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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


21.02.22

Às vezes, o sol parece uma nuvem escura,

Fria,

Às vezes, o sol parece um sonho,

Um jardim florido.

Às vezes, as palavras parecem uma tempestade,

Um dia estupidamente feio.

Às vezes, o mar é uma ilha,

Outras,

Um corpo cansado,

Às vezes, o sol parece uma fogueira,

Ou um poema recheado de nadas.

Às vezes, eu sou o sol,

Outras,

Sou a nuvem granítica da saudade…

Às vezes, temos o sol pincelado de noite.

Às vezes, temos a noite pincelada de sol…

Às vezes, o sol parece uma nuvem escura,

Fria e cinzenta.

Às vezes, o sol é um pássaro,

Uma flor esquecida na avenida.

Às vezes, temos o sol,

Às vezes, o sol tem-nos a nós.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 21/02/2022


24.02.20

Acordava do sono emagrecido,


O homem da nuvem embriagada,


Cansado,


Perdido,


E, reclamava,


E, gritava,


A palavra enfeitiçada.


E, hoje, nas camufladas ruas da cidade esquecida,


Embrenhado na poesia, a canção do adormecido,


O homem, cansado, denegrido,


Escreve sem ânimo,


Desiludido…


Dos alicerces envergonhados.


Rezam pela sua alma,


Coitado,


Sem nome,


Degolado pela tempestade,


O homem, o mesmo homem, o cansado,


Pegas nas palavras da reza em seu poder,


Desorganiza-se,


Veste-se de negro,


Negro, negrito, negrinho,


Como o gato do vizinho,


Dançando na eira das espigas adormecidas.


As sombras do silêncio,


A alvorada da sinfonia que jaz na ribeira,


O rio, em delírio,


O rio, desconectado da vida,


E, corre,


E, dorme,


Nas almas do mar.


O mar tudo engole, e, tudo mastiga,


Pessoas, lixo, palavras, o vento…


Uma laranja, sofre,


E, vive,


E, morre,


Dentro da laranja adormecida.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


24/02/2020


07.12.19

Não sei!


Não sei o que é adormecer,


Sorrir,


Sonhar,


Ou simplesmente viver.


Porque tu existes, e vais partir,


O Sol acordar,


Não sei que sei que chorei!


Ninguém quer saber,


Nem importa o que vamos fazer,


Se faz Sol ou está a chover,


Ou corremos sem correr…


És flor adormecida,


Muito bela e querida…,


Manhã submersa esquecida


Á procura da vida.


Pétala de ternura


Eterna brancura,


Olhar cansado com bravura,


Que se despedaça de grande altura…


Não sei!


Não sei o que é voar,


Viver,


O que são electrões,


Pensamentos metalúrgicos ao acordar,


Treliças que quero esquecer.


Fundem-se protões,


E de tanto te olhar…, me cansei!


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Para publicação


03.12.19

Não o sei.


Foram pedras da calçada que arranquei.


Foram lágrimas que chorei.


Não o sei.


Esta terra que semeei,


E depois me cansei,


E depois me sentei,


Não. Não o sei.


 


 


Não o sei.


Porque morrem, aos poucos, as palavras que plantei,


Na folha de papel que rasguei.


 


Não.


Não o sei.


 


Não o sei.


Porque brotam lágrimas esta lareira que amei.


Esta fogueira que incendiei,


Na madrugada que pintei.


 


 


Não.


Não o sei.


 


 


Não o sei.


Porque sinto os combóis que nunca sonhei.


Não o sei,


Porque brincam meninos na seara que pisei…


 


 


Mas uma coisa eu sei.


 


Que o Sol que bilha, não fui eu que o pintei.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


03/12/2019


05.05.18

Sentia-me obtuso com a tua simplicidade dos jardins adormecidos; uma flor poisa ruidosamente no teu rosto. O acordar!


Sentia-me confuso com o silêncio dos teus lábios, flácidos, cansados das minhas pobres mãos,


O sono.


Sentia-me perdido na seara da solidão,


Quando os pássaros escreviam palavras na eira, era Verão, e a candeia perdia-se sobre a mesa do esquecimento,


Me levanto,


E pego no Sol.


Me levanto,


E pego no silêncio que traz o Sol,


Sentia-me uma pomba quando o teu corpo desleixado aterrava no meu olhar,


Uma réstia de alegria,


Uma sinfonia para brincar…


E ouvia desenfreadamente os sons da alvorada.


Como eu queria ser criança…


 


 


 


Alijó, 5 de Maio de 2018


Francisco Luís Fontinha


27.08.17

Todas as torres têm vertigens,


Nos teus olhos brincam as searas encantadas da tarde,


Ultraje, viagem desassossegada ao infinito,


No medo, no cansaço de te perder nos lençóis da dor…


Como uma serpente acorrentada, só, dentro de casa,


O feitiço obscuro das tuas mãos, além o indesejado coração de pedra…


Triste, e frio como a geada,


Suspenso em cada madrugada,


 


A fotografia prateada, esquecida em cima da secretária, os livros enervam-me, e oiço o cantar das personagens antes de nascer o dia,


A morte traz a noite, a noite constrói a dor, e o sofrimento alimenta-se das tuas pálpebras de granito,


