Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


03.12.19

Não o sei.


Foram pedras da calçada que arranquei.


Foram lágrimas que chorei.


Não o sei.


Esta terra que semeei,


E depois me cansei,


E depois me sentei,


Não. Não o sei.


 


 


Não o sei.


Porque morrem, aos poucos, as palavras que plantei,


Na folha de papel que rasguei.


 


Não.


Não o sei.


 


Não o sei.


Porque brotam lágrimas esta lareira que amei.


Esta fogueira que incendiei,


Na madrugada que pintei.


 


 


Não.


Não o sei.


 


 


Não o sei.


Porque sinto os combóis que nunca sonhei.


Não o sei,


Porque brincam meninos na seara que pisei…


 


 


Mas uma coisa eu sei.


 


Que o Sol que bilha, não fui eu que o pintei.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


03/12/2019


26.10.14

Esta seara de trigo


que ele deixou nos braços do vento


do cansaço construiu o sofrimento


e hoje vive no planalto da inocência


como uma sombra sem infância


dos palhaços voadores


viveu


e cresceu


na laminada sonolência que os fantasmas trazem ao peito


era um desajeitado poeta sem palavras


mendigo nas horas vagas...


esta seara de trigo onde habitam as húmidas mulheres de gesso,


perdeu-se numa calçada


a última vez que foi encontrado...


brincava


sonhava


dentro de um crocodilo de prata...


poeta desassossegado


poeta despedido das avenidas incendiadas


corpos em chamas


sexos murchos...


embriagados poemas...


e fotografou o amor no Tejo longínquo


como uma gafanha apaixonada,


esta seara onde te escondes


e desenhas


o meu sorriso envergonhado


olho a fotografia do Tejo longínquo...


não te reconheço


não sei quem és...


e o odor do teu corpo foi ancorado aos cais da despedida


um adeus ácido alicerçou-se nos meus cabelos...


veio a noite


e toda a aldeia sob uma podridão de gotículas inanimadas...


porque esta seara


não pertence às cordas da paixão.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 26 de Outubro de 2014


02.03.14



foto de: A&M ART and Photos


 


Perdi o teu olhar na penumbra seara de trigo,


tínhamos descoberto o silêncios dos rios que dormiam nas nossas veias,


perdi o teu olhar das palavras por escrever,


e sentia em ti o desejo de partires,


à janela apareciam as imagens que tínhamos deixado do outro lado do muro,


havia um fino sorriso de melancolia e as tuas mãos tremiam como tremia a tua voz de centeio,


perdi o teu olhar,


e da penumbra seara de trigo apenas sobejaram as flores envenenadas dos beijos adormecidos,


Descemos a montanha,


dormíamos nas almofadas clarabóias das rochas graníticas,


líamos as estrelas junto ao cais das laranjeiras, e... e sentíamos o florescer da manhã com rosas,


sobre nós um papagaio de papel lançava pequenos grãos de areia e alguns favos de mel...


as abelhas descoloridas morriam,


como nós, hoje,


cadáveres de gesso suspensos nas amoreiras,


e havia sempre uma criança em ti que me fazia sonhar...


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 2 de Março de 2014


Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2012
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2011
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub