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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


01.07.23

Era a noite mais bela

De todas as belas

Belas noites

De

Primavera,

Que se escondiam na floresta,

Um dia,

Um dia vestiu-se de dia,

Saiu à rua…

E percebeu que não queria ser mais dia…

Que desejava voltar a ser noite,

A mais bela noite

De

Primavera,

Que se escondia na floresta.

 

Era a noite mais bela,

De todas as belas noites…

Quando as noites ainda transportavam na algibeira

Um pedacinho de silêncio

E uma pedra cinzenta,

A mais bela pedra cinzenta…

De todas as pedras cinzentas que se escondiam na floresta…

Pertinho da aldeia.

 

Era a noite,

Era a noite mais bela

De todas as belas noites que se escondiam na floresta…

Um dia,

Um dia percebeu…

Que o dia apenas é dia,

Porque alguém o apelidou de dia,

Se o tivessem baptizado de noite,

Hoje o dia,

Era a noite…

A noite mais bela

De todas as noites de Primavera

Que se escondiam na floresta…

 

 

 

01/07/2023

Francisco


28.06.23

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Tudo arde

Tudo arde dentro deste pedaço de nada

E no entanto

Desenho o fogo na minha mão…

Tudo arde

Tudo…

 

Tudo arde

E apenas o silêncio dorme…

Nada mais consegue dormir dentro de mim…

Os meus poemas suicidam-se ao nascer do dia

Os meus desenhos…

Esses…

Morrem envenenados pela luz das estrelas

 

E desta fogueira…

Apenas encontro as cinzas que a lua lançou ao mar

Numa triste manhã de Primavera…

Tudo arde

Tudo arde dentro deste pedaço de nada

E é tão lindo o fogo…

O fogo que consome a madrugada.

 

 

 

28/06/2203


03.06.23

Com este pedaço de carvão desenho nesta folha em papel que a vida me deixou, o poema que habita dentro de mim, não

Não são as equações dos momentos nem tão pouco as equações das tensões, aos poucos, de pequenos riscos, como gotinhas de água em direcção ao mar, crescem e nascem coisas, coisas minhas, coisas que me pertencem…, coisas que andam comigo.

Com este pedaço de cartão, enquanto a música dos Rolling Stones se masturba contra esta pilha de livros sobre mecânica estrutural e vigas e janelas viras para o mar,

Abro-a,

Abro a janela e…

E nada,

O mar não está lá.

E comprei-a como se dela visse o mar…

Mas não vejo,

Vigaristas.

Com este pedaço de carvão, desenho o mar, desenho o mar onde se escondem as estrelas, do mar onde vejo o meu cadáver a ler os poemas de AL Berto, do mar, daquele mar onde escondi o pedacinho de carvão, que sobejou do teu corpo,

Neste pedaço de papel, sem perceber que lá fora morrem crianças, morrem os pais das crianças, morrem as palavras e morrem as estrelas,

Do nada,

Até à glória,

E diziam que morreria cedo, tal e coisas, tal e nada,

Um pequeno sorriso,

Acorda,

Nesta pequena folha em papel,

E deste sorriso,

O silêncio em forma de geada,

Encolhido na minha mão…

Com este pedaço de carvão escrevo a madrugada, o poema invisível dos teus olhos de chuva domingueira, e mesmo sabendo que esta merda vai colapsar,

Acredito,

Muito,

Que um dia,

Qualquer dia,

O vento me abraçará como abraçou a Primavera, neste pedaço de carvão, desta folha triste e só, da noite às lágrimas,

E em poucos segundos,

Chão, a menina viga aleijou-se?

Não, sou parvalhão…

Claro que não.

E escrevo, e desenho, e penso…

 

 

 

 

Francisco

03/06/2023


31.05.23

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Aos teus olhos

Ofereço esta madrugada de engano,

Nos teus olhos

Caem as palavras de luz,

Nos teus olhos habita a Primavera sem destino,

Nas mãos do menino,

Dos teus olhos…

Nos olhos do mar.

 

Aos teus olhos

Lanço as estrelas

E as galáxias…

Dos teus olhos,

O silêncio mar,

Do mar que ama,

No mar que deseja…

Os teus olhos.

 

 

 

Luís

31/05/2023


27.05.23

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Se o vento soubesse

Não te levava

Se o vento gostasse de mim

Não te deixava

Se o vento soubesse

Não dizia à chuva

Que a Primavera vai regressar

 

Para que eu quero a Primavera

Se as andorinhas morrem de silêncio

E as flores

À minha passagem

Desmaiam

Ficam negras

Sem voz

 

Se o vento soubesse

Não me dizia que a Primavera vai regressar

E com ela

As árvores ficam tão tristes

Com flor

Com fruto

Se o vento soubesse

Não me dizia que a Primavera vai regressar

 

Se o vento soubesse

Não me dava palavras para escrever…

Nem a Primavera

E as flores ficam lindas

E os pássaros apaixonados

Mas eu detesto as flores

E detesto os pássaros

 

Se o vento soubesse

Desenhava na tua lápide a Primavera

Com flores prateadas

Com sorrisos de doce madrugada

Se o vento soubesse

Abraçava-me

E me levava

E me dizia

Que o vento

Nada sabe

Sem saber…

 

Se o vento soubesse…

Não me trazia a Primavera

Nem as flores

Nem os pássaros

Porque já avisei o vento

Que não quero nada

Mas o vento é teimoso

E traz-me a Primavera

E a madrugada

E se o vento soubesse

E se o vento quisesse

Nada

Como eu…

 

 

 

Francisco

27/05/2023


16.04.23

São as cerejas

Meu amor…

São as cerejas os olhos da Primavera,

São as cerejas meu amor,

São de cereja os teus olhos de mar…

Dos teus olhos em Primavera.

 

São em cereja

No encarnado desejo

São em cereja meu amor

O teu beijo

São de cereja meu amor…

Os teus lábios em cereja.

 

São as cerejas

Meu amor…

São as cerejas os olhos da Primavera,

Dos teus lábios em mel,

Dos teus lábios em cereja…

Meu amor de cereja.

 

 

Francisco

16/04/2023


13.04.23

Procuro dentro deste sono adocicado

Com silêncio de uísque

E perfume de incenso

Os teus doces lábios de mar

Das marés junto aos rochedos.

 

Das barcaças que partem

E levam os corações partidos

Pedaços de açúcar

Pedacinhos de néon

Que dorme na cidade.

 

Desta velha cidade

Desta cidade envidraçada

Com espelhos e montras iluminadas

E do teu corpo

As minhas mãos acorrentam-se ao teu ventre.

 

Procuro nesta cidade

O doce sono salgado

Dos teus doces lábios de mel

A fina areia do Mussulo…

Quando um menino se despede do dia.

 

Procuro

Dentro

De ti

Procuro nas tuas coxas…

O silêncio da Primavera e o suspiro das árvores.

 

 

 

Alijó, 13/04/2023

Francisco Luís Fontinha

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