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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


01.10.13

As palavras, os sons... porque hoje o silêncio mistura-se nas palavras por dizer e em trocados olhares, porque hoje, hoje tudo parece adormecer como uma doce boneca de trapos nas mãos de uma criança, e o céu, e o mar, e os sons... mergulham nas esplanadas do abismo, comem poemas não escritos, e, e escondidos nas clarabóias do nocturno beijo que as árvores de papel crepe deixam cair sobre as tuas mãos de acrílico sobre tela


Há uma tempestade dentro do meu coração,


Cair sobre os charcos que vivem nos musseques de ontem, e de hoje, e talvez amanhã, um sofrimento de capim grite sobre os telhados de zinco


Há uma,


Sobre tela, o acrílico desejo em sons uivos dos alicerces amaldiçoados pelos mabecos revoltados, embondeiros dormem de pé esperando a chegada do silêncio e este mistura-se nas palavras por dizer e em trocados olhares, porque hoje, hoje tudo parece adormecer como uma boneca de trapos nos ramos feridos das folhas mortas que vão caindo sobre o paralelepípedo castanho que as sílabas de prata escrevem no caderno em pequenas despedidas,


Perco-me de ti nos teus braços de hoje, e ontem...


Havia uma tempestade dentro do meu coração, e ontem


Eu era um cadáver em movimento curvilíneo, suspenso por um cordel ao tecto das amendoeiras preguiçosas, sem flor, caindo em pedaços apodrecidos sobre as paredes do amor impossível, indesejado... do amor não vivido, do amor proibido, às palavras, às linhas transversais das marés de Inverno...


(o cosseno de trinta graus é raiz de três sobre dois)


Havia uma tempestade dentro do meu coração, e ontem Havia uma tempestade dentro do meu coração, e ontem Havia uma tempestade dentro do meu coração, e ontem Havia uma tempestade dentro do meu coração, e ontem Havia uma tempestade dentro do meu coração, e ontem Havia uma tempestade dentro do meu coração, e ontem Havia uma tempestade dentro do meu coração, e ontem Havia uma tempestade dentro do meu coração, e ontem,


Há uma,


Havia muitas...


As palavras, os sons... porque hoje o silêncio mistura-se nas palavras por dizer e em trocados olhares, porque hoje,


Hoje perco-me de ti nos teus braços de hoje, e ontem...


(o cosseno de trinta graus é raiz de três sobre dois).


 


(não revisto)


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Terça-feira, 1 de Outubro de 2013


21.08.11

Quando o ontem


Se desfaz em pedacinhos


E pela manhã


O hoje renasce do papel retalhado


 


Quando o ontem


Em ondas de espuma


Contra as rochas da impaciência


E amanhã procuro nas cinzas


 


Os pedacinhos de hoje


A brancura das nuvens


Sobre os plátanos suspensos nos meus olhos…


Quando o ontem se despediu do meu corpo


 


E hoje encarna na sombra o amanhã


Sem cansaços


Com a força dos teus olhos


Dos dias que finjo estar feliz…


 


E desejo os teus braços


Os teus lábios em delírio e fúria de mar


Quando o ontem se afundou na tua cama


E o hoje acorda na tua boca


 


E vejo o sorriso mais lindo


O céu brilhante que me entra pela janela


Quando o ontem em pedacinhos


Se despediu dos braços dela.


29.06.11

Hoje se eu sou


Ontem não o era


Hoje um miserável dia do calendário


Um número sem importância pregado na parede,


 


E onde se esconde a parede


Que deixou de existir?


Hoje apenas um silêncio


Que separa a cozinha da sala,


 


Durante a noite a parede consumida


Pelas estrelas de papel


Hoje se eu sou


Ontem não o era,


 


E amanhã certamente não sou


O eu de hoje


O ontem de eu…


O amanhã que não existe.

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