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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


18.09.22

Um dia serás livro,

Palavra semeada na planície do sono,

Um dia serás madrugada,

E no outro dia…

Não serás nada,

 

Um dia serás cidade

Esfomeada,

Solidão nocturna,

Um dia serás nuvem,

Madrugada,

 

Um dia serás luar,

Noite estrelada,

Um dia serás livro

Na mão ceifada,

Um dia serás rio,

 

Mar em revolta,

Um dia serás livro,

Palavra na palavra,

Um dia serás o sol

Quando os barcos dormem,

 

Um dia serás livro,

Rainha da montanha adormecida,

Um dia serás os beijos

Das noites não dormidas…

Um dia… serás livro de poesia.

 

 

 

Alijó, 18/09/2022

Francisco Luís Fontinha


04.12.21

Mulher,

Silêncio que se despe em mim,

E mergulha na noite em papel;

A ousadia de viver,

Vivendo neste jardim,

Jardim a crescer,

Junto a este hotel.

 

Mulher,

Canção envenenada, palavra em revolta.

Mulher, criança mimada,

Mimada à minha volta.

 

Mulher,

Flor silêncio que se despe em mim,

Da noite em combustão,

Mulher,

Mulher de mim,

De mim, corpo paixão.

 

Mulher,

Corpo vestido de morte,

Cansaço desta montanha apagada,

Morte de má sorte,

Sorte em ser geada.

 

Mulher,

Que te vestes de mulher,

E ousas ser outra mulher.

Não te vistas,

Nem te ouses.

Mulher é mulher,

É poema,

Verso enfeitado,

Mulher é flor;

Não o sejas porque alguém o quer,

Porque mulher

É chama,

É livro envenenado,

É palavra e é amor.

Mulher,

Mulher é mulher,

Mulher é flor,

Mulher é amor.

 

Mulher,

Silêncio que se despe em mim,

E mergulha na noite em papel;

Mulher,

Não queiras ver o meu jardim,

Jardim de mulher,

Mulher

É amor,

É flor;

Mulher

É mulher,

Mulher é palavra semeada,

Mulher,

Mulher é livro, mulher é batel,

Mulher é poesia encantada,

Mulher,

Mulher é mulher,

Mulher de geada.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 4/12/2021


23.10.21

Semeou a palavra saudade

Na planície do desejo,

Semeou o eterno beijo,

Da palavra em verdade.

 

Pegou na flor amada

Enquanto nascia o dia,

Sentou-se, falou o que sentia…

Antes de nascer a madrugada.

 

Semeou a palavra saudade

No sentido olhar dela,

Cresceu, brincou, e descobriu a felicidade

 

No poema envenenado.

Desenhou e pintou a sua Cinderela

No silêncio orvalhado.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 23/10/2021


18.07.20

Adoro os teus beijos, margarida nocturna.

Jardim incendiado da cidade da poesia.

Dos lábios, a jangada invisível do desejo,

A flor clandestina da madrugada,

Os beijos,

O portão de entrada para o sonho,

Quando o pequeno verso se alicerça no teu cabelo.

Adoro os teus beijos, meu amor lunar.

Palavra entre rios e socalcos,

Suspensa no lábio xisto adormecido,

Quando voa sobre o mar,

E, alimenta todos os barcos de brincar,

Eu, um menino em calções,

Correndo na tua direcção,

Sem medo de cair,

Sem medo de te amar nesta bela noite de dormir.

Adoro, meu amor,

Todas as noites pinceladas de sombras,

Infinito coração em batimentos silenciosos,

Aos poucos, a luz de ti nas minhas mãos,

Parecendo um veleiro encostado ao teu peito,

Sofrendo, gemendo sons melódicos do amanhecer,

Sabes, meu amor?

Adoro os teus beijos, margarida nocturna.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 18/07/2020


14.06.20

Sou uma rocha,

Que dispensa o sono,

Plantam-se rosas no seu sorriso,

Gritam-se silêncios de revolta,

Entre paredes amarelas e sem juízo,

Sentado no trono,

Correndo pela seara,

Sem ninguém à volta,

Sem ninguém no terreno,

Sou uma rocha,

Aquela palavra proibida,

Suspensa no livro sereno.

Sou tudo aquilo que possam imaginar,

Desde pedra a foguetão,

Desde verso a palavra envenenada,

Desde o mar,

À triste canção.

Sou.

Muros de xisto olhando o rio,

Cansaço,

O frio,

Sou socalco maltratado,

Corpo,

Ferro,

Enxada calcinada na sombra do Senhor,

Sou. Sou pedra.

Palavra desejada.

Enxada,

Veneno da madrugada,

Sou rocha,

Sou tudo,

Não sou nada.

 

 

Francisco Luís Fontinha

14/06/2020

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