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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


10.11.21

Entre o Ansys, placas rectangulares

E quadradas,

Prefiro os teus abraços,

Prefiro a tua boca envenenada pelo desejo,

Prefiro as madrugadas,

Prefiro o teu beijo…

Nas noites envergonhadas.

Mas… esquecemos as placas

Quadradas, rectangulares, circulares…

Esquecemos o Ansys que gatinha no meu pensamento,

Vamos falar de amar!

Vamos falar das cidades,

Vamos falar dos mares,

Do sol, que és apaixonada,

Das estrelas nocturnas do Ujo,

Dos retractos que amamos,

Vamos falar das gaivotas,

Pontes,

Pontes que atravessam rios,

Pontes que nos levam à cidade,

Vamos falar de rosas,

Palavras,

Sim; palavras amorosas.

Vamos esquecer o ansys

E todas as placas,

Sejam lá o que elas sejam,

Quadradas,

Rectangulares,

Circulares,

Tanto faz,

Mas, vamos falar de desejo,

De abraços junto à praia,

Vamos falar dos livros,

Dos desenhos,

Vamos,

Vamos desenhar um abraço

No silêncio da noite, um beijo na despedida da madrugada,

Vamos esquecer o cansaço,

E semear palavras na alvorada.

 

 

Francisco Luís Fontinha

ESTiG, Bragança, 10/11/2021


03.11.20

Sabes, meu amor, as rosas também se comem

(as de papel, as rosas de açúcar e as rosas de sombra).

As rosas são palavras que dormem no meu jardim imaginário,

Tem pássaros, o meu jardim, tem livros, o meu jardim e, tem roas, o meu jardim.

O meu jardim é a minha casa e,

A minha casa, são os teus lábios de amêndoa doirada,

Suspensos na infinita luz, das lágrimas, das rosas, do meu jardim.

Sabes, meu amor,

Hoje escrevi uma carta aos pássaros do meu jardim,

Os mesmos, que há pouco viviam abraçados às rosas, do meu jardim.

O meu jardim, meu amor, tem uma janela virada para o mar,

O mar, meu amor, que beijas antes de adormecer e,

Me envias em sonhos, todas as noites, debaixo das estrelas que cobrem o meu jardim.

Amanhã, não sei se tenho o meu jardim,

(porque as rosas podem não acordar) e,

A janela do meu jardim, virada para o mar,

Pode, no entanto, amanhã, também ela, não acordar.

E, e se eu não acordar, como as rosas do meu jardim?

Ai meu amor, com é bom ter um jardim,

Rosas para cheirar… e,

Os teus lábios para beijar.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha, Alijó, 03/11/2020


03.05.19

A morte.


A tempestade dos cadáveres poéticos,


Quando do espelho, ao anoitecer, a mão do poeta sufoca o próprio poeta.


O comboio alimenta a morte,


O poema,


O texto.


O corpo do poeta evapora-se nos lábios de uma rosa,


Voa,


E chora ao anoitecer.


A morte.


A fragrância das palavras deitadas sobre a mesa,


Um candeeiro a petróleo vomita lágrimas de luz,


Escrevo,


Apago o que anteriormente escrevi,


Porque não faz sentido,


Porque a morte é parva, estúpida e ignorante…


A faca,


O pescoço alicerçado à lâmina,


O frio do aço que escorrega debaixo das mangueiras,


E nos braços, junto aos pulsos, a cratera do desespero,


Sem perceber o significado do sonho!


As nuvens suspensas na madrugada,


De hoje,


De ontem…


E de amanhã.


A morte,


A sagrada morte num corpo sofrido, silenciado pela sombra…


Nos teus braços.


Adormecer.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


03/05/2019


23.04.19

As rosas são como o amor.


As de papel, claro,


Secam,


Folheio cada pétala,


E em pedacinhos de nada,


Fumo-as.


O amor arde,


Será que depois fico apaixonado?


Ou louco?


Será a loucura clonagem da saudade?


Ou será a saudade apenas o fingir que se ama…


Fico estonteante,


As rosas, em papel, depois de fumadas… enlouquecem as mãos do poeta.


A caneta de tinta permanente começa a lançar borrões sobre as palavras,


O resto das pétalas das rosas, como-as…


Como se fossem uvas,


Ou laranjas,


Ou tâmaras…


(fofam-se as tâmaras)


O amor é fumo, pedaços de cinza, morrão, papel queimado.


E no fim do dia, acabará o amor?


E se eu fumar o poema?


A cidade comer-me-á?


As rosas são como o amor.


As de papel, claro,


Secam,


Emagrecem,


E morrem.


Se as rosas morrem! O que acontecerá ao amor que é uma rosa em papel?


Os cromossomas,


As células loucas no pulmão da minha mãe…


Mas o amor… esse… vive… está lá…


Sentado sobre a mesa-de-cabeceira.


Ao lado tenho um livro de AL Berto…


Que mais poderia ser…


AL Berto.


O Pacheco é mais livro de secretária, de café,


Adoro tomar café com o Pacheco.


Sabes… puta que os pariu.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


23/04/2019


05.04.19

Das lágrimas do mar de rosas,


Nasceram os teus olhos de Primavera.


Dançam as andorinhas sobre a poeira tarde,


Como palavras brincando com o vento.


Das lágrimas do mar de rosas,


Obtenho o silêncio dos teus lábios,


Tão belos, no chão desenhados,


Na eira brinco com o papagaio de papel,


Corro, corro, corro sem parar,


E abraçar,


O teu corpo,


De silício.


Grito pelo mar,


Sempre ausente de mim,


Eu que vivi,


Sobre o mar,


Sobre o vento,


E hoje, pareço um transatlântico traumatizado pelas ondas melódicas da noite,


O profano,


O homem da paixão,


Que por engano,


Que por medo,


Diz não,


Diz não.


Das lágrimas do mar de rosas,


Nasceram os teus olhos de Primavera.


Pego na tua mão de porcelana,


Acaricio o teu rosto de cristal,


E no final da tarde,


À hora do lanche,


Ofereço-te um beijo,


Sem perceber,


Que habita em mim o Oceano teu desejo,


São os livros, meu amor,


São os livros que que alimentam a paixão.


 


Morre-se de quê?


 


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


05/04/2019


28.03.15

Não entendo os teus cabelos em cerâmica doirada


Como as andorinhas desnorteadas


Entre árvores


Entre filamentos de saudade


Sobre a cidade


Dos sonhos


Acordar


O espelho da vida


Em liberdade condicional


Espera


Caminha


A pedra ensanguentada


Das ruelas em flor


O ruído ensurdecedor dos morangos


E das plásticas cabeças de alfinete


O fato prisioneiro no guarda-fatos


O meu esqueleto


Dentro do fato


Os sapatos


As meias


E todo o resto


Em chamas junto ao rio


Não entendo o perfume dos teus lábios


O sorriso que se alicerça em ti


E me sufoca


Quando acorda a noite


E a noite me transporta


Para a carta sem remetente


Oiço-te


E não percebo porque brilham os teus cabelos


Dentro do cubo de gelo


Da paixão


Em aventuras


Entre árvores


Entre filamentos de saudade


Saudade…


Dos sítios obscuros com pulseiras de vidro


Cacos


Sílabas


Na seara do cansaço


Atrevo-me a olhar a lua


E não querendo ofender ninguém…


A lua suicida-me contra os pigmentos do prazer


Não sei


Como poderia eu saber


Se as candeias se extinguiram nas marés de prata


Os sonhos


Os sonhos acorrentados ao silêncio


O medo de amar


Não amando


E comer


Todas as pétalas da rosa embalsamada


Tão triste


Eu


Neste cubículo de lata


Sem janelas


Sem… sem nada


Como uma simples folha de papel


Desesperada


Sobre a secretária


Eu mato-a com a caneta


Escrevo palavras


Palavras


Que só o mar consegue entender


E… escrever


Nos meus braços


Dentro de mim há buracos negros


E as equações da relatividade


Sós


Entranhando-se no camafeu alicerce do sofrimento


Como eu sabia


Antes de a madrugada bater-me à porta


Olá bom dia


Meu amor…


Hoje não


Volte para a semana


Não


Não quero comprar nada


Hoje


Porque sinto a solidão


Nos arrozais


E nos pássaros


Que os homens constroem


Enquanto o poeta morre…


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sábado, 28 de Março de 2015


09.06.14

As tuas mãos são pétalas de rosa,


não de uma rosa qualquer,


têm coração de prata,


sabem a palavras acabadas de escrever,


uma rosa, uma sombra, e pedaços de luar,


pétalas de silêncio mergulhadas nos meus lábios,


desejos de amar,


amar... as tuas mãos, as pétalas... sem esquecer o teu olhar,


 


As tuas mãos são frágeis,


como jarras de porcelana onde adormecem as rosas que têm pétalas com perfume de madrugada,


amo-as, amo-as sem o saber,


às tuas mãos, entrego o meu corpo cansado, o meu corpo de estanho...


o meu corpo envenenado pela solidão,


o meu corpo envenenado pelo teu sorriso de amanhecer,


 


(oiço-as no meu peito, os gritos teus, e os solstícios suicidados)


 


As tuas mãos... as tuas mãos me encantam,


são sons melódicos que se abraçam a nuvens poéticas,


frágeis,


macias,


tão finíssimas... Meu Deus, que tenho medo de lhes tocar!


que tenho medo que me toques, e se evaporem na neblina de Belém,


 


(oiço-as, oiço-as e tenho-lhes medo)


 


Podem quebrar,


podem morrer,


… podem se apaixonar,


 


As tuas mãos são pétalas de rosa,


são mimos,


são... são néons perpendiculares deambulando na cidade,


as tuas mãos, ai... ai as tuas mãos de felicidade,


quando imaginam círculos de areia em busca de uma gaivota revoltada,


elas te olham, e elas ficam encantadas...


com as tuas mãos, com as pétalas das tuas mãos,


rosas, rosas castigadas.


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Segunda-feira, 9 de Junho de 2014


17.05.14

vendem-se falsos sorrisos


conquistam-se corações de espuma


que se embrulham em impregnados livros com sabor a solidão


escrevem-se falsas palavras


no corpo da insónia


 


desenham-se círculos nos seios da madrugada


choram as meninas do amanhecer


há rosas envenenadas


há rosas com vontade de morrer...


vendem-se falsos rios e falsas caravelas


 


vendem-se cidades de vidro


com ruas de porcelana


e corpos de nada


e corpos... e corpos de néon marinheiro


nos seios da madrugada.


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sábado, 17 de Maio de 2014


26.04.14

as rosas tuas mãos em decomposição


sinto-lhes o perfume de palavras em construção


o poema evapora-se no corpo nu da madrugada


dizem-me que deixaste de olhar o amanhecer


que... hoje és apenas uma árvore


sem folhas


sem... as rosas tuas mãos em decomposição


esperando que venha o rio e com ele o silêncio das lágrimas embainhadas no Luar.


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sábado, 26 de Abril de 2014


29.12.13



foto de: A&M ART and Photos


 


um pequeno silêncio de espuma verde envolvia o teu corpo


a nuvem do desejo acordava lentamente nos teus olhos


havia um pequeno holofote a que chamavam de solidão...


e permanentemente em suspenso... começava a desaparecer do céu tua mão


o medo vestia-se com a roupa tua da noite anterior


trazias na algibeira pequenos sons melódicos e papeis poéticos


que decidimos lançar na fogueira da lareira da insónia


abrimos a janela da noite


e a noite recebeu-nos como se fossemos dois pássaros moribundos


cansados de voar


o teu corpo mergulhava no meu


e um líquido esponjoso ressaltava contra os vidros tristes da madrugada


queria ser como tu


uma rosa sem destino


sem nome


apenas numa palavra...


apenas


e só


uma letra prisioneira no teu cabelo castanho...


tínhamos o luar e as estrelas convexas do céu da inocência


e as lágrimas da tarde junto ao rio


deixaram de correr no teu rosto de roseira brava


agarravas-me com os teus dentes de marfim


e sentia no meu peito as tuas garras de mpingo solitárias das ruas da cidade dos morcegos


e tão triste


o apego


o sossego


o desemprego...


e só


tão só


que suicidou-se ao primeiro segundo de acordar a luz triangular do sorriso...


desgovernado


embriagado...


apenas


e só...


ele... o coitado... um pequeno silêncio de espuma verde envolvido no teu corpo.


 


 


(não revisto)


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 29 de Dezembro de 2013


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