Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


15.01.22

Imagino-te o centro do meu sistema solar. Oiço-te dançando na praia à procura das minhas palavras, o incêndio silêncio da tua presença às conversas suspensas na alvorada, levantavas-te da cama, acendes um cigarro e, sob o sol solidão de mais um dia, acorda a primeira Primavera; assim sendo, elimino todas as janelas desta casa sem comandante, navegando na brisa madrugada.

Temos flores lápides voando dentro de nós, padecemos dos uivos gritos da coruja que na noite inferno, quase sempre, transforma todas as sílabas em pequeninas migalhas de pão, caso contrário, levanta-se o uivo grito da insónia, como sempre, que atravessa as portadas onde nos escondemos até aparecer em nós o mar.

Os barcos regressavam a mim todos os santos Domingos, puxava-o pela mão como quem puxa um pequeno brinquedo, e ele, feliz, corria para me acompanhar;

- Tão grande, pai!

Os barcos eram construídos em cartolina a fingir e cheiravam a nafta.

- Senti esse cheiro durante dozes dias e doze noites, sem dormir.

E eu tinha de erguer o pescoço até ao Céu para escrever com o olhar as lágrimas de um qualquer soldado perdido entre o capim e os mabecos; diziam que durante a noite se vestia de mulher e era visto e observado num qualquer bar da cidade.

Descia o cacimbo sobre nós. Prendia-lhe a mão com a minha mão, e como sempre, ele sentia a alegria e a felicidade porque eu começava a desenhar barcos na areia do Mussulo; horas depois, erguia-me entre a fina areia e mergulhava na sombra do medo, quando o medo ainda habitava dentro de mim.

- Tão grande, pai!

Oiço-te dançando na praia à procura das minhas palavras, o incêndio silêncio da tua presença às conversas suspensas na alvorada, levantavas-te da cama, acendes um cigarro e, sob o sol solidão de mais um dia, pareço o Tejo em pequenos vómitos.

Disseram-me que morreu no silêncio, como sempre, morre-se no silêncio daqueles que amamos. Trazia na algibeira as palavras da despedida e, sem dizer nada, virou a cabeça em direcção ao mar e, partiu.

Voou até ao infinito.

- Morre-se de quê, pai?

Da saudade ao cabaré eram apenas dois quarteirões de metros lineares, que de vez em quando, dançavam como dançam as sombras que me acompanham; voou até ao infinito como voam todos os pássaros cansados. Diziam que ele tinha nascido dentro de um cubo de vidro, onde juntamente com ele, outros cubos de vidro brincavam às escondidas, como brincam as sombras que me acompanham.

Como morrem as sombras que me acompanham.

Imagino-te o centro do meu sistema solar. Oiço-te dançando na praia à procura das minhas palavras, como procuram todas as sombras que me acompanham.

- Vive-se de quê, pai?

Da saudade ao cabaré eram apenas dois quarteirões de metros lineares e, percebo agora que só morrem os pássaros cansados, como vão morrer todas as sombras que me acompanham. Sós.

- Tão grande, pai!

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 15/01/2022


12.04.19

Sento-me no patamar e lanço pedras socalco abaixo,


Ao fundo, o rio, encurvado, entre rochas e rochedos,


Vinhas e vinhedos,


Como o paraíso da minha infância.


Deitava-me debaixo das mangueiras e sonhava com palavras,


Desenhava na terra o silêncio de um menino, apaixonado pela Lua…


Adormecia,


Dormia até que a tarde se levantava e fugia.


Como eu era feliz naquela altura.


Hoje, sou carrancudo, embrulhado na solidão,


Sou mendigo,


Triângulo,


Foguetão.


O mar vinha visitar-me todas as tardes,


Construía papagaios em papel colorido…


E em frente ao quintal, na rua deserta, corria,


Corria, até que o papagaio se elevava no Céu de Luanda e desaparecia,


Morria, pensava eu…


Com o cordel na mão.


Depois veio a paixão,


Apaixonei-me pelas palmeiras da Baía…


Por aviões e barcos,


Apaixonei-me pela saudade,


Que hoje bate em mim.


O fogo,


A água que adormece o fogo…


Na laranja da loucura.


