreditando que quando regressar a noite

As palavras que te escrevo

Ganhem vida

E se escondam nos teus lábios.

 

 

 

15/07/2023


26.05.23

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Invento o sono,

Invento a ausência do sono,

E semeio-os nesta pequena folha em papel,

Invento o sono,

Invento o silêncio do sono,

Quando a insónia pertence ao nada…

 

Dos círculos mortos,

Faço uma jangada,

Passeio-me pelas ruas…

Acreditando que sim,

Ou que não,

E não quero saber…

 

Invento o sono,

Desenho-o nos meus lábios,

Escrevo-lhes pequenos pedaços de solidão…

Depois,

Depois a cancela da noite,

Abre-se,

E todos os animais são livres,

 

Do sono,

Dentro do sono.

Invento o sono,

Talvez apenas algum do sono,

Escrevo-lhes,

Atiro-lhes com pedras…

E desenho-os na face da paixão.

 

 

 

Francisco

26/05/2023


18.05.23

Havia um pássaro,

Havia um pássaro que poisava no meu ombro,

Havia um pássaro, havia um pássaro sono,

Deste velho sono, sem sono…

Deste velho poeta,

Do poema sono,

Havia um pássaro,

Um pássaro sono,

Do sono pássaro…

 

E do pássaro sono,

Nasceram as palavras do poema,

Em sono,

Deste sono,

Sem sono…

 

Havia um pássaro,

Um pássaro sono,

Enquanto sono,

Deste sono,

Deste pássaro em sono,

Havia um pássaro que poisava nos meus ombros,

Do menino ombros,

Nos ombros do menino…

 

Havia um pássaro,

Um pássaro… meu amor…

Um pássaro sono,

Sem sono,

Havia um pássaro,

Um velho pássaro…

Deste menino sono,

Deste sono pássaro…

 

Havia um pássaro,

Um pássaro sono,

Deste sono pássaro…

No meu ombro,

Deste ombro pássaro,

Sobre mim,

Em ti…

Este pássaro sono,

Enquanto o sono,

Este sono…

Esconde-se no meu peito.

 

 

 

Alijó, 18/05/2023

Francisco Luís Fontinha


14.05.23

Um quilograma de sono, será sempre um quilograma…

E se eu dispensar um quilograma do meu sono,

Certamente,

Não será por isso que fico mais pobre,

Decidido; vendo um quilograma do meu sono.

Um quilograma a menos, talvez dê para começar uma tela…

Ou…

Simplesmente para olhar o pôr-do-sol.

 

Um quilograma do meu sono, vendo-o…

Ou quem quiser,

Troco um quilograma de meu sono por um dos livros de Luiz Pacheco…

Que ainda não tenha,

Um quilograma do meu sono,

Vendido

Ou trocado,

Tanto faz,

 

Será apenas um quilograma do meu sono.

Vendo ou troco um quilograma do meu sono…

Enquanto faço negócio, penso…

Tudo o que poderei fazer com um quilograma do meu sono a menos…

Um quilograma do meu sono;

Vendo-o,

Troco-o…

Dou-o.

 

 

 

Alijó, 14/05/2023

Francisco Luís Fontinha


08.05.23

Escondo-me na tua mão de oiro amanhecer,

Enquanto lá fora, uma pequena réstia de sono foge de mim.

Procuro nos teus lábios o teu doce olhar,

Sabendo que a chuva brevemente poisará no teu cabelo.

Escondo-me na tua mão…

Ao primeiro beijo da manhã,

Quando o Deus criador liga o interruptor da paixão,

E eu, olho-te incessantemente no espelho da madrugada,

Do silêncio que me abraça, ao silêncio que me deseja…

O meu esconderijo.

 

Escrevo-te enquanto ainda tenho forças para o fazer,

Não porque esteja cansado, ou doente, ou coisa alguma…

Mas vou-te escrevendo parvoíces,

Vou pincelando numa tela fria e nua…

Outras tantas parvoíces;

Diria que sou um parvo,

Um parvo que escreve parvoíces,

Um pequeno parvo que pincela numa tela fria e nua…

Parvoíces.

Eu, o eterno parvo das noites de insónia.

 

 

 

 

Alijó, 08/05/2023

Francisco Luís Fontinha

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