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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


09.03.15

Sinto as tuas lágrimas no espelho da manhã


como campânulas de luz embriagadas pelo silêncio


roubaram-me a esplanada e as cadeiras onde me sentava


e...


percebia quando passavas apressadamente


que o dia não tinha acordado


pálpebras cerradas


corredores escuros onde te escondias


quando regressava a noite


e...


percebia...


as vozes da saudade dentro de um cubo de vidro


 


os vultos nocturnos embrulhados na morte


como flores em decomposição


perdem o perfume


e a pele começa a envelhecer


transformam-se em cinza


cigarros a arder


cigarros procurando avenidas de voo


enquanto o fumo se distrai a observar o rio


transatlânticos


marinheiros de homens


engatados pelas árvores de um qualquer jardim


de uma cidade em construção...


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Segunda-feira, 9 de Março de 2015


18.01.15

Não sabia que o teu corpo era um rochedo sem asas


que tinhas nas mãos um barco em papel


sem marinheiros


sem passageiros


depois


acreditei que habitavam no teu peito os beijos nocturnos dos pássaros


sem árvores


sem... sem marinheiros


a tua casa parecia uma cidade de mendigos


recheada de sombras


e cordas invisíveis


havia o ruído em pedacinhos gemidos dos teus lábios


o sangue que vagueava nas tuas veias...


dormindo como dormem os rios e as ribeiras


sem passageiros


depois...


sem árvores


despindo as montras iluminadas das ruas acrílicas


doentes


e cordas


acreditando nas tuas fáceis palavras


deitavas-te no meu cadáver ausente


encostavas a cabeça na ombreira da minha língua


e esperavas


sonâmbula


humilde


como uma porta apaixonada


fumávamos os cigarros dos jardins de vidro


entrelaçávamos as mãos no luar


e mais nada...


e esperávamos pelo acordar da manhã


trazias na garganta um petroleiro


sem gaivotas


a morte


os cães inquietos nos socalcos dos teus seios...


voavam como silêncios de nata


tenho pena do teu corpo de rochedo sem asas


a tília embriagada na sucata diurna da solidão


havia sempre no teu corpo


uma chama


claridade fundeada na lentidão dos círculos


que a madrugada desenhava no teu púbis


tínhamos a paixão na algibeira dos corvos


o negro


as paredes cintilantes do teu sorriso


voavam


alegremente em mim


como um diário sem rumo...


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 18 de Janeiro de 2015


02.10.14

Estes versos não são teus,


não existem palavras para saciares os teus desejos,


anseios... e medos,


 


Não há mar sem rochedos,


nem barcos sem marinheiros...


estas palavras são beijos,


 


São torpedos...


veneno esponjoso que alimenta a garganta da dor,


estas palavras... estas palavras não são as palavras de amor!


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quinta-feira, 2 de Outubro de 2014


02.08.14

Lembras-me as jangadas de incenso nos braços de uma amada,


há dentro desta casa uma cancela em madeira,


uma cerca de prata,


lembras-me as sílabas com odor a madrugada,


numa cama onde habitam dois corpos embrulhados em azevinho,


há uma arca cerrada com cadeados de luz,


lá dentro, cartas... cartas vestidas de cinza,


migalhas,


seios de verniz suspensos no espelho das tuas pálpebras de alecrim...


lembras-me as jangadas com velhos bancos revestidos a amanhecer,


uma Lisboa apaixonada por transeuntes embriagados, loucos... e marinheiros de palha,


lembras-me uma cidade com vidros de papel,


 


E migalhas...


lembras-me as flores deitadas no teu peito,


um cigarro a arder..., um cigarro sem jeito nos lábios dos marinheiros de palha,


lembras-me os poemas por escrever,


quando havia no teu corpo pedaços de borboletas e canalha a brincar...


lá dentro, cartas... cartas vestidas de cinza,


e... e migalhas,


lembras-me as tardes sentado a desenhar o Tejo na minha mão,


inventava barcos de cartão,


inventava gaivotas com bolas de sabão,


lembras-me...


lembras-me o silêncio das jangadas de incenso!


