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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


08.08.23

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Árvore do seu viver

Árvore que dança na alvorada

Árvore que sofre para viver

Árvore que não desiste quando está cansada,

 

Árvore em destino luar

E das estrelas amanhecer

Árvore de lágrima no olhar

E das tempestades de sofrer,

 

Mulher árvore da árvore que não tomba

Quando o vento sopra de nortada

Quando o vento se veste de sombra,

 

E sem perceber que há um círculo de luz

Na sua mão amarrotada,

Da sua mão árvore na árvore que a noite seduz.

 

 

Francisco


16.05.23

Fascina-me o xisto,

Minha querida,

Não sei…, mas… muitas lâminas…

Em cada lâmina, está uma carta escondida,

E sabes, minha querida,

Dentro de cada carta está uma morada,

E nessa morada,

Talvez esteja Deus…

 

Fascina-me o xisto,

E todos tivemos um Tablet (lousa) topo de gama…

Só na Casa Grifo,

Bom e barato.

 

Não, minha querida,

Não gosto do xisto apenas pela paisagem do nosso Douro…

Não,

Começo a ficar cansado de olhar tantos socalcos.

Como de tudo, minha querida…

Começo a ficar cansado…

Mas o xisto,

O xisto fascina-me…

Claro está, minha querida,

Claro está que o xisto nunca será jóia de adorno de uma mulher,

Porque é feia…

(a jóia construída em xisto, não a mulher)

Só se esta jóia servir apenas para a mulher atirar à cabeça do filho da puta que a espanca…

E aí, a jóia construída de xisto…

Seria a jóia mis linda do Universo…

Mas Deus não quer

E leva os bons e deixa os filhos da puta…

Tanto filho da puta.

 

Por aí,

Andando à caça de algo extraordinário…

(dizem que esta zona é boa em caça)

Algo de extraordinário, minha querida…

Tipo…

Tipo uma vaca com três cabeças e que dorme todas as noites sobre o Plátano de Alijó?

Que escândalo, meu querido…

Porque a vaca tem três cabeças?

Porque a vaca com três cabeças dorme todas as noites sobre o Plátano de Alijó…?

Não meu querido…

Aumentou novamente a gasolina.

 

Fascina-me o xisto,

Minha querida,

Não sei…, mas… muitas lâminas…

Em cada lâmina, está uma carta escondida,

E sabes, minha querida,

Dentro de cada carta está uma morada,

E nessa morada,

Talvez esteja Deus…

E se não estiver…

Espera que ele apareça.

 

 

 

 

Alijó, 16/05/2023

Francisco Luís Fontinha


05.05.23

Que todas elas

Têm nas mãos a singela madrugada,

Têm no sorriso, às vezes, as lágrimas deixadas pelo luar…

No final da noite estão cansadas…

Cansadas de lutar,

Cansadas de gritar,

Que todas elas

São mulheres… e são mães em flor de mar,

Que todas elas são tempestades,

Que todas elas…

São os poemas

E depois… são saudades.

 

 

Alijó, 05/05/2023

Francisco Luís Fontinha


01.05.23

Ser mulher é…

Ser mulher é ser flor,

Poema em cada dia,

Ser mulher é poesia,

É alegria,

Ser mulher é…

Ser mulher é ser mãe,

É ser companheira,

Amante…

 

Ser mulher é…

Ser mulher é ser a tua escultora,

Ser mulher é ser vida,

Vida que labuta dentro dela,

Ser mulher é aquela que te carrega,

Que te carrega e leva pancada do marido do namorado do companheiro do amante… (da puta que os pariu)

Que de um pequeno nada,

Passas a ser…

Tudo, para ela,

 

Ser mulher é ser um pedacinho de silêncio,

Um olhar no interior de uma janela,

Ser mulher é a palavra,

O dia,

A noite,

A noite depois do dia,

Quando do dia…

Quando do dia,

Foge a noite,

E poisa na cabeça dela,

 

Ser mulher é…

Ser mulher é ser o jardim do paraíso,

Às vezes,

Às vezes ser mulher também é ser…

Uma complexa equação diferencial,

Ordinária,

Não, não a mulher…

Mas a equação,

 

Ser mulher é…

Ser mulher é literatura, é ser pintura… é ser mulher,

Ser mulher é a paixão,

Quando a paixão voa sobre o mar,

E se não fosse a mulher,

Que é a tua mãe…

Tu,

Tu nem sequer sabias desenhar…

O cheiro do mar,

Tu nem sequer sabias o que era o mar,

 

E tudo,

Tudo porque Deus,

Sim, Deus…

Teve a feliz ideia de desenhar a mulher…

No sorriso do mar.

 

 

 

Alijó, 01/05/2023

Francisco Luís Fontinha


04.12.21

Mulher,

Silêncio que se despe em mim,

E mergulha na noite em papel;

A ousadia de viver,

Vivendo neste jardim,

Jardim a crescer,

Junto a este hotel.

 

Mulher,

Canção envenenada, palavra em revolta.

Mulher, criança mimada,

Mimada à minha volta.

 

Mulher,

Flor silêncio que se despe em mim,

Da noite em combustão,

Mulher,

Mulher de mim,

De mim, corpo paixão.

 

Mulher,

Corpo vestido de morte,

Cansaço desta montanha apagada,

Morte de má sorte,

Sorte em ser geada.

 

Mulher,

Que te vestes de mulher,

E ousas ser outra mulher.

Não te vistas,

Nem te ouses.

Mulher é mulher,

É poema,

Verso enfeitado,

Mulher é flor;

Não o sejas porque alguém o quer,

Porque mulher

É chama,

É livro envenenado,

É palavra e é amor.

Mulher,

Mulher é mulher,

Mulher é flor,

Mulher é amor.

 

Mulher,

Silêncio que se despe em mim,

E mergulha na noite em papel;

Mulher,

Não queiras ver o meu jardim,

Jardim de mulher,

Mulher

É amor,

É flor;

Mulher

É mulher,

Mulher é palavra semeada,

Mulher,

Mulher é livro, mulher é batel,

Mulher é poesia encantada,

Mulher,

Mulher é mulher,

Mulher de geada.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 4/12/2021


07.07.20

Lua mulher,

Corpo de luz,

Palavras vadias,

Cansaço dos dias,

Luz,

Corpo de lua,

Luar,

Em desejo,

Nua…

Abraçada ao mar.

Luar de mulher,

Palavras de vento,

Sorriso de gente,

Papel quadriculado,

Lua,

Corpo abençoado,

No tempo,

Quando desce a ribeira a montanha da fome,

Em delírio,

Sem nome.

Corpo,

Olhos de pergaminho,

Pássaro cantante,

Dançando no ninho,

Socalcos nos braços,

Enxada na mão,

Mulher em poesia,

Mulher em abraços.

Soluços da madrugada,

Luar,

Mulher desejada,

Na luz,

No poema…

Na alvorada.

 

 

Francisco Luís Fontinha

07/07/2020


16.03.19

Tudo o que há em ti, meu amor,


São sílabas envenenadas,


Nos lábios cansados,


Do poeta.


 


Tudo o que há em ti, meu amor,


São amêndoas em flor,


Nas mãos da madrugada…


São palavras inventadas,


Poemas revoltados…


 


Do poeta.


 


Tudo o que há em ti, meu amor.


 


Do poeta,


Os livros engasgados no teu ventre,


O poema abraçado aos teus seios, como uma caravela,


Esquecida no mar,


 


À deriva.


 


Tudo o que há em ti, meu amor,


Os pássaros que brincam no teu cabelo,


Olhando a calçada,


Quando desce a noite na pele cinzenta das árvores queimadas,


 


Tudo, meu amor.


 


Tudo se cansa em mim,


Como pedras ensanguentadas,


Os comprimidos do sonho,


A injecção da esperança,


E tu, meu amor,


 


Nesta amaldiçoada canção.


 


Tudo o que há em ti, meu amor,


A manhã em pequenas quadriculas de tecido,


A agulha, o dedal…


Junto ao mar.


 


Tudo o que há em ti, meu amor.


 


O desejo da paixão,


Num corpo apaixonado,


 


Tudo, meu amor,


Da janela desventrada,


O silêncio dos livros queimados,


Na tua ausência…


Do poeta,


 


Tudo, tudo o que há em ti, meu amor!


 


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 16/03/2019

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