Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


30.11.11

Procuro trabalho em qualquer área, zona do país ou estrangeiro.


 


Dados Pessoais:


- Estado Civil: Solteiro;


- Nacionalidade: Portuguesa;


- Idade: 45 anos;


- Naturalidade: Luanda/Angola;


- Carta de Condução;


 


Formação:


1989/1990 – Técnico de Desenho de Construção Civil; CICOPN


Curso de Formação Profissional


 


Habilitações Literárias:


- 12º Ano de Escolaridade, 1º curso via de ensino;


- Frequência Universitária (Engenharia Mecânica);


- Acção de Formação Teórico-Prático ao Método dos Elementos Finitos;


- Curso de Iniciação ao Matlab;


 


Experiência Profissional:


- 1990- 2000 – Desenhador de Construção Civil (AutoCad):


- 2001-2004 – Empregado de Escritório (António Luís Magalhães & Sobrinhos, LDA);


- 2004-2010 – Desenhador de Construção Civil;


 


Experiência Profissional Adicional:


- Conhecimentos de Cálculo de Estruturas (Programa Cype);


- Conhecimentos do Programa de Elementos Finitos (Ansys);


- Conhecimentos de Fortran;


- Experiência em hardware;


 


e-mail: fontinha_francisco@sapo.pt


17.08.11

Chamava ao silêncio noite, e à noite desassossego, apelidava o dia de tristeza, e quando acordava, antes de abrir os olhinhos, cruzava os braços sobre o peito, sacudia as pernas das migalhas do sono, e gritava,


 


- Estou vivo,


 


E tem dias que lhe apetece dizer Porra, hoje estou morto!, e alguém descobre que é o contrário de estar vivo, que ele pensa que não, e eu, o autor deste texto, igualmente que não, estar morto não é o contrário de estar vivo,


 


- Porra, hoje estou morto!,


 


E pode ter a certeza que já vi com estes olhos que um dia a terra vai comer mortos com aspeto de vivos e vivos, ai senhor, vivos que mais pareciam mortos,


 


Mas deixamos os mortos e os vivos e vamos às coxas do mar quando ao fim da tarde os barcos preparados para aportar, e as coxas silenciam-se como alicates a torcerem os ponteiros do relógio, ele de mangas arregaçadas e cachimbo na boca e em sinais de fumo, e do outro lado do rio, a prostituta marreca que via o dia chegar ao fim com meia dúzia de moedas na bolsinha, e feitas as contas nem dá para comer, ao preço que o peixe é pago na lota, queixava-se o Ernesto enquanto esperava pelas autorizações necessárias para a respetiva ancoragem e descarga,


 


- Porra, hoje estou morto!, e o António em resposta ao Ernesto É como no Douro, qualquer dia temos de dar as uvas de borla,


 


E vamos à tasca e pagamos bem caro o vinho, e vamos ao restaurante e pagamos bem caro o peixe, a prostituta marreca a revindicar  enquanto aguardava pelo sinal de Stop da pensão e autorização para subir até às águas-furtadas subsidiadas pela EU,


 


- E o que faz falta neste País (Portugal) são mabecos para morderem os tornozelos às sombras que vagueiam pelas esquinas e avenidas e coxas de mar e a puta que os pariu, e juro, senhor, juro que estive para perguntar à prostituta marreca a razão de estar tão zangada e querer mabecos, veja senhor, mabecos a pingar tornozelos, mas sabe, não tive coragem,


 


Chamava ao silêncio noite, e à noite desassossego, apelidava o dia de tristeza, e quando acordava, antes de abrir os olhinhos, cruzava os braços sobre o peito, sacudia as pernas das migalhas do sono, e gritava,


 


E uma outra voz nessa manhã gritou; Morreu o tio Ernesto…


06.08.11

Sabes, meu amor, não existe manhã,


As flores são feias,


E a noite não tem encantos,


E não adianta escrever que te amo…


Se eu nem consigo alcançar o Pinhão,


Quanto mais, meu amor, chegar à lua onde habitas,


Três longos dias de viagem,


O pesado capacete na cabeça,


O fato que me faz comichão e alergias…


E depois os enjoos,


E a falta de cigarros,


Sabes, meu amor, também não existem pássaros,


 


O Tejo é mentira,


E Belém,


Ai Belém, meu amor, Belém morreu dentro de mim,


E olha-me de uma lápide disfarçada de cacilheiro,


 


Mas retomando à viagem até ti, meu amor,


A lua, meu amor, a lua onde habitas é linda,


E à noite peço-lhe que desça,


Devagarinho, e me entre pela janela,


Que te dispas e te deites sobre mim,


Sim meu amor, esquecemos o fato e o capacete,


E os enjoos, sim e os enjoos,


E te abraces ao meu corpo de terra húmida de Luanda,


 


Sabes, meu amor, sei que estou vivo,


Sei que estou vivo quando oiço a tua voz amarrotada na noite,


- Francisco, OLÁ!,


E olho o céu e não encontro a lua,


 


É tudo mentira, meu amor,


O céu é mentira,


O sol, meu mar, é mentira,


E sabes, meu amor, durante a noite a tua mão visita-me,


 


E nos teus lábios sinto a espuma do mar,


O orvalho misturado no cacimbo,


E meu amor, é tudo tão estranho,


Sabes, meu amor,


Muitas vezes não sei se estou em Portugal ou em Angola,


E depois sei onde estou,


Abro a mão nos silêncios do teu cabelo


E meu amor, nenhum papagaio de papel para eu brincar…


28.07.11

Tentei de tudo


E não consigo


Descalcei-me no rio


E galguei socalcos


 


Subi montanhas


Desci ao inferno


Escondi-me nas sombras


E aterrei no xisto em migalhas


 


Tentei de tudo


Fiz peito ao vento


Atirei pedras às estrelas


E nas nuvens adormeci


 


Tentei de tudo


Mas o meu corpo de barco enferrujado


Teima em ancorar-se na esquina da rua


À espera que uma alma bondosa de sucateiro


 


O venha desmantelar…


Tentei de tudo


Senhores vejam só


Até rastejar pelo chão fui capaz


 


E afinal não adianta tentar


Não vale a pena lutar


Tentei de tudo


E para quê?


 


Escreves bem, dizem alguns…


És inteligente, dizem outras...


Aos primeiros que metam a escrita cu acima


E às segundas que introduzam a inteligência na vagina


 


Se não és filho de pai rico


Se não lambes botas


Ou se não tens cartão do PS ou PSD


Estás completamente fodido…


 


E acredita


A cultura é uma merda que não serve para nada


O homem quer-se inculto


A cuspir no chão e a dizer palavrão…

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2023
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2012
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2011
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub