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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


19.04.19

É noite,


E hoje não estou ao teu lado.


É noite,


Começa em mim a procissão do adeus,


Nas lâminas incandescentes dos teus lábios,


Não, não estou apaixonado,


Nem pela madrugada,


Nem pela tempestade…


Apenas te oiço nos lençóis do mar.


É noite,


Abro a janela e apenas um fio de luz no teu olhar,


O silêncio espetado no teu corpo,


Como a espada que tenho na mão,


Para assassinar a noite.


Vou matá-la.


É noite,


É noite e os livros já dormem,


Como crianças,


Na cama da saudade.


As ruas sem ninguém,


Nem transeuntes,


Nem automóveis,


Nem submarinos,


Apenas petroleiros fundeados junto à porta de entrada;


Fugimos, hoje?


Para as grutas da montanha envenenada pela solidão,


Os amantes, as amantes, lambem-se entre quatro paredes envelhecidas,


Mortas,


Perdidas.


É noite,


É noite e não consigo pegar na tua mão…


Talvez amanhã o consiga…


Amanhã.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


19/04/2019


04.04.19

Os teus olhos são o mais belo livro de poesia,


Uma canção,


Uma melodia.


Os teus olhos são a escuridão,


Nocturna das almas perdidas,


As palavras prometidas.


Os teus olhos são a mais bela pintura, do teu corpo,


Nua…


Na despedida.


Os teus olhos são a geada,


A cidade endiabrada,


Quando me olhas debaixo do luar,


E, ao longe, sei que habita o mar,


E o jardim das flores apaixonadas.


Os teus olhos, meu amor, são as tardes de brincadeira,


O baloiço de uma criança,


Quando desce a ribeira,


E o meu olhar te alcança.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


04/04/2019


05.05.18

Sentia-me obtuso com a tua simplicidade dos jardins adormecidos; uma flor poisa ruidosamente no teu rosto. O acordar!


Sentia-me confuso com o silêncio dos teus lábios, flácidos, cansados das minhas pobres mãos,


O sono.


Sentia-me perdido na seara da solidão,


Quando os pássaros escreviam palavras na eira, era Verão, e a candeia perdia-se sobre a mesa do esquecimento,


Me levanto,


E pego no Sol.


Me levanto,


E pego no silêncio que traz o Sol,


Sentia-me uma pomba quando o teu corpo desleixado aterrava no meu olhar,


Uma réstia de alegria,


Uma sinfonia para brincar…


E ouvia desenfreadamente os sons da alvorada.


Como eu queria ser criança…


 


 


 


Alijó, 5 de Maio de 2018


Francisco Luís Fontinha


01.07.17

Sentas-te no meu colo como dois pilares de areia envenenados pelo silêncio,


 


Oiço a tua respiração romper a manhã,


Ainda o sol não acordou,


Pego na tua mão,


Desfeita de aventuras,


E ternuras,


Que o tempo levou…


 


E perdeu no chão,


A chave do teu coração,


 


Sentas-te na minha sombra, menina do teu olhar,


 


Desfeito em lágrimas o amanhecer ausente,


Duas portas sem saída,


Nesta cidade perdida…


Perdida que não sente,


 


Porque te sentas,


Em mim,


 


Todos os dias loucos sem madrugada,


 


Oiço a tua voz pergaminho,


Perdida na brancura da razão,


Estou só, e sou um ninho…


Um ninho na solidão,


 


Sentas-te em mim,


 


Um homem construído de mar.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 1 de Julho de 2017


15.11.15

a tempestade de silêncios que adormece no meu peito


enquanto tu, meu amor, gritas o meu nome entre os rochedos do inferno


a sombra dos teus lábios


o cansaço das tuas mãos


me adormecem


e me fazem fugir para a montanha imaginária


a fuga


a tempestade de silêncios que há em ti


e só agora percebi


a luminosidade do teu olhar


quando não cresce a noite


na minha solidão


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


domingo, 15 de Novembro de 2015


10.10.15

Os vampiros da noite


Ente os aplausos e o derradeiro Adeus,


Do silêncio teu corpo


A alvorada impressa na sombra do teu olhar,


Do silêncio teus lábios


A madrugada a mendigar…


Nos vampiros,


Da noite,


A gaivota apaixonada voando sobre os desenhos do amor,


As palavras embriagadas


Dormindo nas esplanadas sem dono


Perdidas na cidade,


 


E eu aqui,


Sentado,


À tua espera…


 


Os vampiros da noite


Descendo as escadas da paixão,


Descendo até à profundidade da solidão,


Trazes-me um livro,


Pegas na minha mão,


Não falas,


Não sorris porque a escuridão engole-te…


E mais uma vez desapareces,


Transformas-te em poeira…


Cinza,


Sanzala inabitada,


Sem meninos… sem nada.


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sábado, 10 de Outubro de 2015


21.09.15

desenho_21_09_2015.jpg


(Fontinha – Setembro/2015)


 


Lembrei-me de ti, hoje, e das fotografias tiradas quando se escondia a noite nos coqueiros junto ao mar,


Lembrei-me da solidão


E dos passeios agarrado à tua mão,


Lembrei-me de ti, hoje, e das palavras que escrevias no meu olhar,


Como se eu fosse uma fina folha em papel,


Sofrida,


Cansada de ser riscada,


Velha e tonta… amada,


Lembrei-me de ti, hoje, e das tardes a desenhar os barcos em cartão,


Sós no imenso Porto de embarque e desembarque… sem destino algum,


Ensinaste-me o que eram as montanhas vestidas de branco,


Ensinaste-me o sabor da geada…


E hoje, e hoje lembrei-me de ti e das tuas lágrimas choradas,


Quando acordava a madrugada…


E eu, e eu sem sono… sem sono… gritava.


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Segunda-feira, 21 de Setembro de 2015


 


04.03.15

Esboço os teus olhos na carlinga nocturna do prazer


finjo caminhar sobre as pedras íngremes do silêncio


em vulcão


as palavras desalmadas do caderno negro


as imagens da melancolia


no espelho secreto dos teus seios


fujo


e sem regresso...


imagino os rochedos da insónia


mergulhando na constelação do adeus


o plágio mágico de uma fotografia


e a simplicidade dos sentidos embainhados nas florestas em solidão


canso-me


e fujo


dos lábios em desejo


como as formigas procurando alimento


nas esplanadas da dor


esboço os teus olhos


o esquisso em desassossego dentro da caixa de madeira


janelas


portas


o segredo


quando os dardos envenenados atingem mortalmente o peito do artista


o circo ofegante


em murmúrios e pequenos gestos pincelados de sangue


os aplausos falsos


e os falsos sorrisos


na aldeia


entre ventos e tempestades de areia


sinto em mim o mar


e todas as marés do amor


o poeta adormece junto ao rio


escreve na espuma tingida de saudade


e canso-me


das palavras


e dos olhares em beijos de luar...


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quarta-feira, 4 de Março de 2015


16.01.15

Há nas cinzas do teu olhar


imagens a preto e branco,


palavras de amar,


poesia,


sílabas com odor a cansaço,


há nas cinzas do teu olhar


flores,


pedras,


cubos em madeira...


e gaivotas de brincar,


há nas cinzas do teu olhar


a poeira do meu corpo travestido de luar...


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2015


05.01.15

A luminosidade tangente ao teu olhar


entre círculos


quadrados


e buracos


há no teu corpo equações sem solução


resmas de papel quadriculado


em chamas


e feridas no coração...


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2015

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