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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


06.04.22

Não desistas,

Enquanto o vento te leva para o mar,

Não desistas e,

Não te deixes ofuscar pelo luar,

Não desistas de voar,

Amar,

Brincar,

Beijar…

 

Não desistas das palavras

Que escreves no céu nocturno do sonho,

Não desistas das canções de embalar e,

Que os teus pais te ensinaram…

Não desistas das tardes límpidas junto ao rio,

Não desistas de observar as montanhas e,

Todas as pedras.

Não desistas, não desistas de sonhar.

 

 

Alijó, 06/04/2022

Francisco Luís Fontinha


23.02.22

Se és o vento,

Leva-me.

Se és um abraço,

Abraça-me.

Se és um beijo,

Beija-me.

 

Se és um livro,

Deixa-me escrever em ti,

Desenhar os teus lábios

Na manhã quando acorda.

Se és a lua,

Semeia a luz no meu corpo cansado,

 

Quando chora.

Se és uma tela,

Deixa-me pintar em ti a Primavera,

Como fazem os pássaros,

Ou as flores,

Como fazem as palavras,

 

Se és uma lágrima,

Diz-me que o poema não morreu,

Diz-me que as palavras

São fertilizante para as tuas tristes noites;

Se és sol…

Não te canses de me iluminar.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 23/02/2022


04.01.22

Trazias no corpo

Os parêntesis rectos da insónia;

Das palavras às equações do sono,

Triste esta argamassa de cansaço,

Quando o espaço é uma sombra de nada,

Quando o nada…

É cansaço.

Canso-me porquê?

 

Tenho amor,

Tenho comida,

Tenho um tecto onde me esconder;

 

Pior do que eu

Vive a formiga,

Trabalha, não tem palavras para escrever,

Não tem flores para amar.

 

Pior do que eu,

Habitam os pássaros dentro mim,

Não se cansam de cantar,

Não têm medo de escrever,

 

Trazia no corpo

O silêncio de uma noite mal dormida,

O poema em devastação,

Oiço nas tuas palavras,

O mar em suicídio,

Como qualquer homem de coragem;

Porque, acredita, para te matares tens de ter muita coragem…

E felizmente, eu sou um covarde.

 

Um covarde que acredita na vida,

Um covarde com palavras para escrever,

Um covarde quase licenciado na arte de amar…

Na arte de adormecer.

 

E da arte crescem palavras,

Números e equações de sono,

Rolamentos,

Chumaceiras,

Correias e volantes,

E tantas outras doideiras.

 

(Pior do que eu

Vive a formiga,

Trabalha, não tem palavras para escrever,

Não tem flores para amar).

 

 

 

Alijó, 04/01/2022

Francisco Luís Fontinha


09.08.20

Sou eu. Sou eu, o silêncio suspenso nos teus lábios de acrílico suspiro, a madrugada pincelada na tela inventada pela noite, regressam as sombras dos automóveis cansados, quando todas as ruelas da cidade, desenhadas pelo luar, são apenas sombras, manhãs desesperadas, corpos embalsamados, esqueletos de papel semeados nos campos marítimos do desejo,

Amo-te.

Sou eu, a claridade das tuas mãos quando acariciam o meu rosto de xisto, deitado sob a clarabóia do amanhecer,

Um barco, meu amor,

Um barco deitado sob a clarabóia do amanhecer, os suspensórios tristes que pegam nas calças calcinadas pelo vento da manhã, meu amor, um barco de espuma, um lençol de vómito descendo a calçada em direcção ao rio, lá longe,

Amas-me?

Um pequeno alfaiate desenhando sílabas na areia do Inferno, automóveis cansados que se apião nos apitos nocturnos da insónia, valha-me meus, menina,

Sim, meu amor,

A menina é tão bela, como o silêncio de todas as esplanadas, no Verão, antes de abrirem as cancelas da solidão, pego no teu olhar, imagino um carrossel de sémen brincado no sótão do homem de negro, dos olhos, a venda espelhada dos fins de tarde, nem mais, uma criança grita pelo papel vegetal que alimenta a mão do artista,

Então os desenhos?

