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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


05.11.23

O medo

Do amo-te loucamente

Sem sentido o começo da manhã

Sem juízo o perfeito destino do silêncio,

O medo

Do amo-te loucamente,

Escondendo na mão as palavras que te escrevo,

Nas palavras que semeio nos teus olhos.

 

O medo

Do amo-te loucamente

Quando este relógio me engana,

Quando este relógio se esquece de mim,

E de me acordar.

O medo

Do amo-te loucamente

Quando a manhã é uma flor,

 

E a noite,

Um pedacinho de luz nos teus lábios de beijar.

O medo,

Amo-te loucamente,

Do amo-te loucamente

Sem insígnias na lapela,

Sem estrelas no meu olhar…

Do teu doce amar.

 

 

05/11/2023


26.10.23

Aos poucos, a mesa ficou vazia,

Aos poucos, a casa ficou vazia,

Tal como eu, só…

Aos poucos, davas-me a mão,

E aos poucos,

A mesa voltou à azafama de outros tempos,

E a casa,

Novamente em alegria.

 

Aos poucos, pensava que enlouquecia,

Aos poucos, acreditava que era impossível voltar a voar…

Aos poucos, com a tua mão,

Aos poucos me fui erguendo,

Aos poucos tropeçando…

E hoje és o meu poema e a minha canção…

Aos poucos vou desenhando sorrisos na manhã,

E escrevendo beijos nos teus lábios.

 

 

26/10/2023


22.10.23

Sonâmbulo mar

Quando o teu feitiço me abraça

Quando os teus braços me beijam.

Sonâmbulo mar

Nos lábios de uma barcaça

Das mãos que aleijam

Os teus lábios de amar.

 

Sonâmbulo mar

Quando o vento

Me traz o teu sorriso

Quando me sento na tua boca

E perco o juízo

E você fica louca

E você se esconde no meu pensamento.

 

 

22/10/2023


13.10.23

Sábado

Meu amor

Sábado vou desenhar-te

Junto à ribeira,

Sábado vou escrever-te

Enquanto a lua está desgovernada,

Sábado

Meu amor

Sábado vou lançar ao rio

Esta fogueira,

Sábado

Meu amor

Vou desenhar os teus olhos

E esperar

Que acorde

A madrugada.

 

Sábado

Meu amor

Sábado vou pedir ao teu cabelo

Que me empreste o vento,

Meu amor

Sábado

Vou esconder-me no teu pensamento…

Meu amor

Sábado

Sábado vou amar-te

Como quem ama uma flor,

Sábado vou contemplar-te

Como quem contempla uma flor…

Sábado

Meu amor…

Sábado vou reler este poema

E pedir

Que sábado

Acordem nos teus lábios

O sabor da chuva

E o silêncio da manhã…

 

Sábado

Meu amor

Sábado vou desenhar-te

Junto à ribeira…

Sábado

Meu amor

Sábado vou escrever-te

E abraçar-me ao mar

Que não tendo sabedoria

Tem artimanha…

Tem estrelas coloridas,

Sábado

Meu amor

Sábado vou subir à montanha

E gritar

Que no próximo sábado

Meu amor

Eu seja uma pedra cinzenta…

Junto à ribeira

Onde vou desenhar-te…

 

 

13/10/2023


07.10.23

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Desenhar-te,

Cansa.

Sonhar-te,

Cansa.

Desenhar-te nos meus braços,

Cansa.

Desejar-te,

Cansa.

Amar-te…

Cansa muito.

No entanto,

Desenho-te,

Sonho-te,

Desenho-te nos meus braços…

Desejo-te

E amo-te muito

Tanto o quanto te odeio….

 

 

07/10/2023


27.09.23

Sonho-te em constante amar-te desejo

Sonho-te inventando noites sem dormir

Sonho-te desejando-te desejar-te

Nos meus braços

Ao lado do meu livro de poemas,

 

Sonho-te em constante amor-beijo

Que brinca nos caniçais

Que brinca na tua sombra

De sonhar-te amar e amar desejando

Que também tu me sonhes,

 

Que também tu me desejes desejando

Que me sonhas

Que me desejas nos teus secretos sonhos

Sonho-te na vergonha do poema

Quando ele acredita que te sonha,

 

Que também ele te deseja tanto ou mais do que eu…

Sonhando-te

Desejando-te

Neste sonho em papel

Deste sonho mergulhado na ausência,

 

Sonho-te enquanto te sonho

Que te beijo

E desenho na tua boca

O silêncio nocturno dos pássaros sem nome…

Que te sonho tanto… que te sonho tanto e fico com fome.

 

 

27/09/2023


02.09.23

Podia esconder-me de ti

Podia vestir-me de noite…

E correr

E andar…

Por aí,

 

Podia ser o vento

Podia

Podia ser a tempestade

Disfarçada de vento

Claro que podia,

 

Podia esconder-me de ti

E em ti

E esconder-me dos teus lábios

E esconder-me…

Na tua boca

Podia,

 

Podia ser aquele silêncio que poisa na tua mão

Podia ser o poema

Podia

Podia ser a alegria

E as palavras do dia

Podia

Podia esconder-me em ti…

 

 

 

Alijó, 02/09/2023

Francisco Luís Fontinha

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