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sábado, 2 de Agosto de 2014


01.12.13



foto de: A&M ART and Photos


 


não tínhamos nome


perdemos-nos na idade enquanto poisava no tecto do desejo a saudade


inventávamos estórias com pequenos paus de fósforo


aqueles...


que sobejavam dos cigarros perdidos na madrugada


não dormíamos


e não tínhamos nada...


cama


roupa


ou comida


lavada


não tínhamos nome


(morada


idade


sexo


não éramos nada comparados com os tristes cortinados das alvoradas sem tempestade)


percebíamos nada de poesia


tínhamos medo da literatura


e durante a noite...


dormíamos embrulhados às personagens que tínhamos lido quando ainda existia em nós a tarde junto ao candeeiro cinzento do jardim nocturno dos abismos rochedos de néon


os sexos mergulhavam na ponte metálica das treliças mãos que o desejo deixava em nós...


calculávamos o momento fletor das nádegas tuas quando lá fora uma equação de tédio


sem nome como nós


também


perdia-se nas sanzalas dos olhos verdes


o medo absorvia-nos


e a morte aos poucos


comia-nos como come os marinheiros de ombros sombreados nos petroleiros do fantasma envidraçado...


 


 


(não revisto)


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 1 de Dezembro de 2013



30.11.13



foto de: A&M ART and Photos


 


salivas-me as serpentes de fogo do relógio nocturno da escuridão


havíamos construído o pêndulo do desejo


que ficou no centro do vulcão teu beijo


às derramadas sílabas que a paixão enfurece


emagrece a montanha branca das ribeiras desertas


abraças-me em longos ramos de cetim


que escondem as janelas do quadriculado caderno das madrugadas embainhadas nos pulmões das aranhas de silício castanho


salivas-me as velhas cinzas dos cigarros embalsamados


e sinto-lhes o cheiro dos esqueletos de palha quando mergulham no rio dos Luares apaixonados


uma gaivota poisa nos teus seios de cartão


e sinto-te prisioneira das amarras vagabundas nas ruelas envergonhadas


salivas-me e deixo de ouvir os teus brincos telintarem nas lâminas dos veados negros


uivam os lobos do teu orgasmo


entre geadas e plumas num bar desgovernado quando me salivas as palavras prometidas então...


a púmice enrola-se nos sabres de luz teu corpo de orvalho


a alvorada estrelar das amêndoas com chocolate derretem-se nos teus lábios que me salivam as vozes íngremes desvairadas que o Inverno inventa nas lareiras do orgulho


tenho medo de ti


como sempre o tive quando vinham na minha direcção os eléctricos e as marés de sémen dos homens apátridas que a tempestade recriou no cenário da vaidade


sinto-lhes o cheiro a vodka quando atracam nos meus ombros sombreados


e pareço um transeunte mendigo de fotografia na lapela


um doente mental diplomado


descendo e subindo


escadas corpos medos


e salivas-me como se eu fosse uma rosa encarnada a envelhecer numa jarra falseada...


 


 


 


(não revisto)


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sábado, 30 de Novembro de 2013



18.11.13



foto de: A&M ART and Photos


 


não oiço a tua voz desde que terminaram as manhãs de orvalho


abríamos a janela do sonho


e víamos as acrobacias tontas dos pássaros embriagados pelas nuvens de cerâmica encarnada


havia na nossa mão pedaços de desejo


beijos


e réstias dentadas no teu pescoço deliciosamente belo e doce


como as cerejas


não oiço a tua voz fotocopiada desde que percebi ser um ultraleve magoado


uma jangada envidraçada


uma porta mal fechada


não te oiço desde que tínhamos pequenos sons melódicos em vasos de cristal


e brincávamos como crianças à volta de uma lareira esfomeada


 


dizíamos que o Sol era nosso depois de fazermos amor debaixo do candeeiro abandonado


beijos


como as cerejas


os vidros


e as paredes


caquécticas


e às vezes


lá tínhamos de correr em direcção ao mar


 


versos ancorados


quando no cais de desembarque o murcho sexo do marinheiro escapulia-se pelas frestas da madrugada doentia


em cio


corríamos como loucos vestidos de versos


e palavras sobrepostas como posições de embarque


fodíamos sem saber que o fazíamos


em cio


versos camuflados depois das tempestades de areia


tombarem sobre o teu corpo húmido de alvorada


e beijos


e caquécticas amêndoas brilhavam no teu púbis de Segunda-feira à noite...


