Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


13.04.22

Permita-me,

Desenhar as palavras do silêncio

Que habitam nos seus olhos,

Abraçar a sombra da manhã

Que voa nos seus olhos,

Escrever na sua boca,

O luar que ilumina os seus olhos,

Quando as pedras em silêncio,

 

E se me permitir,

Desenhar nos seus olhos,

As lágrimas dos meus olhos.

Permita-me,

Amarrotar esta pobre folha

Onde escrevo o feitiço dos seus olhos,

Semear nos seus olhos

A triste noite antes de adormecer,

 

E perceber

Que os seus olhos são um rio em delírio…

São uma planície ensonada,

Que os seus olhos, teimam em não enxergar.

Permita-me,

Abraçar os seus olhos

Que brincam neste poema e,

E acordam as pedras em silêncio.

 

 

 

Alijó, 13/04/2022

Francisco Luís Fontinha


30.03.19

Os teus olhos são as cataratas do Niágara,


O cansaço do povo,


Os teus olhos são a luminosidade da saudade,


O silêncio prometido,


Alto,


Esguio…


 


Das parais encantadas.


 


Os teus olhos são a Primavera,


A mudança da hora,


Deste velho relógio,


Que adormece no meu pulso,


 


Quebrado,


Triste,


Cansado.


 


Difuso.


 


Os teus olhos, meu amor,


São a tempestade nocturna,


A cidade em chamas,


 


E das aldeias perdidas,


 


Nos teus olhos, meu amor.


 


Os teus olhos são o sorriso da madrugada,


A velha jangada,


Poisado na mão do rio…


 


Quando regressa a tarde,


Chorando,


Sem querer…


Chorando.


 


Meu amor.


 


Os teus olhos.


Saudade,


Dos beijos,


Na claridade,


Dos teus olhos,


Quando logo, mais tarde,


Eu, pegar nos teus olhos…


 


E dormir,


Com a saudade.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


30-03-2019

...


24.06.18

Três dedos de conversa, uma chávena de chá, um livro poisado na tua mão, enquanto lá fora, muito distante de nós, uma cobra brinca na fina areia dos teus olhos.


Enquanto dormia, a flor do teu sorriso despede-se das pétalas envenenadas da noite, rosna o sorriso do lobo, rosna o silêncio da montanha, quando deitas a cabeça no meu colo…


São rosas, meu amor, são rosas os teus cabelos brancos.


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 24/06/2018


 


WIN_20150623_125305.JPG


 


22.07.17

Regressa a noite e não quero abrir os olhos,


Prefiro adormecer junto à lareira apagada,


Porque acesa já ela está,


O cansado iluminado,


Sentado,


Lê…


Escreve em ti o que lê…


E não tem pressa de partir,


Porque a partida é tristeza…


Desenhada nas paredes do meu quarto,


Regressa a noite,


Regressa o vento…


E o iluminado,


Cansado,


Foge em direcção ao mar.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 22 de Julho de 2017


21.05.14



foto de: A&M ART and Photos


 


Os teus olhos no espelho que poisa no meu rosto,


do cansaço adormecido das palavras anónimas,


tu, meu amor, sussurras-me baixinho que serei eternamente tua,


acredito,


acredito que há no teu jardim rosas envergonhadas,


acredito,


acredito que os olhos que habitam no meu espelho,


um dia serão as minhas estrelas vadias,


 


Os teus olhos que dormem nos meus lençóis,


sós,


a aldeia escapa-se entre os dedos da tristeza...


e acredito...


 


Ofereço-te o meu corpo embrulhado em poemas de miséria,


eternamente tua, eternamente... ausente de ti,


regresso ao espelho e descubro os teus braços na sombra dos meus seios,


afago os teus cabelos enquanto a noite se veste de menina desajeitada,


de menina... de menina de uma outra cidade,


ofereço-te o meu corpo como se eu fosse a tua flor preferida,


a árvore sob a qual te deitavas quando se inventavam em ti os sargaços da manhã,


e partiam os barcos para o luar como pássaros em busca dos filhos em voos infinitos,


 


Os teus olhos que dormem e sonham nos meus lençóis,


tão distante, tu, homem sem local para aportares...


ofereci-te os meus abraços,


e tu,


e tu fingiste não ouvir,


disseste-me que o cais serve apenas para a partida,


e partiste,


sem regressar nunca,


 


Como as palavras,


depois de extinta a fogueira da paixão,


ouvia o silêncio dos teus livros...


e nada mais tenho a acrescentar a ti e de ti,


 


Os teus olhos que nunca me pertenceram,


os teus olhos que brincavam nas minhas coxas antes de eu levitar em direcção aos sonhos,


cerravas-os e partias como uma tempestade de areia...


a ti e de ti,


as conversas inacabadas,


as palavras não escritas, e não ditas,


os teus olhos, os teus malditos olhos que iluminavam um cubículo de papel...


e tinham tentáculos que conseguiam beijar o mar.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quarta-feira, 21 de Maio de 2014



24.03.14

Verdes pergaminhos do amanhecer amargurado,


cintilantes madrugadas com sabor a desejo,


vagabundas manhãs infestadas de corações de mel,


viajo dentro de ti como os pássaros quando regressa a chuva miudinha,


verdes cansados beijos,


verdes lábios,


… boca dispersa na Primavera das flores campestres,


verdes olhos, verdes... verdes pergaminhos do amanhecer amargurado,


viajante solitário procurando abrigo, e um abraço se levanta do chão,


e dou-me conta que é noite,


cortinados cerrados...


e da tua janela... e da tua janela apenas uma sombra de silêncio.


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Segunda-feira, 24 de Março de 2014


16.02.14



foto de: A&M ART and Photos


 


há silêncios nos teus olhos


existe uma mão que absorve as lágrimas dos teus olhos


tens cabelos semeados pelo vento que cerram os teus olhos


o medo que cruza os teus braços que aprisionam os teus olhos...


há silêncios nos teus olhos


há palavras que descrevem a cor dos teus olhos


imagens


negras


a noite


o dia


a morte... que brinca nos teus olhos


há silêncios de amor nos teus olhos


 


há silêncios de ciume nos teus olhos


searas campos montanhas árvores nuas


despidas cidades amargas ruas cansadas


que os teus olhos vêem e se calam como pedras silenciosas


há rios mares barcos e gaivotas


há desejo nos teus olhos


há corpos em cio que magoam os teus olhos


há madrugadas onde habitam os teus olhos


bares mesas de bares copos recheados de uísque em bares dos teus olhos...


jardins inclinados


tristes tristes como os teus olhos chorados


há seios que me esperam na criança dos teus olhos


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 16 de Fevereiro de 2014



18.01.14



foto de: A&M ART and Photos


 


Não sei o nome dos teus olhos molhados


quando chovem pedaços de saudade nas pedras íngremes do silêncio


convenço-me que sou um corpo putrefacto esquecido nos pingentes húmidos telhados de vidro


sentindo as tuas mãos em aço


e submergindo nas tempestuosas águas que as palavras trazem depois de escritas


ditas e perdidas nas calçadas com flores apaixonadas pelos candeeiros envidraçados do medo


e na areia da paixão sei que vivem vogais vestidas de negro vendendo o corpo por três moedas...


sei que o teu corpo é um fóssil mergulhado nas quatro pedras de gelo do meu invisível uísque


sinto-as como carícias sombras nas páginas do livro de poemas à procura do barco dos sonhos


apitam e choram apitam... e gritam... e apitam... e gritam o apito da melancolia


e em loucas orgias de sílabas licenciadas em nuvens de sémen...


não sei o nome... dos anzóis da solidão.


 


 


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sábado, 18 de Janeiro de 2014



07.08.13



foto de: A&M ART and Photos


 


São frágeis os teus olhos de água
Transparentes como a noite
Em cio
São castanhos, azuis, verdes… são olhos demónio
Tamanhos verdejantes dos abraços de um rio
São frágeis
Como a noite sincera de ti quando entras dentro do espelho
São teus os teus pseudónimos olhos vagueando na paisagem
Destino
Viagem
São eles
Tão frágeis…

E tão lindos quando as palavras se escrevem
E vivem
E crescem
Neles, os teus frágeis olhos de água,

Mágoa
A alvorada em travestidos sorrisos
A menina tem lume?
Juízo?
A menina ama?
É amada?
A menina… é tão linda
Como os seus olhos de água…

(não revisto)


@Francisco Luís Fontinha – Alijó



02.08.13



foto de: A&M ART and Photos


 


dois viajantes vagueando sobre o silêncio da noite


comendo pétalas de chocolate embrulhadas em poemas desejo


como o mar


amar os lábios da paixão


quando estrelas dançam nos teus cabelos de porcelana,


 


dois viajantes apaixonados nas palavras invisíveis


folheadas pelas mãos tuas em desenhos sonhos amanhecer


comendo-me


comendo-te...


dois simples braços e mãos... entrelaçadas na alvorada,


 


o corpo arde na tela da insónia como acrílico sombreado das nuvens embriagadas


sobre mesas e cadeiras


sobre ti e sobre mim


o corpo


o teu corpo rodopiando ao som da garganta de um relógio de parede,


 


sonolento os olhos teus dançando nos versos da manhã


o medo entranha-se-te nos dedos sisudos


e a melancolia absorve-te as pálpebras encarnadas que o Sol esconde


e alimenta comendo-te


comendo-me... sem saber que éramos de brincar...


 


(não revisto)


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2012
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2011
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub