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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


08.02.22

São estas pedras,

Onde me sento e te suplico,

As três sílabas do sono;

O medo,

A saudade,

A solidão.

 

São estas pedras,

O silêncio que alimenta a noite,

A escuridão das estrelas,

Quando se ergue o beijo,

Quando se deita a manhã…

Quando morre um relógio de pulso.

 

São estas pedras,

O corpo que brinca na montanha,

A criança que corre,

A criança que chora;

São estas pedras,

As pedras sem hora.

 

 

Alijó, 08/02/2022

Francisco Luís Fontinha


09.02.20

A rua deserta, imune ao silêncio das pedras,


O cansaço das árvores, quando desce sobre a terra a soldão nocturna das acácias em flor,


Um automóvel vomita lágrimas de fumo,


Uma criança brinca na sombra dentada da tarde,


E, mesmo assim, as flores dormem nos abstractos muros da insónia.


É tarde,


O relógio emagreceu com o tempo,


A tempestade de areia, silenciada pelas pedras em silêncio,


Que a madrugada faz florescer,


Acordam as trombetas,


As árvores, tombam à sua passagem,


Como soldados rebeldes,


Como espingardas revoltadas,


Com os homens,


Como os homens.


A noite alicerça-se aos candeeiros do medo,


Como as pedras do silêncio na manifestação junto ao rio,


A revolta contra a noite,


As nuvens emagrecidas, tontas, derramas as suas lágrimas nos arrozais,


Sem em delírio, sempre em manifestação, os homens, as mulheres,


Contra o silêncio das crianças,


Que brincam,


Que brincam na eira do milho amarelado pelo cacimbo,


O cão lateia, chama pelo dono,


Ao fundo,


A aldeia em chamas, lágrimas de prata,


Quando toda a cidade envenenada pela amargura,


Sente, sofre, a desgraça da ditadura…


Como é lindo ser pedra em silêncio,


Lápide ao cair da noite,


Palavras mortas,


Palavras tontas,


Que o menino escreveu, nas paredes da fragrância, deixando ao acaso, um caderno assassinado pelas quadrículas lamentações.


O tempo se esquece,


O almoço na mesa,


A fome de palavras, dos livros enamorados pela madrugada.


Sinto. Sinto-te neste labirinto de insónias.


Ao deitar, todas as drageias.


Que as areias alimentam.


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


09/02/2020


30.07.16

As pedras


Onde nos sentamos e descansamos


Onde alicerçamos as mãos


E escrevamos


As palavras de sofrer…


 


As pedras


Do xisto madrugar


Que o príncipe depois de se deitar


Sonha com as pedras de amar,


 


As pedras


De ler…


 


As pedras de morrer


Sufocadas pelos beijos


As pedras


Meu amor


Dançando desejos


Nas janelas de acordar,


 


As pedras


De fumar


Nas searas cansadas pelos vento…


Não sentindo o mar


Nas pedras do pensamento,


 


(As pedras


Onde nos sentamos e descansamos


Onde alicerçamos as mãos


E escrevamos


As palavras de sofrer…)


 


Das pedras do saber…


 


Francisco Luís Fontinha


sábado, 30 de Julho de 2016


16.04.14

porque choram as pedras entranhadas na pele da tua mão?


pergunto-me e não percebo porque há círculos com olhos verdes,


quadrados com sorriso de gaivota sem nome,


pergunto-me...


porque existe no teu pulso a corrente em aço,


a dor, o sacrifício de um simples abraço,


porque escreves o teu poema nos meus olhos,


se eu,


cego... não o consigo ler,


gritas-me e sussurras-me palavras...


e eu, eu não as quero ouvir,


porque tenho a certeza que choram as pedras entranhadas na pele da tua mão.


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quarta-feira, 16 de Abril de 2014

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