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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


26.09.23

Eu aqui

Sentado

Preocupado com a vidinha

… e milhões de crianças

MORREM

Eu aqui sentado

Fumando

Bebendo

Bebendo o que fumo

E fumando o que bebo

O que não bebo

E o que já bebi

Escrevendo merdas

Lendo merdas de engenharia

E chateado

Quase em combustão

Eu aqui

Sentado

… e milhões de crianças

MORREM

Como se fossem um apagão

 

Uma fogueira em desordem

Um Deus que olha milhões de crianças que…

MORREM

E ele

Feliz

Como eu

Fumando

Bebendo

Bebendo o que fuma

E fumando o que bebe

O que não bebe

E o que já bebeu

Coitado de Deus

Coitado

Está velho

Como eu

 

Eu aqui

Sentado

Escrevendo de perna cruzada

Fumando

Bebendo

Olhando pela janela

E nada

Ninguém

Um tremor de terra

Ou uma explosão

Puro silêncio

Virgem

Como a lã

 

Aqui eu

Cá estou eu

Sentado

Escrevendo

Bebendo

Fumando…

… e milhões de crianças

MORREM

Desaparecem como mortalhas em dias de neblina

 

Sentado

Eu aqui

Por aí

Porque sim

Escrevendo

Lendo

Bebendo

E fumando

As palavras

Depois as letras

E finalmente

Enrolo toda a pontuação

E vou-me

Vou-me para S. Martinho do porto

Com a minha amada

 

Eu aqui

Sentado

Preocupado com a vidinha

… e milhões de crianças

MORREM

Eu aqui sentado

Fumando

Bebendo

Bebendo o que fumo

E fumando o que bebo

O que não bebo

E o que já bebi

E de todas as coisas visíveis e invisíveis

Ele acorda

Abre os olhos

Olha-me…

- Foda-se

Escrevendo

Pintando

Fumando

Desenhando o que pinto

Às vezes

Pintando o que bebo

E bebo

Tudo aquilo que escrevi…

(É com cada moca)

Coitado

Coitado dele

Está velho

A ficar doido

Sem cabelo

Coitado de Deus

Coitado

 

Preocupados com a vidinha

… e milhões de crianças

MORREM

 

 

26/09/2023


17.01.23

Sem Título.jpg

Nada tenho contra os animais, pelo contrário; adoro-os.

Mas começo a ver uma sociedade mais preocupada com o cão e com o gato de que, em alguns casos, com os filhos ou com os pais.

Conheço alguns casos. Deixam as crianças na escola, como se esta fosse um depósito de coisas, e depois o professor que se amanhe, deixam os pais no lar, e quase não os visitam…

E depois vão para o jardim passear o seu animal de estimação.

Vão almoçar ou jantar ao restaurante, dão o telemóvel aos filhos para estarem entretidos e caladinhos, e ao colo, têm o cão e o gato.

E eu pergunto se não seria melhor, em vez de adoptarem um cão ou um gato, adoptarem uma criança, num país com tantas crianças em lista de espera nas nossas instituições de solidariedade social

E há tantas crianças com fome, não de pão, mas de amor.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha


08.01.23

É pena que o Município de Alijó não tenha ideias para apoiar os artistas locais.

Um Município desprovido de ideias, sem projectos para o apoio aos artistas locais que são muitos.

Ontem, um grupo de amigos (o colectivo da cigarra) organizou um pequeno mercado de Reis, que foi o começo de muitas coisas; lamento que esta iniciativa não tenha sido organizada pelo Município de Alijó e porque não fazer esta iniciativa uma ou duas vezes por mês?

Porque Alijó não é só vinhos e caça.

Alijó é muito mais de que isso.

 

Francisco Luís Fontinha


09.02.22

Avança mar adentro

Vestido de Dragão,

Não o mereço,

A tempestade e o vento,

Não o mereço,

Cada pedacinho do teu coração,

Cada momento.

Avança mar adentro

Vestido de gaivota,

Não o mereço,

Palavras e tempo,

Não o mereço,

Tantos círculos à minha volta,

Tantos círculos em lamento.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 09/02/2022


30.10.21

Tínhamos na mão

O silêncio dos pássaros adormecidos,

Sentiam a fome no coração,

O coração dos poemas perdidos.

 

Eram palavras que se semeavam na tempestade,

Enquanto no mar,

Havia barcos com saudade,

Na saudade de abraçar.

 

Tínhamos beijos em pedacinho adormecer,

Tínhamos barcos em revolta,

Tínhamos palavras para escrever,

 

Palavras sem nome.

Palavras que andavam à volta,

À volta da fome.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 30/10/2021


10.12.15

Este apeadeiro sem telhado


Sofrido nas frestas e nas ripas e nos pregos


A farsa de um comboio vomitando na noite escura


Palavras


Apitos


E homens de chapéu negro


Inventam uma revolução


Eles gritam


“queremos pão”


Não é crime pedir pão


Não é crime ler com um pão na mão


Crime é sentir a liberdade


Sentada


Numa jaula com grandes de cartão…


Crime é não ter a liberdade desejada.


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


quinta-feira, 10 de Dezembro de 2015


29.11.14

A astronomia loucura do profeta


as paredes encarceradas do guerreiro desconhecido


à força e pela força


o cansaço espaço de luz nos confins rochedos da melancolia


a astronomia


embriagada pelos momentos sem pressa


numa carta de despedida


sem palavras


ou... ou remetente


uma aventura na escuridão da cama do sonambulismo


os cigarros absorvidos pela morte do fumo colorido...


e um caixão de espuma poisado nos alicerces da canção de revolta


 


cessem este destino


e o silêncio


da atmosfera encarnada em comestíveis soluços de desejo


a astronomia loucura do profeta


sentado em frente ao espelho da agonia


sem sentido


sem... sem melodia


antes de acordar o dia


 


o vento sofrido


o corpo mordido pelos meus dedos


o odor embalsamado do prazer


em finíssimos gemidos


e uivos...


e no entanto


não existem ruas na minha mão


casas


flores


nada


apenas... um rio adormecido numa fotografia


e um Domingo desorganizado e despido...


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sábado, 29 de Novembro de 2014

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