 


Serei o teu guardião das noites mal dormidas, o esqueleto de xisto que habita no teu peito, sempre ofegante, sempre engasgado pelo sonâmbulo cacimbo,


E na sanzala há uma esfera límpida de carvão…


Como são todos os cigarros que me acompanham,


Sinto a despedida,


Sinto a partida…


 


Até que um dia nascerá o sol, e tudo são apenas más recordações, papéis velhos e alguns trapos de Inverno,


 


Tudo cessa,


Como cessam as cordas da forca antes do enforcado se despedir da mãe.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 27 de Agosto de 2017


30.06.17

Que sobre o amor nada tenho a dizer,
Saboreio a vida com prazer,
Todos os dias ao acordar,
Danço, escrevo e consigo navegar
Nos teus braços de manteiga,
Aceito,
Amo,
Percorro caminhos obscuros da maternidade…
Tenho em mim a saudade,
Da verdade,
Da sabedoria de nada saber…
A não ser…
Que a morte existe,
Persiste…
Persiste em me atormentar,
Navego no teu colo nascer do sol,
Quando o tempo se esquece de mim,
Tenho o teu jardim,
Desenhado,
Desenhado num caderninho…
Num caderninho dentro de mim,
Que sobre o amor nada tenho a escrever,
A não ser,
Viver.


Francisco Luís Fontinha


07.06.17

Rareiam por aqui as esquinas de luz do teu corpo,


Forço um beijo de sombra que habita no meu quarto,


Desenho nele a solidão de um final de tarde…


 


E sei que não voltarei mais.


 


(a mim?)


 


A ti, a mim e a esta terra que me acorrenta e mata,


A esta terra que me aprisiona desde criança


Como se eu fosse um Tiranossauro REX descendo a montanha do “Adeus”,


E lá longe a longínqua caneta enterrada no granito abraço,


(queres cerejas?)


Não. Não gosto de cerejas…


Olha! Olha, as laranjas do nosso quintal já são comestíveis,


Tão doces, tão doces como as tuas queridas mãos enfeitadas por flores, arbustos e lábios lacrimejantes, opiáceos livros de poesia poisados na nossa janela,


Quando a rua está deserta.


Não te entendo!


Não precisas de me entender…


 


Amanhã vais dizer que sou um vagabundo cambaleando pelos plátanos com leves folhas doiradas de tristeza,


A sátira perdida que apelidava o meu transeunte corpo de chocolate…


Com o calor…


Derrete. Morre.


 


E sei que não voltarei mais.


 


(a mim?)


 


Á vida. Não voltarei mais à escrita de estórias desalojadas numa quinta-feira à tarde, quando os miúdos regressam da escola e tu estás sentada na varanda a fazer pássaros de papel,


 


Tudo.


 


Ou nada.


 


O que importa é estar vivo…


 


Desde que nasce o Sol até ser noite.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 7 de Junho de 2017


11.05.16

A vida é construída de pequenos retalhos,


Corpos em geada


E orvalhos,


Farrapos entre velharias


E trapos,


A vida pertence ao luar,


Quando de um suspiro


Grita em mim o mar,


E num sorriso


Tu sentias


O sabor do madrugar,


Que a vida, construída de pequenos retalhos… consegue abraçar,


 


Cansado, não respiro,


E insisto na vida sem despertar,


 


Os livros,


As palavras esmagadas no silêncio da alvorada,


O corpo cessa de respirar,


Levita


Madruga


E inventa barcos de brincar,


 


A vida é construída de pequenos retalhos,


Corpos em geada


E orvalhos,


Gente simples dormindo na calçada,


Meninos de sombra que desenham na mão o sol,


Aldeias sós, homens confundidos com aldeias sós…


A vida atrapalha,


Esmaga a penumbra madrugada,


E a canalha


Toca com os lábios


O rio entre rochedos


E brinquedos,


 


Cansado, não respiro,


E insisto na vida sem despertar…


 


Francisco Luís Fontinha


quarta-feira, 11 de Maio de 2016


21.11.14

(para os meus pais)


 


 


O “foda-se” triplicado na equação do Adeus


a morte


o corpo evapora-se e viaja em direcção a um punhado de fotografias a preto e branco


a roldana da insónia range


gritaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa..................................


não posso mais


estou mergulhado no teu sorriso como um pêndulo sem alicerce


embriago-me nas tuas pérolas falsificadas


olho-me no espelho... pareço um falhado construído de cartão


sem coração


em revolução...


apetece-me matar todas as flores do teu jardim


aprisionar os pássaros dos teus sonhos...


não posso mais com rostos transformados em nada


corpos cadentes


e lágrimas


o “foda-se” triplicado na equação do Adeus


a morte


o corpo vacila no sentido descendente da impaciência


penso


escrevo...


nada... apenas “merda”


e


e complicadas matrizes melódicas


a fome que não é fome...


e quando apareço nos seus cabelos...


ela me inventa equações sem resolução


os anais


sem personagens vestidas de marinheiro desempregado


o estranho


a pintura de engano das tuas veis desalojadas do Sol


e desengano-me a cada pedra de xadrez...


 


 


 


(não sou eu...)


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sexta-feira, 21 de Novembro de 2014

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