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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


08.07.23

Sebastião, o grande louco,

Filho de um louco,

Acreditava,

Acreditava que dentro da insónia

Habitam todas as estrelas mortas,

 

Sebastião não sabia,

Porque era louco,

Um pouco, às vezes de muito pouco…

Sebastião não sabia que as estrelas mortas

São desejos não realizados,

 

Sebastião não sabia,

E sofria,

Sebastião não sabia,

Por exemplo,

Que o cume de uma montanha…

Em poucos minutos…

Transforma-se numa planície,

Tanta coisa, tanta coisa que o Sebastião não sabia…

 

E não sabia,

Porque o Sebastião era um pouco,

Touco,

Pigmeu dançante…

Louco de profissão…

E Tolo em Doutoramento,

 

Sebastião era Tolo,

De pouca inteligência,

Segundo o dicionário “Priberam” …

Mas o que Sebastião não sabia,

Coitado do Sebastião…

Não sabia a raiz quadrada de trinta e seis…

E desconfiava dos números do Euromilhões.

 

 

 

08/07/2023

Francisco


08.04.14

Percebo que as equações do meu corpo não têm resolução,


sou um aglomerado de números complexos, integrais duplas e triplas, habitam nos meus braços,


percebo que tenho um sorriso em granito, e sei que nas quadrículas do meu peito...


suspendem-se as infinitas cordas paralelas do nylon madrugada,


um imbecil programado, um corpo onde se misturam os algoritmos de Fortran e as raízes quadradas do obscuro olhar, sem sentido, único, proibido estacionar o meu corpo em cima do passeio da solidão,


cruzo os braços,


e pergunto-me...


o que faz o poema sem nome dentro do silêncio amanhecer?


sem prazer,


a vida é um fluído em escoamento permanente...


em direcção ao mar,


em construção... como corpos geométricos procurando amor nas flores triangulares...


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Terça-feira, 8 de Março de 2014


25.01.13

Incompletas todas as manhãs da tua ausência


e sei que o teu perfume brinca no roseiral


esperando pacientemente que acorde um fio raio de sol,


 


Incompletas todas as lágrimas


recheadas com mel e madrugada


salgada,


 


Incompletas as tuas dóceis mãos de Primavera


que descem imaginariamente pelas ranhuras do meu corpo embaciado


pelas lanternas da inventada paixão,


 


Incompletas


as plantas e os pássaros e os lábios da noite vestida de insónia


incompletas as brincadeiras desenhadas numa ardósia


por duas crianças apaixonadas


e incompletas vaidades


entre as paredes cansadas


os livros coxos


mochos


castanheiros cavernais que as tardes construíam no bairro do hospital


chovia e o vento escrevia amor numa seara de trigo


chovia sempre que alguém invocava a dita palavra


que a húmida terra escondeu das incompletas manhãs da tua ausência,


 


Aglutinavam-se as incessantes veredas lilases dos pilares de orvalho


escrevia-se amor com o espeto de aço inoxidável


e enrolávamos o volante de borracha no pescoço saudável,


 


Libertos dos cigarros libertos das drogas libertos do álcool


percebíamos que as incompletas manhãs no roseiral


eram plumas viscosas dentro de uma jarra de zinco,


 


Os telhados verdejantes das malditas ressacas sem corações apaixonados


os velhos e os novos e os defuntos moribundos


dentro de quatro paredes


sentados no chão


a extraírem a raiz quadrada de 3 865 156.


 


(não revisto)


@Francisco Luís Fontinha

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