Durmo, não durmo, durmo, não durmo…


Como o amor,


Encurralado no deserto, recheado de areia branca que só conheci no Mussulo,


E era feliz.


Hoje, hoje sou um fantasma, um mendigo à procura das palavras da infância…


Que nunca mais as encontrei,


Apenas fotografias,


Apenas, pai…


Fotografias.


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


12/04/2019


11.06.17

O delírio fantasma que a paixão oferece nas noites de melancolia,


Vivo nesta cabana encerrada e sem alegria,


Entre livros e papelada,


Entre copos e corpos sofridos na madrugada,


Tenho nas veias o teu nome,


E na algibeira as réstias da fome…


Do mendigo ancorado às esplanadas de lata,


O Domingo termina na sanzala…


No capim brincam as minhas mãos de fada…


Que um papagaio de papel inventou na alvorada,


Sinto neste meu corpo desajustado da realidade


O vício sintético da falsidade…


O orvalho clandestino,


O sorriso do menino…


Na praia do Mussulo,


Só e abandonado,


Só e amedrontado,


Só nos rochedos pincelados de palavras mortas


Pela caneta do poeta,


Fracassado,


Pateta…


O delírio fantasma


Dos arraiais da felicidade,


Foguetes, e pó de enxofre na claridade nocturna do sentimento,


Sofro, sofro e guardo no sorriso a tua despedida…


Sangrando as avenidas


Desta cidade perdida,


Um diário disperso, um livro desassossegado,


O vazio buraco negro do desgraçado…


Mendigo da multidão,


Haja alegria e pão na eira,


Que no corpo da feiticeira


Argamassam os lábios da solidão,


Não durmo, meu amor, deixei de dormir, meu amor…


E passo a horas a desenhar,


No teu corpo, meu amor,


O delírio fantasma da paixão.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 11 de Junho de 2017


11.04.17

O dia vai longo, meu amor,


É quase noite e vejo-me enrodilhado de palavras órfãs que se masturbam junto à paragem do eléctrico,


Dos poucos livros que me restam apena o “fugitivo” ficou a acompanhar-me,


Dizem todos que sou louco, meu amor,


Porque gosto mais de brincar com as palavras do que jogar futebol na areia da parai, onde em criança, esquecia-me das tardes no Mussulo,


O destino vingou, das minhas mãos deixou de haver areia húmida e pedrinhas… que deitava escrupulosamente para um balde em plástico e depois enchia os bolsos de recordações,


O teu olhar, meu amor, na ausência das pálpebras incendiadas pela escuridão,


Ao longe um comboio recheado de crianças e palavras,


Barulhentas, brincalhonas como são as árvores no Outono, diariamente sinto no corpo o dardo envenenado dos teus lábios, quando sei perfeitamente que o amanhã não existirá mais…


Hoje pertenço-te…, hoje pertenço-te e pertenço-me, somos dois catetos galgando as tristes paredes de xisto da tua boca, vim de longe, segredei-te sem perceberes que eu te mentia, nem à hipotenusa consegues chegar… quanto mais a cateto…


Ou a triângulo rectângulo…


O dia vai longo, meu amor,


É quase noite nos meus olhos, e lá fora uma velha cancela geme, os pregos enferrujados, as ripas entrelaçadas num emaranhado de sombras regressadas do Além…


Roço-me no teu corpo e morro.


Abraço-te.


Sem dizer ou escrever que te amo…


 


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 11 de Abril de 2017


20.10.15

O inferno estava próximo, do corredor entranhava-se no meu corpo o cheiro a enxofre e a gajas nuas,


Menos tabaco nesses cigarros…, gajas no inferno?


E canteiros recheados de malmequeres, crisântemos e orquídeas selvagens, imperfeito, o vidro estilhaçava-se, ficou sem cabeça, ficou sem coração, e ficou com o medo misturado nos óbitos grãos de areia, ainda hoje acredito que um objecto depois de crucificado… permaneça o mesmo objecto, mas com formas e cheiros e desenhos…


Menos tabaco, amigo, menos tabaco,


Diferentes, tornam-se ausentes, tornam-se miúdos brincando no musseque, os charcos, o capim descendo a rabina, o miúdo do bibe acreditava na liberdade, e é tão difícil ser-se livre nesse País, tão difícil meu pai, tu sabes


Menos tabaco, menos,


Tu sabes que vivi encerrado entre quatro paredes invisíveis, tu sabes que vivi entre três janelas sem vista para o mar, mas sentia-o no meu quarto,


Lembras-te, filho? Os Domingos junto ao Porto e os barcos pareciam cancelas suspensas na madrugada, lembras-te, filho? Os Coqueiros, as gaivotas comendo os Coqueiros, e tudo apenas imagens a preto e branco do meu imaginário, porque, meu filho


Sim, pai?


