Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


04.12.21

Mulher,

Silêncio que se despe em mim,

E mergulha na noite em papel;

A ousadia de viver,

Vivendo neste jardim,

Jardim a crescer,

Junto a este hotel.

 

Mulher,

Canção envenenada, palavra em revolta.

Mulher, criança mimada,

Mimada à minha volta.

 

Mulher,

Flor silêncio que se despe em mim,

Da noite em combustão,

Mulher,

Mulher de mim,

De mim, corpo paixão.

 

Mulher,

Corpo vestido de morte,

Cansaço desta montanha apagada,

Morte de má sorte,

Sorte em ser geada.

 

Mulher,

Que te vestes de mulher,

E ousas ser outra mulher.

Não te vistas,

Nem te ouses.

Mulher é mulher,

É poema,

Verso enfeitado,

Mulher é flor;

Não o sejas porque alguém o quer,

Porque mulher

É chama,

É livro envenenado,

É palavra e é amor.

Mulher,

Mulher é mulher,

Mulher é flor,

Mulher é amor.

 

Mulher,

Silêncio que se despe em mim,

E mergulha na noite em papel;

Mulher,

Não queiras ver o meu jardim,

Jardim de mulher,

Mulher

É amor,

É flor;

Mulher

É mulher,

Mulher é palavra semeada,

Mulher,

Mulher é livro, mulher é batel,

Mulher é poesia encantada,

Mulher,

Mulher é mulher,

Mulher de geada.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 4/12/2021


07.07.20

Lua mulher,

Corpo de luz,

Palavras vadias,

Cansaço dos dias,

Luz,

Corpo de lua,

Luar,

Em desejo,

Nua…

Abraçada ao mar.

Luar de mulher,

Palavras de vento,

Sorriso de gente,

Papel quadriculado,

Lua,

Corpo abençoado,

No tempo,

Quando desce a ribeira a montanha da fome,

Em delírio,

Sem nome.

Corpo,

Olhos de pergaminho,

Pássaro cantante,

Dançando no ninho,

Socalcos nos braços,

Enxada na mão,

Mulher em poesia,

Mulher em abraços.

Soluços da madrugada,

Luar,

Mulher desejada,

Na luz,

No poema…

Na alvorada.

 

 

Francisco Luís Fontinha

07/07/2020


16.03.19

Tudo o que há em ti, meu amor,


São sílabas envenenadas,


Nos lábios cansados,


Do poeta.


 


Tudo o que há em ti, meu amor,


São amêndoas em flor,


Nas mãos da madrugada…


São palavras inventadas,


Poemas revoltados…


 


Do poeta.


 


Tudo o que há em ti, meu amor.


 


Do poeta,


Os livros engasgados no teu ventre,


O poema abraçado aos teus seios, como uma caravela,


Esquecida no mar,


 


À deriva.


 


Tudo o que há em ti, meu amor,


Os pássaros que brincam no teu cabelo,


Olhando a calçada,


Quando desce a noite na pele cinzenta das árvores queimadas,


 


Tudo, meu amor.


 


Tudo se cansa em mim,


Como pedras ensanguentadas,


Os comprimidos do sonho,


A injecção da esperança,


E tu, meu amor,


 


Nesta amaldiçoada canção.


 


Tudo o que há em ti, meu amor,


A manhã em pequenas quadriculas de tecido,


A agulha, o dedal…


Junto ao mar.


 


Tudo o que há em ti, meu amor.


 


O desejo da paixão,


Num corpo apaixonado,


 


Tudo, meu amor,


Da janela desventrada,


O silêncio dos livros queimados,


Na tua ausência…


Do poeta,


 


Tudo, tudo o que há em ti, meu amor!


 


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 16/03/2019


04.07.17

Atravesso a cidade amedrontada,


Finjo não existir nas ruas sem saída,


A morte tem o seu encanto,


A partida… o não regressar nunca mais,


Atravesso a cidade sonâmbula que há em mim,


Deito-me no rio…


 


Sofro,


Choro,


 


E dizes-me que amanhã serei apenas poeira envenenada pela saudade,


 


A viagem às catacumbas do sono,


Invento desenhos no teu corpo,


Viajo incessantemente na sombra dos aciprestes…


E toco com a mão a fresca água da tua nascente,


 


Sofro,


Choro…


 


Enquanto houver luar.


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 4 de Julho de 2017


20.04.16

Sou a árvore sem medo de acordar


Sou o fruto proibido em cada amanhecer


Sou o silêncio do teu olhar


Nos dias de envelhecer


Sou a árvore da alegria


E a sombra da melodia


Sou a árvore “saudade”


Para recordar este dia


E nunca esquecer


A mulher da minha vida…


 


Francisco Luís Fontinha


quarta-feira, 20 de Abril de 2016


24.02.16

Amanheci nos teus braços


Desconhecendo o significado de amanhecer,


E mesmo assim


Consegui acordar


Desta nostalgia desconhecida,


Deste sofrimento de morrer…


Acordo sempre nos teus braços


E não sei como são os teus braços,


Amanheci…


Desconhecendo o significado da madrugada


Que se embrulha nos meus braços,


Estes… conheço-os,


Ao contrário dos teus que nunca tive o prazer de tocar…


Como são os teus lábios de amanhecer…!


