Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


03.12.22

Esta espada apontada ao peito

Este peito refém de um cigarro

Está triste

E cansado

Que terei eu no meu peito?

 

Um coração envenenando

Ou

Um coração em papel

Onde escrevo

E desenho as primeiras lágrimas da amanhã,

 

E esta espada

Qual a Nacionalidade desta espada?

 

Uma espada apontada ao peito

E o meu peito

Ofegante

Em silêncio,

 

E no silêncio

O meu peito refém de uma espada

Morre

Lentamente

No sorriso da alvorada,

 

Uma espada

No peito

Este coração

Em papel

Em cartão,

 

No peito uma espada

Uma espada de sombra

Como o teu nome

Quando brinca

Quando brinca na sanzala da saudade,

 

Tenho uma espadada apontada ao peito

Uma espada sem nada

Uma espada

Uma espada triste e cansada,

 

Uma espada em liberdade.

 

 

 

 

 

Alijó, 03/12/2022

Francisco Luís Fontinha


27.10.22

Deste meu pequeno cubículo de sono

Enquanto o meu relógio adormece

Nos lábios das manhãs em desespero

Na algibeira procuro os cacilheiros

Que se abraçavam ao meu peito

 

Frio e escuro

Quando a âncora da saudade

Se despedia de mim

E voava como voavam as gaivotas

Na terra de ninguém

 

Poisava as mãos nas pobres águas

Onde habitavam as flores e as árvores e todos os pássaros

E sabia que lá longe

Uma ponte metálica me transportava

Para os teus braços

 

Enquanto das lágrimas do silêncio

Um fio de espuma

Levitava no teu cabelo amargurado

E eu sabia que quando regressasse a noite

A maré de sémen em pequenos gracejos

 

Se escondia na sombra da madrugada

Quando vento das palavras

Adivinhava sempre

Quando aquele cacilheiro

Vinha ao meu peito

 

 

 

 

Alijó, 27/10/2022

Francisco Luís Fontinha


12.10.12

Pela pequeníssima fissura do meu peito


entra sorrateiramente o sol


e os pássaros da madrugada,


 


oiço-lhes os uivos rangidos da geada


caindo a noite sobre os cobertores da insónia


deixo de sonhar


e começo a ver desenfreadamente os soluços das palavras


em constante borbulhar de solidão


que os beijos constroem sobre as nuvens do mar,


 


descem dos teus doces lábios de desejo


as cancelas da dor embrulhadas em papel de incenso


e mirra


oiro


na mão vazia de um barco clandestino


moribundo


e oiro


às vezes quando do cansaço acordam os gritos dos homens embalsamados,


 


os meninos


deles


coitados


à janela do ciume.


 


(poema não revisto)


30.05.11

A rua em movimento


Nas pessoas silêncios pendurados nos lábios


Tosse convulsa emerge da boca de uma árvore


E parvo eu


 


Que ainda acredito que o mar vem até mim


Acredito que da maré vão crescer desejos


Abraços no fim de tarde


E parvo eu


 


Tão parvo


Junto ao cais à espera de embarque


E parvo eu


Pedindo às gaivotas que os ponteiros do relógio cessem


 


Diminuam na claridade dos lençóis amarrotados


Quando a minha cama se recusa a adormecer o meu corpo


Quando no meu quarto as gaivotas


Poisam no meu peito


 


E do meu corpo acorda o cheiro a cadáver


A pó que o mar quer engolir


E parvo eu


Tão parvo


 


Indiferente à rua em movimento


Nas pessoas silêncios pendurados nos lábios


Das pessoas passos de monstro


Nas pessoas… sorrisos devastados.


 


 


Luís Fontinha


30 de Maio de 2011


Alijó


30.04.11

Cresce-me no peito um peso imensurável


Trazido pelo fim de tarde


Cresce-me no peito o cansaço da solidão


Num campo de malmequeres


 


Corre um rio na minha mão


Que desagua no meu peito


Apertado pela dor


Espremido pela chuva


 


E corre apressadamente no relógio de parede


O peso do meu peito


O sufoco do dia que nunca mais termina


Sem fim…


 


Sem cor os meus dias pintados numa parede


E a parede esconde-se da luz


Fica negra


E geme no silêncio da noite escura.


 


 


Luís Fontinha


30 de Abril de 2011


Alijó

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2023
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2012
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2011
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub