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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


03.11.23

Perco-me nos teus olhos

E procuro o silêncio,

E afago o teu cabelo,

Perco-me nos teus olhos

Enquanto a noite desce sobre a tua mão,

Sabendo eu que a noite é um pedaço de tecido,

Um cortinado que não me deixa ver o mar,

 

Perco-me nos teus olhos,

Flor em papel crepe,

Luar que incendeia a insónia

E depois lança contra a montanha,

A minha solidão,

A minha triste memória,

 

Perco-me nos teus lhos,

E procuro o silêncio,

E procuro o silêncio dos teus lábios,

Nuvem de algodão-doce,

Poema da manhã…

 

Perco-me nos teus olhos,

E ignoras que também eu tenho olhos…

Mas tu, tu não te perdes nos meus olhos,

 

Perco-me nos teus olhos

E procuro o silêncio,

E afago o teu cabelo,

E o mar do teu olhar me abraça,

E o mar do teu olhar me beija…

Enquanto a noite se esconde na minha lareira.

 

 

 

03/11/2023


29.10.23

São simples, os nossos fins-de-semana,

São tão simples, meu amor…

Deixamo-nos ir ao som da lareira,

Os teus olhos, abraçam os meus olhos,

Os meus lábios, escrevem, os meus lábios escrevem nos teus lábios,

E do luar do teu sorriso,

Recebo o silêncio do meu desejo.

 

São simples, os nossos fins-de-semana,

Tão simples como os poemas que te escrevo…

E vou começar a deixá-los sobre a almofada,

Tão simples, são os nossos fins-de-semana,

Deixamo-nos ir ao som da lareira,

E só regressamos de madrugada,

E regressamos um só corpo; o meu corpo e o teu corpo são apenas um corpo.

 

Depois, muda a hora e a puta da noite vem mais cedo,

Não fosse isso, meu amor, não fosse isso e os nossos fins-de-semana eram tão simples…

E tão lindos,

Nos braços destas flores em pequenas lâminas de luz que da lareira brotam…

E são tão simples, meu amor, são tão simples.

 

Depois, mais logo, leio-te “Flor de Fumo” de Nadia Anjuman…

E aí sim, temos a perfeita simplicidade da vida,

De ser feliz,

De abraçar os teus lábios na madrugada,

E perceber que sou apenas uma palavra que fugiu de um qualquer poema…

De uma qualquer sebenta de um adolescente apaixonado…

 

São simples, os nossos fins-de-semana,

São tão simples, meu amor…

Deixamo-nos ir ao som da lareira,

E esquecemo-nos que estamos abraçados ao beijo.

 

 

29/10/2023


29.10.23

Poetiza-me com os teus lábios nos meus lábios

Mulher do meu sonhar

Palavra que a manhã lança ao mar,

Poetiza-me com as tuas mãos

Acariciando o meu rosto poético,

Poetiza-me menina das madrugadas

Quando desenho o beijo no teu ombro

E perco-me no teu pescoço,

Como um menino mimado,

Como um menino de ti,

 

Poetiza-me com toda a tua força,

Com todo o teu saber,

Poetiza-me com as palavras que te escrevo,

Com as palavras que semeio no teu seio,

Poetiza-me com os teus lábios nos meus lábios,

Com a tua boca na minha boca,

 

Poetiza-me todos os dias,

A todas as horas,

Em todas as noites,

Quando te abraço,

Quando me perco em ti,

Quando me perco neste salgado mar de inocência,

Poetiza-me nesta canção de Outono,

Com folhas lapidadas,

Das árvores,

E dos pássaros…

 

Poetiza-me com os teus lábios nos meus lábios

Mulher do meu sonhar

Palavra que a manhã lança ao mar,

Poetiza-me com as tuas mãos

Acariciando o meu rosto poético,

 

Poetiza-me com o teu cabelo poisado no meu peito,

Poetiza-me na insónia da noite,

Da insónia em desejo,

De pegar na tua mão…

E morrer,

Poetizado pelos teus lábios de mel.

 

 

 

29/10/2023


27.10.23

Pareces um anjo do meu sonhar,

Flor do meu jardim,

Poesia

Do meu dia,

Pareces uma estrela-do-mar

Quando dormes assim,

Embrulhada no perfume da insónia,

Pareces um anjo do meu sonhar,

Pintura da madrugada,

Pareces uma flor,

Uma flor do meu jardim…

Que nunca se cansa de te olhar.

 

 

27/10/2023


26.10.23

Silêncio

Tuas mãos em meu rosto

Tuas mãos abraçadas ao meu coração

Teus lábios de Agosto

Quando o mar se veste de canção,

 

Silêncio

Quando o mar é a luz do meu amanhecer

E dos teus olhos recebo a manhã em despedida

Que não se cansa de crescer

Que não tem medo da partida,

 

Silêncio

Tuas mãos em meu rosto

Teu sorriso embriagado em maré diáfana

Meu silêncio desgosto

De ver partir a manhã profana.

 

 

 

26/10/2023


25.10.23

Sento-me nesta cadeira fria

E cinzenta

Sento-me nesta cadeira em solidão

Que lamenta

A flor-cardo que afugenta do coração

O medo que sentia,

 

De me sentar

Nesta cadeira

Escura e fria

Parecendo o remorso de uma ribeira,

 

Sento-me nesta cadeira

E pela janela olho a manhã em despedida

Que corre calçada abaixo em correria

Não percebendo que nesta cadeira

Habita o sonho da partida

Em direcção à fogueira,

Em direcção ao nada,

 

Nesta cadeira fria e escura e sem madrugada

Sentada

Sobre mim a forca da alvorada

De corda na mão e silêncio nos lábios

Me aponta a caneta para escrever

O meu último desejo;

Escrever até morrer,

E morrer em teu beijo.

 

 

25/10/2023


15.10.23

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O cachorro não cessa de latir

A janela do quarto

Deixou de abrir

A chuva cai

A chuva traz vinho

E pão

Também

E às vezes

A chuva vai

Depois vem

E rima

Com ninguém

 

Ninguém à mesa

De alguém

Que já foi tudo

E hoje

E hoje entretém-se a comer chocolates

Coisas raras e boas

Castanhas assadas

E viagens sem fim ao fim-do-fim

Entre parêntesis

E a rima

E a rima com noite desgovernada

 

Que tinha não mão uma granada

E a rima

E pimba

A bala disparada

 

Contra o peito do magala

 

O cachorro não cessa de latir

A janela do quarto

Deixou de abrir

A chuva cai

A chuva traz vinho

E pão

E a chuva vai

E a chuva vem

Sem saber que do tecto cai

Que do tecto também

Uma nuvem sai…

E uma nuvem vem

Aos braços de alguém.

 

 

15/10/2023

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