 


 


(não revisto)


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Segunda-feira, 18 de Novembro de 2013



08.09.13



foto de: A&M ART and Photos


 


Aqui não há nada,


pensava eu,


aqui vive-se acreditando nos lençóis de insónia que durante a noite acordam das madrugadas incolores, os corpos vagueiam como pedras caindo do terceiro andar, depois uma fina chuva de sorrisos cai nas esplanadas cinzentas das avenidas ainda incógnitas, ainda virgens como árvores por descobrir no quintal lá de casa, abriam-se a janelas, abriam-se as portas e


pensava eu


aqui não há nada,


Depois diziam-me que as coisas iam melhorar, diziam-me que amanhã o sol acordaria dentro de mim, e eu, chateado


(acorda o caralho... porque só vejo calhaus e ferros em aço pedindo migalhas de pão)


chateado ouvia-os no varandim da casa amarela escrevendo frases de revolta na sombra dos lábios inchados pelos pequenos morcegos de negras asas em cartolina, e diziam-me que amanhã


Amanhã tudo será diferente,


(o caralho que será)


Amanhã como hoje, amanhã como ontem, amanhã como há vinte e cinco anos, as palmeiras, os semáforos avariados, as tuas coxas magricelas parecendo esteios de xisto mergulhadas em ocas palavras em desejo, amanhã, amanhã e ontem, e hoje, e amanhã as tuas mesmas coxas de ontem, iguais nada em ti mudou, nada... nem a cor dos olhos, da pele, do púbis, tudo igual, porra


(muda, amanhã, o caralho...)


Amanhã,


Muda, muda de coxas, muda de seios, muda a cor à pele de marinheiro poisando os cotovelos na escotilha do submarino que há dentro de ti, muda, alimenta-te de mim, alimenta-te dos pedaços de rosa que deixaste meus no interior de um livro, ainda existe?


Existes tu, coxas magricelas, leves, invisíveis quando o sol levanta voo e alicerça-se no teu peito doirado, chovia em ti, molhavas-te para te esconderes em mim, e de mim, e o amor és isto


(uma merda escrita num papel e outra merda descrevendo círculos numa branca tela, virgem, fina, magricelas, igual às tuas lâminas coxas)


Amanhã...


Existes em mim?


Claro que não, claro que n ã o...


Nunca


(muda, amanhã, o caralho...)


Porque aqui, aqui não há nada.


 


(Não revisto – Ficção)


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 8 de Setembro de 2013



22.05.13



foto: A&M ART and Photos


 


Mergulho na cidade perpétua, ambígua e solitária, mergulho-me como se eu pertencesse à classe dos aços carbono, um ser estranho, diletante, companheiro e amante de melodias poéticas, das flores carnívoras e das árvores em desenhos herbívoros, poisava-me no varandim com quatro cadeira de vime, uma mesa também ela de vime, e na companhia de três invisíveis cadáveres de areia, sobressaia um sorriso defunto com lágrimas de incenso, ouvíamos tocar o telefone, propositadamente, não atendíamos, tínhamos medo da cidade perpétua, tínhamos medo às sombras das sombras que subtraiam à cidade as saborosas multiplicações e divisões,


o miúdo dos calções, multiplicava beijos e dividia abraços, conclusão


Empobreci, quase tudo perdi, porque ninguém, a não ser numa outra cidade, ninguém enriquece multiplicando beijos e dividindo abraços, ninguém engorda lendo poesia, e ninguém, ninguém...,


conclusão, pertenço à classe dos aços carbono, tenho cento e setenta e cinco centímetros e vivo numa casa com silêncios em pedaços de rés-do-chão, na rua dos milagres, sem número, cidade perpétua, as pessoas apelidam-me de barra de ferro, e quando entro no café, quando tudo parece adormecido, ouvem-se os murmúrios das cadeiras vazias


Ninguém na sala, um exemplar espaço exíguo, liminarmente penumbro, vazio, ninguém se levanta à minha passagem, ninguém se recorda da minha existência, ouvíamos os candeeiros a petróleo quebrarem os vidros de gelo das janelas com inclinação a norte, um edifício de quase trinta e cinco andares, tão alto, meu deus, alto, tira-nos a visibilidade, acorda a neblina, e nem com os faróis de nevoeiro conseguimos ver o mar,


vazias?


Porquê?


vazias, e tristes, e longas manhãs de doce claridade, e


Traziam-nos os pães de leite em réstias de desassossego, e como hoje, e como agora


(um terramoto sonolento entranha-se-me)


e como agora, ontem, o nevoeiro entrava-nos porta adentro, brincava no corredor e depois de algumas horas, sentíamos-lo deitado no nosso sofá, vestido de criança, uma criança amena, simpática como todas as crianças, como todos os apitos dos petroleiros quando se fazem à costa, ao longe, ouvíamos-lhes os cigarros de enrolar perdidamente perdidos nos corações dos marinheiros com âncoras de plátano bordados com fio doirado,


e


Traziam-nos...


(um terramoto sonolento entranha-se-me)


… pequenas borboletas de papel, e ouvíamos-lhes os sonoros ruídos das montanhas ensanguentadas pelos perfumes marinhos, coisas tristes com roupa de uma cidade perdida e ausente, farta em alturas, até que quase, não nós, mas eles, quase que chegavam com as pontas dos dedos da mão ao céu,


Ao céu?


pode lá ser isso possível,


Nem que a cidade mude de nome, e de perpétua passe a chamar-se “a cidade da neblina encarnada” onde vivem barcos de porcelana, onde vivem meninas de olhar castanho com cabelos negros, meninas, e meninos, o circo, esta cidade, a cidade dos circos, palhaços, malabaristas, a minha apaixonada trapezista, e claro


pode lá ser possível, amanhã chover, amanhã acordarem as sobrancelhas e depois de levantadas, e depois do duche, voltarem para a cama, embrulharem-se nas pálpebras quebradas e numa voz húmida


Até amanhã, meu querido,


e numa voz húmida, cansada, (um terramoto sonolento entranha-se-me), e claro, o imprescindível AGENTE, o nosso querido Alberto, aquele que nos sustenta, aqueles que ainda acredita nas nossas capacidades, aquele... parvalhão, e de um até amanhã, meu querido, depois, descem os grandes rios às íngremes ruas da cidade, e claro


A tua inconfundível voz


até amanhã, meu querido,


Sem perceberes que amanhã já não vivo nesta cidade,


“mergulho na cidade perpétua, ambígua e solitária, mergulho-me como se eu pertencesse à classe dos aços carbono, um ser estranho, diletante, companheiro e amante de melodias poéticas, das flores carnívoras e das árvores em desenhos herbívoros, poisava-me no varandim com quatro cadeira de vime, uma mesa também ela de vime, e na companhia de três invisíveis cadáveres de areia, sobressaia um sorriso defunto com lágrimas de incenso, ouvíamos tocar o telefone, propositadamente, não atendíamos, tínhamos medo da cidade perpétua, tínhamos medo às sombras das sombras que subtraiam à cidade as saborosas multiplicações e divisões”,


sem perceberes que amanhã já não sou eu.


(ficção não revisto, o sono em decomposição, o cansaço sobrepõe-se ao livro que ultimamente tem vivido sobre a mesa-de-cabeceira, e em vez de folhear as páginas com sabor a “Abraço” de José Luís Peixoto, certamente folhearei os tristes lençóis com pronuncia de insónia... - Pronuncia? Sim, claro, propositada, e não Prenúncia...)


 


@Francisco Luís Fontinha



09.01.13

Há nele um louco amor que anoitece abraçado às montanhas onde vivem crateras e cereais de luz com sabor a chocolate, e pior do que isto, pensava ele


- Só a Coreia do Norte,


O que é para mim um louco amor? Não sei, não sei


- Só a Coreia do Norte,


Não


Pensava,


- Sei que, talvez, alicerçava nele as castanhas ruas da melancolia, desejava voar como voavam as carcaças de madeira à porta das tabernas nuas de espuma, sem janelas, e na proa dorme um marinheiro louco


O amor desejado quando o desejo é impossível de subir às lâmpadas corcunda da lua, asas de gaivota penduradas no mastro onde a vela da morte, balança, esquia, nua, as palavras do marinheiro amado louco sem mãos, e pensava ele


- Que o amor não se explica, vive-se, constrói-se como as pontes de aço sobre os rios amaldiçoados, enjoados, doentes, desde criança à procura de um cavalo branco, e desde criança


Só a Coreia do Norte,


- Não


Pensava,


- E desde criança os fantasmas vestidos com panos pretos deambulando de taberna em taberna, os marinheiros da aldeia dormiam, e as velas brancas com desenhos abstractos pediam vento para zarparem, não vinhas, parecias triste, e no entanto, e no entanto sabias que em cada casa havia uma tigela de fome e um pedaço de pão bolorento, e o arroz descia inutilmente a cada boca esfomeada como as serpentes dos jardins encantados quando um vulto embrulhados em panos deixa cair os sons melódicos de uma triste flauta, voavas sobre as árvores distantes das ruas castanhas que cobriam os seios da aldeia, estavas triste e pior do que isto


Só a Coreia do Norte, não, talvez, um dia disse que ia embora e que nunca mais regressava, não partiu e nunca regressou, dizem, quem sabe, que ele caiu num buraco negro e deve andar perdido como as abelhas quando cai a noite, mas ele nunca tinha olhado a noite


Pensava


- Não


Talvez só a Coreia do Norte, e o arroz descia inutilmente a cada boca esfomeada como as serpentes dos jardins encantados quando um vulto embrulhados em panos deixa cair os sons melódicos de uma triste flauta, voavas sobre as árvores distantes das ruas castanhas que cobriam os seios da aldeia, estavas triste e pior do que isto


Talvez,


- As grutas gargantas que dentro das montanhas habitam como túneis na Serra do Marão, suspensas as pontes, coitadas, braços e pernas enferrujadas, o lodo em ciúme clandestino que as putas flores deixam cair o perfume que da algibeira de cada marinheiro irrompe na neblina e finge em cada pinheiro um olhar de cio, pior do que isto?


Talvez, não sei, Só na Coreia do Norte,


- Enfurecias-te com a minha teimosia, os poemas eram todos uma merda, nenhum, nenhum se aproveitava, o amor desejado quando o desejo é impossível de subir às lâmpadas corcunda da lua, asas de gaivota penduradas no mastro onde a vela da morte, balança, esquia, nua, as palavras do marinheiro amado louco sem mãos, e tu pensavas que eu te mentia, e tu dizias-me: um túnel no Marão?


- Louco, o amor, a paixão e todos os marinheiros como as pontes suspensas de acesso ao túnel do Marão; doentes braços enferrujados, doentes pernas enferrujadas, loucos, aqueles que desenharam a lua sem portas e sem janelas, pergunto-lhes


Porquê?


- Se todas as caixas têm buracos para espiar a vida do vizinho, se todas as tabernas têm um marinheiro deitado na proa e um mastro com uma vela, e quando regressa o vento


Correia do Norte,


- Um louco em férias.


 


(texto de ficção não revisto)


@Francisco Luís Fontinha


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