Que eu procuro sem encontrar,


Amanheci nos teus braços


Desconhecendo o significado de amanhecer,


E mesmo assim


Consegui acordar


Desta nostalgia desconhecida,


Deste término de amar,


Como o silêncio de adormecer


Acreditando que tenho a minha cabeça deitada no teu peito…


Será que sim?


Ou sou uma árvore de um qualquer jardim


Que espera o regresso da noite…!


 


Francisco Luís Fontinha


quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2016

...


08.03.15

(para a minha mãe)


 


 


Anoitecia sobre os teus ombros, sombras de sal voavam no teu olhar, como serpentes de papel a brincar numa árvore, eu brinco, tu brincas...


Amanhã?


A luz, os anzóis da tristeza suspensos nos desejos de cristal, não durmo, os sonhos, morrem os sonhos, morrerem as amendoeiras em flor,


E eu,


E eu?


Amanhã, cor-de-rosa, húmidas canções de Primavera nas ilhargas do silêncio, habito, tu habitas e ele


Habita?


Onde, onde?


Ele perdido numa tragédia serrana, a montanha crescia, e ele


Habita,


Anoitecia, e ele caminhava ribanceira abaixo, entra nos picos da alegria... e todo o corpo desenhado, círculos de sangue vagueando nos seus braços, tive medo, mãe, amanhã, mãe, amanhã saberás porque existem os cavalos de areia, aqueles


Como os do Mussulo»


Sim, mãe, sim... como os do Mussulo...


 


 


(ficção)


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 8 de Março de 2015


07.03.15

Deitavas a cabeça na minha algibeira


e imaginavas-me um tumultuoso Oceano de cinza


abrias os olhos


e brincavas nos meus lábios


havia dentro de nós um vulcão adormecido


talvez doente...


ou... ou louco


como as imagens prateadas do silêncio


ardias


parecias a fugitiva clandestina das palavras embriagadas


e os outros


e as outras


 


ou... ou louco


e loucas


as bocas


dos triciclos de sombra


caminhávamos num sótão com janelas para o mar


os barcos


e as gaivotas


revoltados


revoltadas


em pequenas pálpebras de areia


os triângulos do orgasmo


abandonados numa cama húmida


 


imunda


desfeita em cacos


e gotículas de sangue...


a cidade


os pássaros em granito


gritando


uivando


como carnívoros corações de cor


amanhã


a cidade


sobre a minha algibeira...


um sorriso


 


e em cada amanhecer o toque da campainha


saltar a janela


e descer


até à ruela sem saída


um sorriso


uma aldeia vagueando nos meus abraços


como serpentes de iodo


vomitando poemas no meu peito


rangias


uivavas...


e querias-me


acorrentado aos teus desejados sonhos vestidos de adeus...


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sábado, 7 de Março de 2015

...


05.03.15

Os berros argamassados da menopausa, o sal brincando nas encostas do abutre negro, a carne em putrefacção, distante, os berros


Amanhã vamos?


Berros, os berros das medusas entranhados no corpo, os sonhos morrem, morrem os beijos e as carícias da madrugada, menstruais palavras dentro do poema, gritam, da menopausa, perdeu-se o silêncio eterno das andorinhas em flor,


João?


Sim, pai,


Onde puseste os meus óculos?


Sei lá...!


Dentro da fala, os sons em delírio, porque dentro deste quarto habitam livros decadentes, desenhos sem rosto, imagens, fotocópias de fotografias a preto e branco, muito longe


João?


Sim... pai...!


Os homens chegaram, temos de retirar todas as rosas do nosso jardim, não vamos deixar que nos penhorem a melhores rosas da aldeia, pois não'


Não, pai...!


Aos berros, da menopausa, o sal brincando nas encostas do abutre negro, sobre ela o beijo desenhado na areia, colorido, embrulhava-a numa estrofe envergonhada, levava-a para as cabanas dos sonhos adormecidos, cerrou os olhos


Foi bom, amor,


Só?



Os olhos na cárcere do sofrimento,


Stop...


Só, as sílabas dos fósforos em aventuras,


Stop, aos berros... o Rossio embriagado...


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quinta-feira, 5 de Março de 2015


31.12.14



(desenho de Francisco Luís Fontinha)


 


 


Do grito cinzento do silêncio


às amarras vocais dos nocturnos desejos de pedra


ama-se um poema


odeia-se uma flor acabada de nascer


fuma-se o último cigarro


inventam-se esconderijos no corpo de uma mulher...


o relógio não cessa de chorar


o barco que transporta a solidão...


ancorado ao meu corpo desprovido de agasalho


do grito cinzento do silêncio


às amarras vocais dos nocturnos desejos de pedra


uma cova... funda... me espera!


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quarta-feira, 31 de Dezembro de 2014


Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2012
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2011
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub