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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


10.02.21

DSCN3224.JPG

Sabíamos que era Sábado porque estava escrito na parede da sala. Os gonzos pareciam envenenados pelo silêncio e, uma sombra ténue projectava a insónia da pilha de livros junto à janela. O rio durante a noite tinha galgado o quintal, ao menos, apenas as árvores ficaram submersas, como se fossem corpos embalsamados dentro do tumulo.

Ia à janela, puxava de um cigarro e, desenhava palavras na vertente norte da solidão, poisava a minha mão na mão dela, acariciava-lhe o sorriso com um pequeníssimo olhar e, percebi que tenho mais jeito para escrever do que ser engenheiro; às vezes sinto o peso dos retractos nos ombros, uma sensação estranha que só percebo depois de acontecer. Entre momentos, pequenos instantes, pincelava-a com o meu olhar de transeunte desnorteado à procura de um milagre. Precisava mesmo de um milagre, segredava-lhe ele ao ouvido.

Era um gajo antipático com um feitio de merda, não gostava de multidões e, sempre que era Sábado, religiosamente como quem vai à missa das dezoito horas, dava-lhe na telha de pegar nos álbuns de fotografias e, entre silêncio, manuseava cada retracto como se fossem simples flor. ,

Hoje o rio estava cansado; tal como ele se sentia todos os Sábados ao acordar.

Prisioneiro das sombras do Além.

Escrevo cartas a Deus. Envio-as para o endereço mais curto que conheço; Avenida das Almas, nº 5 – Lisboa. Nunca obtive resposta. As palavras, quando escritas para ele, adornavam-se em cima de uma secretária bolorenta, carcomida pela ferrugem dos sonhos, que durante a noite, boiavam nos socalcos do medo.

Nunca me levas a passear.

E, é hoje que vamos passear. Levamos umas laranjas, alguns poemas e, fazemos um piquenique literário.

Como assim?

A ponte, meu amor.

As coisas boas, meu amor.

Este gajo é insuportável. Pronto, disse.

Sabíamos que era Sábado porque estava escrito na parede da sala. Os gonzos pareciam envenenados pelo silêncio e, uma sombra ténue projectava a insónia da pilha de livros junto à janela. O rio tinha acordado com uma tremenda dor de costas, ora bem, a idade também não ajuda e, o caminho é tumultuoso, de pedra entre pedra, contando pontes e pontões, já tinha caminhado por baixo cerca de trinta e cinco, não esquecendo o lixo que tem de transportar até à Foz.

Tudo é lindo quando acaba bem, segredava-lhe ela ao ouvido.

Sabes, dizia ele, até parece que hoje é Sábado.

Sábado, hoje?

Sim, fui ao cemitério e vi muita gente para um normal dia. Coloquei-lhes flores, velas e, conversei com eles. Têm sempre uma palavra carinhosa para comigo, não admira, sou filho.

A ponte, meu amor.

Nunca me levas a passear.

Sábado, meu amor. Sábado.

 

 

Francisco Luís Fontinha, Alijó 10/02/2021


09.01.21

Quando as amarras se desprendem da paixão e, o rio galga os socalcos da insónia.

 

 

Eles tiram-nos a vontade de caminhar,

Mas nunca, nunca, nos tirarão a razão de pensar.

O amor,

A paixão entre dois corpos cerâmicos,

Quando dois lábios de seda, ao nascer do sol, se entrelaçam na maré e,

Um finíssimo fio de chuva,

Dorme, docemente, na cânfora manhã de ontem;

Sois vós, aqueles que me apedrejam e, depois, vêm lamber-me o cu.

Os livros, dormem,

Todas as estátuas, dormem… e,

Até as palavras, vejam lá, também elas, dormem.

O circo,

Os palhaços de farrapos que dormem na soleira das portas,

Também elas,

Todas,

Encerradas.

Querem que ele trabalhe, estude, seja educado, obedeça.

Mas, obedecer, nunca.

Como os pássaros,

Livres pensadores do destino,

Erva daninha dos caminhos de areia,

Que depois,

Dormem, como as palavras dele.

A paixão.