Lembras-te do Mussulo?


Sim, pai, sim… a areia recheada de lençóis brancos, a poeira do cansaço vomitando languidas lâminas de azoto, e depois, e depois regressava a noite, dormias, sonhavas, gritavas… e eu, eu sem dormir, comer,


Ao longe, meu amigo, ao longe o inferno, as gajas, as nuas gajas junto à porta do inferno,


Louco, menos tabaco nesses cigarros, menos,


Ao longe a agonia do fim de tarde agachado em cima de um telhado em zinco abraçado a um livro, não sabia ler ainda, mas lia-o, absorvia-o, como hoje o faço, e não sabia ler ainda,


E tu, pai, e tu emprestavas-me os teus livros, e eu, eu dilacerava-me com o cheiro do papel, com as letras, com as imagens, com as tuas palavras “estes livros não são para a tua idade” como se houvesse idade para se manusear e cheirar e “foder” um livro… vigava-me, riscava-os, tal como as paredes do corredor, riscos, riscos, um livro entre gemidos, um livro em pleno orgasmo… Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii…


Desaparecem todas as palavras, o inferno estava próximo, do corredor entranhava-se no meu corpo o cheiro a enxofre e a gajas nuas, pensei (estou em cais do Sodré) não, não estava, nunca lá estive e nego-o, absolutamente,


Menos tabacos nesses cigarros, menos


Aproximava-me, lentamente a minha verticalidade diminuía, sentia-me um miúdo de bibe gritando, berrando, “fodendo” livros com uma caneta de tinta permanente, e nada, até hoje, nada, morreu ele, morri eu, morremos todos.


 


(ficção)


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Terça-feira, 20 de Outubro de 2015


25.08.15

Desenho o sono na almofada do sofrimento,


Pego nos sonhos…


E espalho-os sobre a areia límpida da terra queimada,


Que saudade do cheiro da infância


Correndo no Mussulo,


Que saudade da chuva e do cacimbo…


As mangueiras voavam sobre mim,


Inventava palhaços de pano e triciclos de papel,


O vento embrulhava-se neles,


Eu acorrentava-me às mãos do silêncio,


Desenho,


Desenho o sono na almofada do sofrimento,


Pego nos sonhos…


E escrevo-te estas palavras que roubei às tuas fotografias,


Depois veio a tempestade,


O sono que era apenas um desenho, hoje, hoje é um amontoado de destroços baloiçando no mar,


O barco que nos trouxe morreu,


Os marinheiros, alguns, alimentam-se da sombra num qualquer engate na cidade das gaivotas,


Os cigarros do Tejo… esperam o meu regresso,


E um dia, e um dia regressarei aos teus braços, meu amor.


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Terça-feira, 25 de Agosto de 2015


09.05.15

Fiquei sem palavras


Entre três paredes de nada


Esqueci como se vive


Porque perdi-me na estrada


E o sol


Deixou de brilhar na minha aldeia


Tenho saudades


Pai


Dos Musseques


E das gaivotas


Do Mussulo


E dos machimbombos


Em rodopio silêncio


Percorrendo ruas de uma cidade inventada


E a carta


Nunca regressou


Nem vai regressar


Às tuas mãos


O barco que nos trouxe


Levar-te-á


Até ao infinito Oceano do Adeus


Como uma rocha de sílabas envenenadas


Descendo lentamente o papel húmido da madrugada


Tenho medo


Pai


Dos cinco pilares de areia


Que desenhavas na minha mão


Ao pôr-do-sol


Os barcos


E os marinheiros quando brincavam no teu olhar


Nocturno


Viajante


Dos destinos indesejáveis


O ferro em brasa no teu sofrimento


Tenho medo


Pai


(Pai


Dos Musseques


E das gaivotas


Do Mussulo


E dos machimbombos


Em rodopio silêncio)


