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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


28.03.15

Não entendo os teus cabelos em cerâmica doirada


Como as andorinhas desnorteadas


Entre árvores


Entre filamentos de saudade


Sobre a cidade


Dos sonhos


Acordar


O espelho da vida


Em liberdade condicional


Espera


Caminha


A pedra ensanguentada


Das ruelas em flor


O ruído ensurdecedor dos morangos


E das plásticas cabeças de alfinete


O fato prisioneiro no guarda-fatos


O meu esqueleto


Dentro do fato


Os sapatos


As meias


E todo o resto


Em chamas junto ao rio


Não entendo o perfume dos teus lábios


O sorriso que se alicerça em ti


E me sufoca


Quando acorda a noite


E a noite me transporta


Para a carta sem remetente


Oiço-te


E não percebo porque brilham os teus cabelos


Dentro do cubo de gelo


Da paixão


Em aventuras


Entre árvores


Entre filamentos de saudade


Saudade…


Dos sítios obscuros com pulseiras de vidro


Cacos


Sílabas


Na seara do cansaço


Atrevo-me a olhar a lua


E não querendo ofender ninguém…


A lua suicida-me contra os pigmentos do prazer


Não sei


Como poderia eu saber


Se as candeias se extinguiram nas marés de prata


Os sonhos


Os sonhos acorrentados ao silêncio


O medo de amar


Não amando


E comer


Todas as pétalas da rosa embalsamada


Tão triste


Eu


Neste cubículo de lata


Sem janelas


Sem… sem nada


Como uma simples folha de papel


Desesperada


Sobre a secretária


Eu mato-a com a caneta


Escrevo palavras


Palavras


Que só o mar consegue entender


E… escrever


Nos meus braços


Dentro de mim há buracos negros


E as equações da relatividade


Sós


Entranhando-se no camafeu alicerce do sofrimento


Como eu sabia


Antes de a madrugada bater-me à porta


Olá bom dia


Meu amor…


Hoje não


Volte para a semana


Não


Não quero comprar nada


Hoje


Porque sinto a solidão


Nos arrozais


E nos pássaros


Que os homens constroem


Enquanto o poeta morre…


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sábado, 28 de Março de 2015


18.12.13



foto de: A&M ART and Photos


 


Imaginas-me?


descreve-me como és se ainda não o és


isto é


imaginas-me imaginando caminhar mar adentro


escrever na areia os verbos emagrecidos das pétalas doiradas


descreve-me


e imaginas-me... como um barco que se afoga no Oceano


imaginas-me como um náufrago sufocado com imensas palavras


desenhos


ruas


portas e janelas


e bancos de jardim


 


Belas


as flores


e os canteiros das intermináveis manhãs de Outono...


 


Elas


as bailarinas sem sono


imaginas-me?


candeeiros de papel


fios


meias...


cobertores imaginados quando me imaginas...


imaginas-me... deitados


o silêncio entrelaçado na tua mão


o beijo entalado nos teus lábios


imaginas-me?


eu... eu apaixonado?


 


Belas


as flores


e os canteiros das intermináveis manhãs de Outono...


 


Imaginas-me sendo o Sol?


mulher criança velho doente?


pigmeu cansado ausente...


sombra árvore e presente


imaginas-me... farto das palavras


dos versos


dos poemas e das... putas


parvas...


traiçoeiras madrugadas


nocturnas drogadas as tílias em chá...


e eu... esperando que me imagines...


… descreve-me como és se ainda não o és.


 


 


(não revisto)


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quarta-feira, 18 de Dezembro de2013



03.05.11

As pétalas aos poucos tombavam no chão


Como gotinhas de água


O caule teima em vergar com a força do vento


E ela teimosamente


 


Teima contrariar a tempestade


Aos poucos verga como uma barcaça


E as raízes prisioneiras à areia


Que olham o mar


 


Esperam pela maré


Umas vezes calmamente


Outras até…


Impacientemente


 


O caule teima em vergar com a força do vento


E ela teimosamente


Resiste


Abraça-se a uma nuvem em desassossego


 


Esperando a chegada do pôr-do-sol…


Umas vezes calmamente


Outras até…


Impacientemente


 


As pétalas aos poucos tombavam no chão


Como gotinhas de água


Ela olhava-se ao espelho


Detestava o que via


 


E eu acho-a tão linda


E acredito que as suas pétalas novamente vão crescer


E o caule ficará sem dor


Forte como tungsténio


 


A que eu me possa abraçar…


Quando o pôr-do-sol chegar.


 


 


Luís Fontinha


3 de Maio de 2011


Alijó

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