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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


20.10.13



foto de: A&M ART and Photos


 


Preciso dos teus beijos,


Dizes-me tu,


E não percebes, e não entendes, e


Nunca tive beijos para dar, que nunca tive beijos para oferecer, vender... que sou um imbecil desgovernado caminhando sobre os carris da solidão, não percebo, não entendo, como tu


Para que precisamos de beijos?


Tudo à minha volta estremece, a imagem do meu portátil enlouqueceu, treme... treme como varas verdes depois do vento entrar pela janela, treme como tu, quando ouves, ou ouvias, ou sei lá o quê


A minha voz?


A tua voz parece um esconderijo em papel, as vogais mal pronunciadas, as sílabas amedrontadas com os meus olhos escondem-se nas clandestinas palavras que um muro da cidade acolhe como quem acolhe o mendigo do rés-do-chão


Oiço-os


(Nunca tivemos sorte nenhuma)


Oiço-os balançar como esqueletos de vidro pendurados nas árvores com cavernas de granito e as vozes que se entranham nas algibeiras da ganga gasta e desgasta nas Primaveras em construção são-o e talvez não o pareçam


(Orgasmos sonolentos de velhos recheados com artroses e reumático)


Preciso dos teus beijos,


Dizes-me tu,


E não percebes, e não entendes, e desconheces que em mim nada de bom existe, sou uma nuvem pintada com tinta acrílica negra, esponjoso o meu coro absorve todas as lágrimas dos jardins sem capitão, ao leme um vulto que todos apelidam de O Senhor Das Montanhas Do Sol Adormecido, e assim vamos correndo entre o aço paralelo, e assim vamos


Vivendo?


Diz-me tu, se isto é vida? Os veados encurralados nas ardósias da tarde, começam a voar e daqui a nada estão novamente junto dos alegres dias com chuva e uma lareira na sala de estar a derreter livros, palavras e afins...


Vivendo, como?


Diz-me tu como é o outro lado da muralha, se há árvores, pássaros, se há rios e gaivotas e barcos e ilhas e mulheres bonitas


Gajas?


Diz-me tu porque tombaram os versos das crateras de centeio nos campos de Carvalhais? E oiço-os como se eles estivem à minha frente


Quem são eles?


Voilá... POP DEL ARTE... e voláteis pasteis de Belém nas catacumbas da solidão adormecem como cadáveres de silicone,


(o rabo, as mamas, a cabeça... a massa encefálica... tudo é em silicone... e coitadas)


Dançam como ventoinhas na pinta de dança, as meninas não pagam...


Mas... Também não bebem,


Voilá... Le POP DEL ARTE, e La Maisom quiçá, também ela em


Silicone?


Não aguento mais estes carris em aço, sempre paralelos, sempre abraçados, sempre...


Diz-me tu como é o outro lado da muralha, se há árvores, pássaros, se há rios e gaivotas e barcos e ilhas e mulheres bonitas


Gajas?


Bonitas, moças donzelas, meninas e meninos... O CIRCO TERMINOU...


 


(não revisto – ficção)


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 20 de Outubro de 2013



18.10.13



foto de: A&M ART and Photos


 


dos lençóis da tristeza oiço os murmúrios que o cansaço deixa em mim


como conchas de sono pregadas na parede do desejo


o espelho que absorve os teus olhos é duplicado em migalhas de prata


e submergem


e suicidam-se


e não percebes que as entradas no silêncio o são proibidas


… inacessíveis


tristes


as nuvens castanhas com sabor a solução de luminol...


tangencias rectas crucificadas em ângulos trigonometricamente invisíveis


absortas


húmidas


 


queria ser uma sombra em granito


rompendo os soluços da noite


queria ser volátil


flor artificial junto à tua lápide


queria ser o túnel de vento


o buraco de minhoca


a teoria do caos...


a borboleta batendo as asas


e lá longe


os teus seios cintilando como avelãs


nozes


e fotografias envenenadas pelas lâmpadas de mármore


 


(não não tenho sorte nenhuma)


 


os triângulos da tua voz


são como grãos de areia mergulhados em sílabas melódicas


há conversas parvas entre copos de cerveja e perfume de vodka que um marinheiro Russo esqueceu na algibeira de um cargueiro com contentores de insónia


tenho medo de te encontrar e não entender o amanhecer que vive em ti


tenho medo do medo


medo de te amar e não saber que te amo


se é apenas amizade


vergonha de viver


ou... palavras apenas palavras sobejadas sobre a mesa da cozinha


dos lençóis da tristeza oiço os murmúrios que o cansaço deixa em mim


como conchas de sono pregadas na parede do desejo


 


 


(P.S. Amo os Pop Del Arte... como se eu fosse uma munição de areia e me entranhasse nos cobertores frios do teu corpo de solstício louco, lá fora chove, e eu quase que quero desaparecer sobre as árvores inconstantes da tua garganta, grito o teu nome, não percebem que existe um vagabundo igual a mim, que sofre, que ama, que vive fingindo viver... )





(não revisto)


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sexta-feira, 18 de Outubro de 2013



19.06.13



foto; A&M ART and Photos


 


Via a terra desaparecer dos meus olhos, sentia-a em pedaços de vapor a todo o comprimento do meu corpo, e pensei


É o fim, o eterno fim,


As nuvens tristes, prontas a comerem-me, saborearem-se com a minha carne em cadáver, como o fazem os abutres (aves e humanos), das poucas gotas de chuvas que sobejavam dos lobos dispersos pela montanha, ainda coberta pela neve do Inverno, havia um que me chamou à atenção, e de tão distraído que sou, só depois de o observar, uma, duas, três... talvez quatro vezes, percebi que ele trazia na lapela uma folha de papel com um desenho ilegível, perguntei-lhe


Querido lobo, que desenho é esse?


Cerra os olhos, finge que eu sou uma pedra, um arbusto ou pior, que eu não existo, deu meia volta e desapareceu entre os outros companheiros, como quem foge do silêncio quando as palavras apenas servem para interromperem a noite, desviarem todas as estrelas dos espelhos côncavos das cidades sem rios, e


Querido lobo, que desenho é esse?


Se possível, mesmo antes de acordar a manhã, fazer com que todas as lâmpadas da cidade se apaguem, como os corpos putrefacto, dentro de um congelador gigante, numa qualquer morgue, onde existe sempre uma flor não identificada, à espera, que desespera a chegada de um abutre, e assim, aliviar todo o sofrimento dos corpos sem cabeça, sem braços, sem leme que seja possível prosseguir viagem,


Há uma lenda que alimenta desde os primórdios os mosquitos de asa tricolor, e sobre o fino prato de sopa, infelizmente, apenas só, em permanente solidão, que como o corpo putrefacto, espera e desespera pela chegada..., neste caso da dita sopa, não do abutre (ave ou homem), apetecia-me ouvir POP DEL ARTE, e como teimoso que ele é


Acredito,


Acreditar, porque não? Até prova em contrário, todo o réu é inocente, como assim?


Acredito, eu acredito,


E como teimoso que ele é, acredito que passe o resto da noite a ouvir POP DEL ARTE, depois, depois pegará num livro de poemas de AL Berto, entre um poema ou três no máximo, deliciar-se-á como um pássaro a atravessar o Oceano, lê os poemas, ouve a música, adormece suavemente como


“Vi a terra desaparecer dos meus olhos, sentia-a em pedaços de vapor a todo o comprimento do meu corpo, e pensei


É o fim, o eterno fim,”


Como se tudo em si fosse um misero sono dentro da cabeça de um mosquito com asas tricolores, dentro de um prato de sopa, sem sopa, como à janela da solidão, e o desgraçado do lobo, até hoje, nunca me saciou a curiosidade e me contou o significado do desenho ilegível que trazia na lapela...


É o fim?


Eu, acredito, acredito que não..., vi a terra desaparecer dos meus olhos, sentia-a em pedaços de vapor a todo o comprimento do meu corpo, e pensei


Vi o céu a desaparecer, e pensei


Vi, e pensei...


Hoje, POP DEL ARTE e AL Berto, porque não? Acreditar...


 


(não revisto)


@Francisco Luís Fontinha


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