Como só a morte o sabe fazer…


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sábado, 9 de Maio de 2015


29.03.15

Os colchões de areia do Mussulo


A hipotenusa brincando no quadrado


E num pulo


O mar


Esboçado nas trincheiras da melancolia


A dor


Adquiríamos as ventosas do desejo


Debaixo dos abraços cinzentos


Nos telhados de vento


O tempo indisponível


Tente mais tarde


Ouvia-a depois da luz se extinguir


Nos rochedos negros do púbis


Havia música nas janelas que o luar desenhou


Nas tuas coxas


Deus brincava nos teus pincelados lábios


Pedia-lhe


Não me respondia


A fala


A palavra prometida


Assustava-me


E fugia


Libertava-me do incenso


E das canetas de prata


Alimentava-me dos brinquedos em plástico


Entre as sombras das mangueiras


Os homens


As mulheres


Ao portão…


Abraçava-me


Beijava-me


E no entanto


Era apenas uma fotografia


Sem pátria


Que gemia


E não sentia


E havia


Nos seus ombros


Um triciclo envenenado pela fogueira da paixão


Eu


Eu tremia


Sem saber que o barco me levava


Nunca mais me trazia


A esta terra sem capim


Nem árvores de veludo


O teu corpo imaginava-se nos tristes arvoredos do sonho


Antes de adormecer


Eu… eu escrevia


Olhávamos as almas


E os becos escondidos na cidade


O Tejo entre azulejos


E livros


O caderno junto aos teus seios


Tão pequenos


Como as estrelas


Como os cinzeiros


Semeados na minha secretária


Papéis orvalhados nos condomínios de luxo


As portas do inferno


Comendo os teus geométricos olhos


Vai caminhando na voz enrouquecida das abelhas


E dos veleiros nocturnos da solidão


Hoje recordo-te nos colchões de areia do Mussulo


Como recordo as avenidas embriagadas


Pelo silêncio obscuro


Sempre tive medo dos teus cabelos


Abraçava-me


Beijava-me


E era apenas uma fotografia


Tão triste


Tão triste que durante o dia


Ardia…


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 29 de Março de 2015

...


23.02.15

Desenho_A1_078.jpg


 


(desenho de Francisco Luís Fontinha)


 


 


Os sete orgasmos do Mussulo, a liberdade sobre as palmeiras invisíveis que me atormentavam, como campânulas de sofrimento, ao deitar, o caixão que dançava deixou de o fazer, dificuldades com o cachê, dispensa de artistas e cadáveres de cera, um altar recheado de almas, tantas almas como os versos do sem-abrigo quando sentado numa cadeira apodrecida de um circo ambulante,


Quero ser artista, mãe!


Nem penses..., nem... penses...


Filho meu não é artista!


Nunca,


Nunca, mãe?


Os sete, juntos, e sós, no Mussulo era mais barato, a saia descaída, o soutien desenhado no peito


E...


Nunca, mãe?


Nunca,


Nunca


No peito uma flecha de sémen rodopiando no gelo do ringue de patinagem,,,, o belo, a dança... e o corpo em pequenas rotações...


 


 


(ficção)


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2015


07.12.14

Oiço as tuas palavras mastigadas em prazer,


sinto o círculo das tuas coxas alicerçado ao centro geométrico do meu corpo,


somos apenas um ponto perdido no espaço...


traçamos parábolas na cintilante areia do Mussulo,


e há na tua pele de neblina adormecida... flores,


gaivotas,


revoltas,


palavras gritadas em vão...


e gemidos rochedos ao pôr-do-sol,


não habito em ti... mas há barcos nas nossas veias,


cansados de amar...


marinheiros sem pátria,


toda a gente nos apedreja com silêncios


e medos desgovernados,


somos um ponto em movimento,


temos coordenadas,


e... massa,


a luz que nos ilumina esconde-se entre a chuva miudinha do fim de tarde,


e toda a gente,


em delírio...


chicoteando as nossas sombras,


em pedaços de fotografias embriagadas pelo suicídio...


oiço as tuas palavras mastigadas em prazer,


nesta cidade em ruínas...


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 7 de Dezembro de 2014

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2012
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2011
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub