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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


10.12.14

Sou um estranho teclado


dentro do teu peito,


sou a manhã na boca da insónia...


e perco-me nas tuas mãos


como um pássaro em sofrimento,


surpreendo-me com o teu olhar entranhado na escuridão,


pareces um cortinado invisível,


uma espingarda de papel...


 


sou um estranho teclado


dentro do teu peito,


sou os rochedos incinerados


que escondem as tuas palavras,


e nunca tenho tempo para abrir a janela


do teu coração,


sou um emaranhado de estrelas


sem passado nem canseiras,


 


Sou um estranho...


… no teu peito,


visto-em de negro


e confundem-me com a noite,


sou o silêncio dos teus cabelos


e a cartilha dos teus medos...


sou a clarabóia do teu sorriso


quando lá fora...


 


gritam o meu nome em vão,


e eu, e eu nunca tive um nome,


uma pátria,


uma bandeira,


 


nem... nem paixão...


 


gritam o meu nome em vão,


e o teclado estranho


que habita no teu peito...


chora... chora como a bala de um canhão.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2014


30.05.13

Significo nada


como uma pomba sem pátria


significo muito pouco ou quase nada


quando das ilhargas manhãs de Primavera


oiço as vozes camufladas


por nuvens e gaivotas acorrentadas,


 


Significo apenas um número com dígitos assombrados


significo quase nada no jardim das plumas árvores vestidas em purpúrea


entre migalhas de porcelana


e beijos inseminados nas ventosas gargantas da montanha branca


significo... não o acredito depois de ver desaparecer os muros em cartão


que separavam o meu quintal dos tristes fins de tarde,


 


Contávamos os barcos com letras pintadas a oiro


e bandeiras em pano de alecrim


gritávamos como os loucos entre janelas com grande ferrosas


e pequenos arbustos de asas de algodão...


significo nada


como uma pomba tristemente abandonada num País sem Pátria.


 


(não revisto)


@Francisco Luís Fontinha


20.06.12

outras coisas


às vezes


(sinto-me um homem sem pátria)


outras vezes


há coisas para as quais...


coisas inexplicáveis


 


(coisas sem pátria)


 


às vezes


outras coisas


 


procuro o meu nome


na parede da sala


onde está suspensa a última ceia de Cristo


(e curiosamente hoje sem fome)


às vezes


outras coisas


sem pátria


 


e quando acordar o jantar


talvez hoje


coisas sem pátria


às vezes


sem fome


outras coisas infinitas.

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