O orgasmo literário de um pobre blog,

Uma simples fotografia de um momento passado,

Cadernos mortos,

Corpos assados,

Na fogueira,

Da língua dos outros.

A boca, incha,

Morre de desgosto,

Sepultam-se os corpos cerâmicos, na fogueira do incenso,

Morde as palavras e,

Grita; foda-se.

Os sete cavalos de aço,

As sete pernas de gesso,

Os setenta corvos da madrugada,

Que o diabo deixou acordar;

Foda-se.

Amanhã estará neve na minha aldeia,

Um rio de sémen, em demanda, correrá para o abismo,

Nascerá mais tarde uma borboleta em papel,

Que o menino deixa adormecer na sua mão.

Hoje, sábado, tarde manhosa, triste,

Dançam as crianças à volta da fogueira,

Pequenos livros, grandes papeis,

Voam e, deixam em mim,

A cinza da tristeza.

Choram eles.

Gritam gemidos de ódio, elas.

Como sabem, o amor é uma pedra linda,

Que caminha junto ao rio;

Foda-se. A água salgada da língua amaldiçoada.

Corpo,

Carne,

Sangue,

Pedaços de pedra,

Amuletos de nada…

São estas as brincadeiras da sereia.

A mesma sereia, aquela que dorme como um porco,

Num qualquer comício de aldeia.

Foda-se, amanhã não.

Fecha.

Abre as pernas, filho,

Porque o Governo te vai foder.

E fode-nos, como fodem as pedras todas as cabeças e cabeçudos do circo e,

Fode-nos, como todos os pregos de aço que serpenteiam as manhãs de sábado.

Os secretos AMORES que habitam esta casa,

Fecha.

Abre.

Fode-o profundamente como que fode o próximo.

Come. Não come. Tem fome, ninguém quer saber.

O gajo é fodido.

Escreve nas paredes da insónia…

Estou farto desta merda.

Merda.

Foda-se.

Ponto final.

Paragrafo.

Amanhã, Domingo.

Hoje, um corpo suspenso na avenida.

O poema, morre.

Como morreram todas as palavras de há pouco;

A marmelada, fria,

Azeda ternura.

Os beijos.

A ferradura.

A mão de enxada na mão.

O polícia quase a vomitar parágrafos e travessões…

“Felizes os convidados para a ceia do Senhor…”

Que são poucos.

Bons companheiros de tribunal.

Levanta-se o réu: inocente, “senhou” Juiz.

Inocente.

Pernas, paus, picaretas, todos à molhada,

Parecendo brinquedos em plástico,

Que o tio “Celito” vende nas ruas de Lisboa…

O cu amarelejado de centeio,

A peida perfumada, quando se senta na esplanada, assume que é apenas um pouco de raiva, a que sente ao estar completo no signo mais estúpido do zodíaco.

Há fogo dentro dela.

Ardem palavras de amêndoa, cornos descascados e,

Putas, muitas, na feira da cidade.

Assim termina mais um confinamento:

Fodam-se.

 

 

Francisco Luís Fontinha, Alijó, 09/01/2021


20.04.19

Porque hoje é sábado, não vou resistir às tuas palavras doces.


Porque hoje é sábado,


Não vou tirar fotografias, nunca mais.


Porque hoje é sábado, vou queimar todos os meus livros,


No quintal,


E saciar a minha sede com o fumo das palavras tuas…


Porque hoje é sábado,


Vou mergulhar as minhas mãos no xisto junto ao rio.


Porque hoje é sábado, vou festejar, vou partir de viagem até ao infinito…


Mar.


Porque hoje é sábado, vou alimentar-me de pedacinhos de papel,


Pequenos nadas,


Pequenos silêncios que só os teus lábios sabem construir…


Porque hoje,


É sábado,


Vou desenhar o beijo na tua solidão.


Só hoje.


Porque hoje é sábado.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


20/04/2019


09.03.19

Hoje, Sábado, eu, não fiz nada,


Rigorosamente, nada.


Hoje, eu, Sábado, levantei-me às seis e trinta minutos,


Dei a injecção à minha mãe, depois, fumei dois cigarros virgens,


Completamente, virgens,


E, deitei-me.


