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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


29.01.20

Todas as coisas, possíveis, impossíveis,


Acontecem quando nasce em mim a noite.


O corpo range de sono, perco-me nas palavras da saudade,


Quando regressa a madrugada,


E, todos os pássaros voam em direcção ao mar.


Um barco chilreia, voa sobre o jardim das cantarias,


Flores dispersas, como mendigos apressados,


Brincando na eira,


Olham o cereal,


Deitam-se no chão,


E, sonham com o luar.


Todas as coisas,


Infinitas, finitas, nas mãos de Deus.


Um esqueleto de silêncio vagueia nas pálpebras da insónia,


Morrem as pedras do meu pobre jardim,


Levantam-se as migalhas da fome,


Quando um carnívoro de sombra, às vezes cansado, levita na escuridão da solidão.


Tenho fome;


Tive pai, mãe, e, nada mais…


Agora, tenho a floresta,


Os papagaios em papel, de três cores,


E, num pequeno caderno quadriculado, invento o sonho,


Imaculado, distante, ausente,


Como todas as coisas,


Possíveis, impossíveis.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


29/01/2020


13.12.14

Esta rua que me alimenta


esta rua que me corre nas veias


esta rua sem sombras


esta rua sem candeias,


tem plátanos embalsamados


tem gaivotas em papel


esta rua que me alimenta


esta rua dos silêncios embriagados,


das plumas enfeitiçadas


esta rua construída com sorrisos de vento...


a minha rua tem casas


e... e flores em sofrimento,


esta rua das noitadas


e dos cinzentos olhares com odor a poesia


na minha rua habitam canções...


e palavras em agonia,


ai... esta rua dos alentos em evaporação


e das barcaças em melodia


esta rua é vida


... esta é a rua da fantasia,


sinto a sinfonia


das tristezas disfarçadas de madrugada


esta rua nunca está cansada


esta rua... esta é uma rua apaixonada.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sábado, 13 de Dezembro de 2014

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