Estão quase, repentinamente escreve ele no muro da imaginação, olho-te e, escrevo-te, entre parêntesis e pontos de interrogação,

O texto, meu amor,

O texto constrói-se na tarde, invento meninos de chumbo perfilados na avenida, todos de máscara, como os espantalhos de Carvalhais, amanhã

Amas-me?

Amanhã todos os santos são estátuas de sofrimento, altares de espuma esperando o regresso do comboio, o sem-abrigo procura sombras na imensidão da cidade, e tu, meu amor

Amanhã,

Abrem-se as cancelas do desejo, existe em ti o infinito amanhecer, descalço, como medo de amr, corre, corre em direcção ao mar, porque

Amanhã?

Sim, porque amanhã a noite será uma jangada de vidro no silêncio dos rochedos enamorados pelo abraço.

Sempre em ti, este cansaço de amar.

Romântico amanhecer.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 09/08/2020


08.08.20

Amanhece nos teus lábios

Um corpo de linho.

Suspenso numa cama inventada pelo desejo,

Acaricio-te suavemente e com medo de te acordar

Do sono alicerçado na madrugada.

Oiço-te gemer em pequeníssimas sílabas de silêncio,

E de dentro do vento,

Um lençol de espuma, branco entre soníferos de alegria,

Abraço-te; tenho medo de magoar o teu corpo de porcelana,

Quando desce a montanha, em direcção ao rio…

Uma enxada trabalha arduamente na sombra dos socalcos envenenados

Pelo apito do comboio embriagado,

E, ao fundo, o túnel da solidão escorrendo um líquido viscoso, sem cor,

Derramado nos trilhos dos animais nocturnos

Onde habita o teu sorriso.

Espero. Canso-me de não te ver,

E, quando te vejo, nua como todas as luar nocturnas,

Escrevo-te,

Desenho-te,

Simplesmente te abraço.

Amanhece nos teus lábios

O sorriso de menina adormecida,

Ensonada como todas as vírgulas

No texto impregnado de estórias…

Acorda em nós a insónia.

Madruga o poeta nas ruelas do engate,

Escreve versos,

Prostitui-se nas palavras…

E dorme no teu peito; não sofro, meu amor,

Porque os teus olhos são estrelas de papel…

Dançando no Universo.

Acordas-me.

E todo o sonho não passa de uma mentira

Para me afastar de ti.

Corro.

Beijo-te.

Sabendo que amanhã é Domingo.

E todos os versos serão teus.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 8/08/2020


31.01.20

O suspiro da noite, enquanto a morte vagueia nas sílabas loucas da paixão.


O silêncio das palavras, perdidas nos livros invisíveis da solidão,


Um poema chora,


Alicerça-se na confusão da cidade,


Soltam-se todos os caninos vadios,


Correm em direcção ao petroleiro estacionado junto ao Tejo,


E, um soldado, procurando alimento, senta-se na sombra da neblina.


Todos os pássaros são felizes, ainda que sejam transparentes,


Nas paredes de xisto,


Olhando o Douro,


Desenhando socalcos no bico;


A jangada, afunda-se, como a mão do mendigo,


Quando fundeada na sopa trazida pela tempestade.


Chove, ouvem-se os ruídos da manhã,


Automóveis esfomeados levitam sobre as palmeiras,


Os transeuntes sofrem de pasmo,


Riem, como loucos,


Dentro de quatro paredes de vidro.


O suspiro da noite, sempre em alerta máximo,


Esconde as palavras na algibeira,


E bebe pequenos tragos de nada.


Hoje é sexta, noite como tantas outras,


Não interessa,


É noite, é triste a noite, quando se despede da tarde.


Os amantes fogem como fogem os mortos da sombra,


De roupa engomada, os tristes mortos, riem-se do silêncio amargurado que transporta o desassossego,


Tenho medo, dizia-me ele, quando acordava olhando quatro janelas de cartão,


Perdia-se na imensidão do espaço,


Cansado da vida,


Cansado da noite;


O suspiro. O suspiro da noite.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


31/01/2020


03.12.19

Não o sei.


Foram pedras da calçada que arranquei.


Foram lágrimas que chorei.


Não o sei.


Esta terra que semeei,


E depois me cansei,


E depois me sentei,


Não. Não o sei.


 


 


Não o sei.


Porque morrem, aos poucos, as palavras que plantei,


Na folha de papel que rasguei.


 


Não.


Não o sei.


 


Não o sei.


Porque brotam lágrimas esta lareira que amei.


Esta fogueira que incendiei,


Na madrugada que pintei.


 


 


Não.


Não o sei.


 


 


Não o sei.


Porque sinto os combóis que nunca sonhei.


Não o sei,


Porque brincam meninos na seara que pisei…


 


 


Mas uma coisa eu sei.


 


Que o Sol que bilha, não fui eu que o pintei.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


03/12/2019


02.12.19

Sinto-te nesta casa fria e escura.


Neste casebre abandonado,


Sinto-te nas paredes cansadas desta espelunca,


Na sombra de um qualquer coitado; eu.


Sinto-te em perfeita brancura,


Das palavras que escrevo e pronuncio…


Que nunca,


Vou desenhar uma gaivota em cio.


 


Sinto-te como se fosses uma pomba.


Sinto-te como se fosses uma bomba,


Esquecida no mar,


Esquecida de rebentar.


 


Sinto-te e não te vejo.


Pareces invisível neste labirinto.


Pareço o Tejo.


Voando baixinho, quando não minto.


 


Sinto.


Sinto tudo isto enquanto não consigo adormecer.


Sinto a calçada chorar.


Sinto o meu corpo sofrer…


Com medo de morrer.


Com medo de acordar.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


02/12/2019


01.12.19

Habito neste labirinto de lata.


Desta pobre sanzala abandonada.


Habito neste corpo de ossos,


Alicerçado às muralhas dessa pobre calçada.


Habito neste corpo de chapa,


Cansado da tristeza.


Vejo-me no espelho da beleza…


E apenas observo sombras, linhas rectas envergonhadas.


Habito neste poeirento cansaço,


Nas tardes infinitas,


Que os meus lábios vomitam…


Palavras malvadas.


Palavras bonitas.


Habito no teu cabelo desgovernado pela doença,


Entre gemidos e demência,


Habito na tua boca engasgada na madrugada,


Quando o silêncio não é nada,


Quando a vergonha,


Envenenada,


Dorme na tua mão calcinada.


Habito, meu amor, neste palácio assombrado,


Dentro de livros com personagens moribundas,


Entre xisto e calçado,


Nas montanhas fundas.


Habito.


Habito nos duzentos e seis ossos Outono,


Quando as árvores se despem, e o teu corpo, longe do mar,


Enaltece a maré de chorar.


Habito sem parar,


Neste labirinto do sono.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


01/12/2019


28.11.19

Subo vertiginosamente as escadas da saudade.


Pego na tua fotografia, recordas-me um sorriso de nylon.


Amanhã, vou partir para o infinito amanhecer.


Sem perceber,


Que dentro da saudade,


Habita o beijo.


Abraço-te no invisível tempo,


Como uma barcaça desnorteada junto ao cais.


Finjo.


Minto.


Escrevo-te, sabendo que nunca me vais ler…


Porque os esqueletos não lêem…


Nem choram.


Subo vertiginosamente as escadas da saudade.


Sento-me no teu colo,


Preciso dos teus mimos,


Preciso de tocar nas tuas mãos…


Enquanto seguras religiosamente o terço da esperança.


Não vou dormir,


Enquanto, lá fora, chove.


Tenho medo da chuva.


Tenho medo da claridade,


E só a noite,


Consegue alimentar estas tristes paredes de alvenaria…


Grito.


Ouves-me?


Não.


Não me ouves.


E eu oiço os teus gemidos esquecidos num quarto de hospital,


Oiço o cansaço da tua voz…


Que me dia;


Amo-te, meu querido.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


28/11/2019

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