Dormi.


Tomei banho. Fui tomar café, buscar as compras…, ir ao cemitério,


Hoje, eu, Sábado, não fiz nada,


Rigorosamente nada.


Almocei, tomei café, e voltei a adormecer…


Acordei, lanchei…


E escrevo estas palavras,


Hoje, eu, Sábado, não fiz nada,


Rigorosamente, nada.


Hoje, eu, Sábado, sinto na boca as palavras salgadas, tristes, distantes,


E, rigorosamente, nada.


Hoje, eu, Sábado, não fiz nada.


Os pássaros, os teus pássaros, todos estacionados nas tuas mãos de areia fina,


Branca, como a do Mussulo,


E, regressa a noite.


Pinta-se o dia de tristeza, não me ouve, ele, como sempre,


Rigorosamente, nada.


Nada.


Sábado, eu, hoje, acordei cedo, deitar-me-ei tarde e acordarei cedo,


Amanhã, Domingo, a voz enrouquecida pela tempestade,


E sinto o mar, dentro de casa, só, só, como eu,


Hoje.


Rigorosamente nada.


Ao final da tarde,


As palavras que há pouco experimentei, salgadas, tristes e sós…


Rigorosamente, nada,


Hoje.


Sábado.


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 9/03/2019


19.07.14

Sábado,


a metralhadora do silêncio começa a disparar,


uma mulher vestida de negro, caminha vagarosamente para o altar,


alguém a espera, alguém a ama, e só alguém a pode desejar,


sábado,


hoje não há palavras de escrever,


hoje só uma ténue lâmina de sémen suspensa na janela da cidade com chaminés de vidro,


ela dispara, ela mata... e depois, depois cessa... depois... depois abraça-se às feridas que choram,


hoje, sábado, a metralhadora do silêncio começa a disparar...


a tarde escoa-se através de uma conduta de beijos, e há os cabelos da noite enrolados no vento,


a mulher leva um livro na mão, uma bala que lhe dita o futuro não existente,


ela deita-se sobre a lápide da solidão, e espera, e espera...


 


Espera que um coração de papel acorde da ressaca de sexta-feira,


 


Sábado,


um dia invisível,


chuvoso,


a cidade com chaminés de vidro, arde,


e sente,


os estilhaços no corpo de uma criança,


 


ASSASSINOS!


 


Sábado prometido,


hoje, hoje, hoje o que posso eu dizer...


que invento mulheres vestidas de negro?


que há metralhadoras apontadas ao meu peito?


Sábado...


ASSASSINOS!


 


Os meninos,


brincam no centro do furacão,


os calções fendidos, os calções de chocolate baloiçando nas pernas íngremes da madrugada,


e sábado..., e sábado os ASSASSINOS...


saciam-se à volta de uma mesa redonda, recheada de comida,


e os meninos, morrem,


e os ASSASSINOS... e os ASSASSINOS escondem os sobejantes calções de chocolate,


e ninguém, e ninguém os consegue parar...


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sábado, 19 de Julho de 2014


11.12.13



foto de: A&M ART and Photos


 


não me toques porque o Sábado não existe


não quero entrar dentro de ti... porque o vento me leva para os telhados de zinco


os pregos mergulham na saudade do menino traquina


saltita entre sandálias e latas vazias...


brinca


chapinha nas águas tranquilas os sonhos nocturnos do musseque das trevas


não toques na minha mão


não querias ser a caneta que dorme


e se desfaz nas minhas tristes lágrimas


não digas sim aos meus abraços


porque... o Sábado não existe


e a neblina... parece cansada nos ramos bravios das madrugadas em flor


 


 


(não revisto)


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quarta-feira, 11 de Dezembro de 2013



05.12.13



foto de: A&M ART and Photos


 


Tristemente invadido pelas análises clínicas dos perfumados jardins das jangadas embebidas em cianeto e outras


Escadas?


Palavras, não o sei, não o consigo perceber, talvez este verso alimentado pela inveja encontre dos triângulos dos dias tristes as algas masturbadas dos rios envenenados pelo doce odor da paixão, do cinismo...


As escadas...


Nunca tive Sábados, e à Sexta-feira tínhamos Açorda de Marisco, pão, vinho e sobremesa,


A sério?


Tristemente invadido pelos machimbombos da insónia, escondia-me de ti, debaixo da mesa no quintal das bananeiras, mangueiras e outras … eiras


Carvalhais,


Sexta-feira,


Eles não sabiam que tínhamos almoçado, traziam-nos coisas estranhas, comíamos tardíssimo porque acreditávamos que havia fantasmas que roubavam a comida dos pobre, e as tuas mãos abraçavam-se à minha cintura rechuxuda, hirta... fria como a geada de hoje à noite, e dizias-me que todas as árvores são como os pássaros quando são velhos...


Não voam, não voam mas também não andam, não bebem... e também não pagam, e também,


As escadas?


Sexta-feira,


Tristemente...


Aquele beijo que ficou esquecido sobre a mesa-de-cabeceira, aquele sorriso impregnado na vidraça estilhaçada da janela com fotografia para o quelho, aquele abraço perdido dentro dos cobertores da inocência, aquele beijo, aqueles teus lábios em pétalas que o desejo sobejou das tardes perdidas, aqueles livros poeirentos abandonados na estante do corredor, aquele teu alicerçado seio sobre a minha solidão, claro... imortal na cama em tardes de neblina, imortal no jardim dos clandestinos Domingos...


Sábados à tarde,


Sexta-feira à noite,


Aquele beijo, aquela melodia adormecida sobre os abajures da melancolia, aquele dia com palavras de luar, aquela madrugada com talheres em prata, e corpos, corpos de nata...


E ouvíamos o beijo esquecido das gaivotas em cio, e ouvíamos os tristes carris da liberdade mergulharem nas montanhas de papel como lagartas e outros bichos, coitados


Procurando,


Coitados...


Caminhando..., o beijo esquecido das gaivotas em cio, procurando as cinzas do casebre abandonado depois de partirem todas as árvores do destino que acompanhavam as alegres palavras comedidas pelas mãos de giz... aquele divã onde te deitavas, e eu, eu sobre ti entranhava-me nos teus gemidos invisíveis dos xistos borboletas em voos de andorinha, coitados...


De nós...


Deles...


O beijo esquecido das gaivotas em cio, o barco apodrecido no cais que alguém pintou nas paredes do velho bar de marujo embriagado, dizes-me que não, e eu, eu sinto-me dentro de ti como se eu fosse o teu feto indesejado, aquele que não queres, nunca quiseste... a gaivota dilacerada nas velhas nuvens de oiro... imortal no jardim dos clandestinos


Domingos...


Sábados à tarde,


Sexta-feira à noite,


E não bebem, e não pagam, não dormem mas... também não sonham,


As escadas?


Tristemente tristes, tristemente... sós, sós, talvez só às vezes tristemente sós...


O beijo dilacerava-se, o beijo derretia-se como chocolate, a Açorda de Marisco, uma simples sopa de hortaliça, pão e o vinho, tudo pela módica quantia de


Os beijos pareciam migalhas de pão abandonadas sobre a mesa de ébano, cheirava a naftalina, a toalha pertencia aos objectos escondidos como as pratas que deixaram de existir desde eu criança, como as porcelanas e todo o marfim, tínhamos falido, e vivíamos como Príncipes imperfeitos vestidos de carrancudos criados sem ofensa para vossemecê meu grande amigo


As escadas?


E pela módica quantia de dois beijos e uma sexta-feira...


Açorda de Marisco, uma simples sopa de hortaliça, pão e o vinho, tudo a estrear, excepto o vinho, que esse, esse já era em quarta ou quinta mão,


Sexta-feira, amanhã, a estrear, o beijo esquecido das gaivotas em cio, o barco apodrecido no cais que alguém pintou nas paredes do velho bar de marujo embriagado, dizes-me que não, e eu, eu sinto-me dentro de ti como se eu fosse o teu feto indesejado, aquele que não queres, nunca quiseste... a gaivota dilacerada nas velhas nuvens de oiro, e eu, eu inventado Açordas de Marisco, sopa, pão... e o vinho, e o vinho parecendo água depois das tempestades de...


Sexta-feira, Sábado, e Sexta-feira temos


Açorda de Marisco... e vinho, e vinho, tristemente... só. Só.


(onde está a sobremesa, raios?)


 


 


(não revisto – ficção)


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quinta-feira, 5 de Dezembro de 2013



01.12.13



foto de: A&M ART and Photos


 


sábado


os caixões da insónia silenciados na parada dos sonhos


os ventos longínquos das manhãs que dormiam na tua mão


não mais dormirão


evaporaram-se como pequenas gotículas de suor depois da tempestade


solidão


palavra desconhecida que o meu corpo absorve como mandíbulas metálicas


os olhos cansam-se como se cansam as pernas de cristal dos azulejos brancos



sempre


desde que partiram as gaivotas teus abraços para destinos inventados


viagens sem limite


 


sábado


a solidão


eu só


sempre


os caixões da insónia


a serpente


e mente


ela


ele


as ruas numeradas que habitam a cidade dos reumáticos assentos de prata


fidelidade


feliz


 


infeliz


o sábado


à saudade



aplique depois de seco


mergulhar supérfluamente como Dálias em jardins de pedra


e eu minguado


e eu


eu triste


porque sábado


eu



 


(apenas eu


como uma cadeira onde te sentas e sinto a tua pele...)


 


 


(não revisto)


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo. 1 de Dezembro de 2013



20.12.12

(a factura: é em seu nome ou em nome do burro?)


 


Não esqueço


sábado à noite vou entrar em ti


escrever nas tuas entranhas vísceras de primavera


o silêncio


com pingos de chuva


não esqueço


escrever


e as gajas de incenso


 


mergulhadas no papiro húmido da manhã sem acordarem


vivendo viver o sofrimento amor


não amando


amar


escrever


nas gajas de incenso


as palavras de encantar


que os barcos de sábado à noite


 


encalham na areia fina dos testículos


que dos tectos descem


os minguados tropeços de saliva


há na boca dele


ela entre parêntesis


abraçada ao ponto final


travessão


vírgula repetição paragem cardíaca ao pequeno-almoço


 


vírgula


ponto


paragrafo ordinário na tua mão não esquecendo


o calendário


vírgula


ponto final obrigado pela vossa presença


amanhã será outro dia


 


não esqueço sábado à noite vou entrar em ti


repartir-te em pedacinhos


palavra por palavra


letra por letra


sílaba por sílaba


não esqueço


sábado


quando as fotografias acordarem e dentro de ti eu


 


absorto


voando nas tuas vísceras entranhas cavidades


de primavera


a primeira classe das florestas virgens


absoluto em zero complexo tu eu nós os três pássaros da miséria


absorto


a primeira música no primeiro poema do primeiro desgosto de amor


não vieste desististe partiste dentro do oceano tua solidão


 


sábado


esperarei por ti


debaixo da ponte


trago os cigarros a corda de nylon e uma gaivota de esperma


e sei que nas tuas coxas


sábado


os cigarros


míseros sofrimentos que a noite constrói em folhas de papel...


 


(poema não revisto)


@Francisco Luís Fontinha


Alijó


 


23.09.11

Porque amanhã é sábado


As perdizes deitam-se na almofada da noite


E do rio que corre para o mar


Levantar-se-á uma tulipa na alvorada,


 


Um canganho é cuspido pela geringonça


E abraça-se ao chão lavrado da manhã


As horas adormecem no mostrador embaciado…


E porque amanhã é sábado,


 


As sandálias das ervas daninhas


Mergulham nas sombras de cigarros acesos,


O vento vem e traz sementes de girassol


E crescem sorrisos junto ao néon,


 


Levantar-se-á uma tulipa na alvorada


Em cada cansaço de mim


O mar que acolhe o rio…


Do mar que olho o jardim,


 


Porque amanhã é sábado


As perdizes deitam-se na almofada da noite,


E nas minhas mãos embrulhadas em papel de cetim


Um papagaio suspende-se no teto das nuvens…

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