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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


01.02.22

Das palavras desertas

Às palavras cansadas,

Das palavras infinitas,

Ou comestíveis,

Das palavras abertas,

Às palavras famintas;

Ou todas as palavras invisíveis.

Das palavras envenenadas,

 

O oiro moiro da saudade.

Nas palavras amadas,

Às palavras sem vaidade,

Nas palavras mimadas,

Um pouco de verdade.

 

Das palavras deste livro em combustão

Às palavras sem nome,

Das palavras do coração,

Alheio à fome.

 

Das palavras em ti,

Em ti sentir o verbo amar,

Nas palavras que vi,

Que vi junto ao mar.

 

Das palavras testamentais,

Dos poemas em jornais,

Das palavras aos pardais,

Nas palavras que andais.

 

As palavras – que tombam ao som de uma espingarda.

Nas palavras amadas,

Às palavras sem guarda,

Estas minhas palavras,

Palavras cansadas.

 

 

Alijó, 1/02/2022

Francisco Luís Fontinha


19.12.21

Uma estátua de luz

Suicida-se na cidade das marés envenenadas,

Traz a enxada,

Traz as madrugadas,

Traz as palavras,

 

E traz o falso oiro.

Deste poema,

Sobreviverá a todas as janelas quadradas,

Nas falsas alvoradas,

Nas falsas ribeiras ancoradas.

 

Uma estátua de luz

Que marcha na parada,

Ouve o grito do clarim sobre a ponte…

Corre, corre, corre até ao monte,

Corre… corre até desfalecer,

 

Gritar,

Chorar e gemer.

Aos uivos do teu corpo silenciar,

Gemem as palavras de escrever,

Morrem os pássaros de voar.

 

Uma estátua de luz

Suicida-se na cidade das marés envenenadas,

Correm, correm todos para a praça

Das esplanadas;

Assim seja, tristes madrugadas.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 19/12/2021


04.06.17

Suspendo nos teus olhos todas as palavras que não quero escrever,


Porque tenho o tempo limitado nas mãos do luar,


Suspendo nos teus olhos todos os sonhos que não quero viver…


Abraçado ao mar,


Recordo os barcos em papel que construías só para mim,


As ruas desertas e o som do capim…


Agora sou um desiludido com a vida suspensa no teu olhar,


Um homem que olha para a forca e para a faca invisível do sofrimento,


Construído em alumínio calcinado pela tempestade,


Adoro o vento,


E a cidade saboreando o vento…


Quero dormir e deixei de ter sono,


Porque nesta montanha onde habito,


Eu grito,


E escrevo nas sombras do destino,


Ai quando eu era menino…!


Ai quando eu era um vagabundo ouvindo o sino…!


E tinha sempre comigo a saudade.


 


Saberei esquecer nos teus olhos todas as palavras que não quero escrever?


 


Vejamos.


 


Ontem sonhei que fui atropelado pelo teu amor,


Um ramo de flores que trazias na tua lapela…


Como trago na minha um ramo de dor…


Ou uma canção tão bela,


Hoje termina o dia como terminam todos os dias…


Tristes e com chuva invisível,


 


Vejamos.


 


As laranjas são doces,


Perfumadas,


 


Encosta abaixo recordo as palavras assassinadas


Nas encostas das janelas entreabertas para o luar…


 


Vejamos.


 


As laranjas são doces,


Encantadas,


 


Quando o rio esconde madrugadas…


E nos teus olhos…


Suspendo todas as palavras.


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 4 de Junho de 2017


17.11.16

vozes


a camuflagem nocturna da paixão


nos meandros do sono anunciado…


os gritos


o subscrito lacrado


que o Doutor recebeu


do dependurado luar


enquanto escrevia


viu


viu o milagre acontecer


desceu as escadas


começou a escrever


sem recordar o espelho que envelheceu


numa tarde de Outono… mais adiante


lembrou-se da corrente


que trazia suspensa no pescoço


morreu


e via


as madrugadas


e a estrela que lhe mente


quando as vozes


vozes


adormecem no caixão


da paixão


vozes…


nas profundezas do poço


que o corpo não sente.


 


 


Francisco Luís Fontinha


17/11/2016


08.12.14

Sou um ignóbil cemitério de cinzas


recheado de falsos amanheceres


e de tristes madrugadas,


sou um pirata


que tem medo da noite,


sou... um pirata


de lata,


que chora e branca


nas sanzalas da infância,


sou uma sombra com odor a insónia


que não se cansa de lutar,


sou um ignóbil cemitério de cinzas,


 


prateadas


amadas


e cansadas...


 


arde a cidade do meu corpo


como plumas de sílabas enraivecidas,


tenho um livro na algibeira


sem palavras...


sem... sem brigas, sem... sem vírgulas,


sou um covarde vestido de luar


sou um desalmado com medo...


com medo de amar,


 


sou um ignóbil cemitério de cinzas


recheado de falsos amanheceres


e de tristes madrugadas,


 


sou a bailarina do desejo


em busca do sexo barato,


sou rua,


sou... sou lagarto,


sou... sou prostituta,


sou a âncora dos teus abraços


quando emerge em ti a sinfonia da paixão,


e todo o amor morre em tesão...


 


simplificado


os meus lábios inseminados pelos teus seios,


esta cidade que saltita no meu amor...


e me acolhe nos seus rochedos.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Segunda-feira, 8 de Dezembro de 2014


28.11.14

Os teus olhos pincelados de verniz


camuflados no sombreado silêncio de uma ardósia


a tarde sem destino


e o menino...


embrulhado nas palavras adormecidas pelo giz


que só o luar consegue apagar


e destruir


o barco vai partir


sem conhecer a direcção...


ou... ou o cais para ancorar


e há uma corda suspensa nos lábios da solidão


que transcende o homem que deseja mergulhar no Oceano,


o desengano


do desassossego vestido de beijo enfeitiçado


a menina dança?


os teus olhos que só os pássaros percebem


o teu corpo de esferovite à deriva na planície das lágrimas incendiadas pelo areal...


um grito de revolta


alicerçado ao magnetismo esconderijo das geadas envenenadas


a embriaguez estonteante das madrugadas


quando o relógio de pulso se suicida num abraço de cartão canelado


e o homem responsável pelos teus olhos pincelados de verniz...


… morre lentamente na fogueira da paixão


como a perdiz


nas garras do amanhecer


e nesta vida de viver...


os teus olhos são cerejas de sofrer.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sexta-feira, 28 de Novembro de 2014


30.07.14

Não sei porque chora,


este granito das arcadas em flor,


porque se cansa esta cidade...


porque morre este amor,


se a noite não vai acordar,


e a tarde,


e a tarde teima a alicerçar-se nos lábios da dor,


não sei porque chora,


este granito sem cor,


que no cansaço mora,


que dos abraços inventa as palavras de amar,


quando se dissipa no teu corpo o silêncio grito...


não sei porque chora,


este granito em teu olhar,


esse corpo fervilhando em desejo,


não o sei, agora,


se esse granito é luar...


ou... ou se é um beijo,


não o sei...


porque chora este granito das arcadas,


em flor semeados os seios da alvorada,


este granito das madrugadas,


que um dia desenhei,


e hoje, e hoje não é nada.


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quarta-feira, 30 de Julho de 2014


28.06.14

(para a amiga Sónia Lázaro)


 


O sol que constrói sorrisos,


o sorriso que desperta madrugadas,


o corpo que fascina os poetas...


um livro por escrever,


nas palavras inventadas,


 


A cidade incandescente,


a fogueira que arde,


e sente,


o cansaço do amanhecer,


 


O sol que constrói sorrisos,


o olhar que alicerça poemas,


os lençóis da insónia...


quando o mar alimenta o desejo de partir,


 


O sol... das pálpebras em movimento,


o sorriso solitário dos Invernos com sabor a Primavera,


o Sol... e os sorrisos,


e o amar suspenso nas mãos de uma gaivota,


… a gaivota saudade.


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sábado, 28 de Junho de 2014


21.06.14

Envelheces-me,


desenhas rugas nas minhas pálpebras envernizadas,


dizes que o meu corpo, dizes que o meu corpo é uma jangada apodrecida,


à deriva, como as gaivotas apaixonadas,


como as madrugadas,


também elas, tal como eu, envelhecidas,


tristes...


e... e cansadas.


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sábado, 21 de Junho de 2014


22.05.14



foto de: A&M ART and Photos


 


sou uma triste borboleta


cansada de voar


um rio que deixou de correr para o mar


o barco


uma pedra a chorar


sou uma triste borboleta


com olhos de insónia


com asas de papel


com mãos de amónia


uma triste borboleta


eu sou


como as madrugadas de mel...


 


sou uma triste borboleta


em busca do Inverno


e desce a noite aos teus cabelos


e acorda o maldito Inferno


e deixo de viver


e deixo de habitar


os teus olhos sem palavras de escrever


sem as palavras de sofrer...


uma triste borboleta


cansada de voar


cansada de amar...


nas manhãs da manhã ensonada.


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quinta-feira, 22 de Maio de 2014


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