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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


01.02.23

De Deus, nada sei.

Apenas que nas suas mãos,

Poisa um sorriso de luz,

Enquanto as madrugadas,

Depois das noites em luar,

Dormem pedacinhos de lábios de mel…

 

Há barcos imensos,

Dentro do Oceano do sono,

E Deus, sentado na sua poltrona,

Com um servocomando,

Brinca às escondidas com todas as flores,

Flores apaixonadas,

Flores que amam os barcos imensos,

E que são rimas do poema,

Flores esquecidas…

 

Se Deus quiser,

Tapa o sol com o cortinado da paixão…

 

Mas Deus não se mete nessas coisas,

Deus está preocupado com o silêncio do teu olhar

E com a solidão dos teus lábios,

 

De Deus, nada sei.

Apenas que nas suas mãos,

Poisa um sorriso de luz,

Enquanto as madrugadas

Fumam as palavras que escrevo na triste ardósia do teu cabelo.

 

 

 

 

 

Alijó, 01/02/2023

Francisco Luís Fontinha


30.01.23

Somos servomotores

Em dentadas rodas,

Temos nas mãos rotores,

Em passo motores,

Correias,

Correntes,

Vidas passadas

E vidas presentes,

 

Díodos de zener,

Amplificadores,

Montes e ventoinhas

E grandes amores,

 

Somos motores,

Suspensão,

Vielas e supositórios…

 

Tudo o que o senhor doutor queira…

 

Em todo o caso,

Pega-se num circuito integrado,

Uma pobre espingarda apaixonada,

Depois…

Lá vem a merda do silêncio

E da madrugada

E mais nada,

 

Controladores,

Drivers,

Cabelo cortado,

E quando damos conta,

Uma pobre chapa em zinco,

Foge,

Corre,

Desce do telhado,

E senta-se junto ao rio,

 

Porra – que frio,

 

E para quê tudo isto,

Se amar uma mulher é mais fácil de que construir uma ponte,

Uma cabeça zangada,

Um triste monte,

Aquele monte das árvores alegres,

 

O motor roda,

A roda fode a cabeça ao mecânico

Que coloca o motor no caixão,

(o caixão da pedrada)

O caixão fecha-se,

Deita-se,

E morre,

 

E o mecânico,

Num ápice,

À dentada,

 

Corta os fios eléctricos da alvorada,

A cachopa geme de desejo,

E do desejo,

Uma volta completa,

Deste e daquele servomotor,

 

E fodidos estão,

Todos aqueles que pensam que o díodo de zener

Não serve de apelido ao menino;

A senhora professor grita

- Menino zener,

E quando a professora gritava,

Eu, o coitado dos calções,

Apanhava mais porrada,

Do meu pai não, porque era um bacano…

Mas ficava com os cornos a arder

Com as chapadas da minha mãe,

 

E quando a minha querida mãe me perguntava

- Menino dos calções, correu bem a escola?

Eu respondia que sim,

Pois claro,

Porque mentir para mim

Significava o perdão de uma carga de porrada,

 

E assim eu me librava.

 

 

 

 

Alijó, 30/01/2023

Francisco Luís Fontinha


28.01.23

Traz o sono a esta lareira,

Traz nos teus lábios os incêndios da madrugada,

Traz as palavras para eu semear…

Semear nesta terra queimada,

 

Traz a tua mão,

A mão que o meu rosto vai acariciar,

Traz a lua

E a filha da lua

E o deslumbrante luar,

 

Traz-me os livros que escrevi,

Para escrever nos teus lábios,

Traz o sono a esta lareira

E todos os poemas,

E todas as estrelas

E todas as savanas,

 

Traz-me todos os rios,

Todos os mares…

Traz-me as árvores

E os pássaros de cantar,

Traz-me a chuva,

E faz com que as nuvens parem de chorar.

 

 

 

 

Alijó, 28/01/2023

Francisco Luís Fontinha


28.01.23

Às vezes, era o vento que nos tombava,

Outras vezes,

Era a chuva que iluminava os nossos olhares,

Às vezes, sentíamos uma voz que nos chamava,

E de tantas vezes, as outras vezes,

Éramos tempestade na revolta dos mares,

 

Às vezes, escrevíamos na terra enlameada,

Às vezes, sonhávamos com o luar,

E das tantas vezes que esquecemos a madrugada…

Havia sempre um pequeno lugar,

 

Um pequeno lugar sem nome,

Um lugar que às vezes, das vezes,

Nos dava tanta fome,

 

E não era a fome do pão, meu Deus…

 

Porque às vezes, não tínhamos no peito um coração,

Uma bomba perfeita,

Quase sempre tínhamos na mão,

Na nossa pequena mão…

Uma lágrima desfeita.

 

 

 

 

Alijó, 28/01/2023

Francisco Luís Fontinha


26.01.23

Das engrenagens da vida,

As correntes,

Correias,

Parafusos de pressão,

 

Esta mão,

Nesta pequena mão,

 

Rolamentos apaixonados,

Casquilhos,

Vedantes,

Meu Deus…

 

Transmissões,

Quando do vento,

Recebo do teu olhar,

O sol,

A paixão,

 

Tudo isto eu sinto,

De tudo isto me alimento,

Óleos,

Rodas dentadas,

Enquanto no teu sorriso…

Do teu olhar…

Vêm a mim as alegres madrugadas.

 

 

 

 

Alijó, 26/01/2023

Francisco Luís Fontinha

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