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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


18.12.15

Sinto a espuma do teu olhar


Dentro das paredes do meu corpo


Eleva-se e evapora-se


Como farrapos de poesia poisados nas pálpebras da solidão


Este corpo que nunca me pertenceu


Foi alugado ainda eu criança…


Numa rua sem nome de uma cidade sem idade


Num País sem destino,


 


Sinto-a


Como sinto as tuas mãos de porcelana


No meu rosto


Às vezes invisíveis


Outras… tristes e obscenas


Como um livro


Que dorme numa prateleira de cetim


E que habita num qualquer jardim.


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


sexta-feira, 18 de Dezembro de 2015


16.03.15

A melodia nocturna da aventura


os esteios do silêncio abraçados ao cansaço


desespero


e espero


que acorde o dia


sem amargura


sem... sem cortinados de penumbra


baloiçando no pescoço da saudade


os cigarros entre as estrelas


os dedos mergulhados nos teus seios


acesos


em espuma


palavras


números


portas


e ruas


despidas


nuas


e sinto do outro lado do rio


os guindastes da solidão


voando como gaivotas


livres


como os barcos


sem marinheiros


sem...


acesos


os ossos em papel


das migalhas invisíveis do voo


o infinito


destino


das mãos


quando alguém desiste do luar


e sem... acesos


os ossos


o infinito destino


das mãos no leito do sono...


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Segunda-feira, 16 de Março de 2015


21.03.14



foto de: A&M ART and Photos


 


Nas minhas mãos cinzentas,


promíscuos cigarros me enganam...


obscenas, elas, elas vestidas de papel de parede,


nas minhas mãos habita uma árvore de nome Primavera,


e eu, sem o saber, escrevo no seu tronco as palavras minhas da noite incógnita,


ela, ela chora, ela, ela não tem corpo, ela, ela é de porcelana invisível,


e vive numa cidade, com nome...


“a cidade do amor”... a cidade que me engana.


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sexta-feira, 21 de Março de 2014



09.02.14



foto de: A&M ART and Photos


 


Sinto-me uma gaivota embriagada em busca do barco adormecido,


um livro perdido,


na tua mão,


esquecido,


na tua mão,


cansada de amar,


sinto-me o volátil nocturno inferno das canções ensonadas,


o velho e eterno... triste coração das estrelas apaixonadas,


 


Triste Inverno,


sinto a madrugada construída numa folha em papel,


triste, triste, não amada,


triste, triste... como todas as vozes caladas,


silêncios desertos em bosques de areia,


uma veia de aveia,


uma veia... uma veia sentido-se como eu, uma gaivota embriagada,


à procura de um barco, à procura do céu.


 


 


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 9 de Fevereiro de 2014



23.10.13



foto de: A&M ART and Photos


 


tenho uma mão que não me pertence


da vida sobejam-me os sonhos que nunca me pertenceram


e no entanto acreditava na escuridão nocturna


vivo e vivia entre ruas e ruelas como esqueletos de ossos sacrificados ao jantar


vivia pensando que era uma gaivota


e que nos meus braças habitavam cegonhas e pernaltas


barcos e caravelas


portas e janelas


 


acreditava que estava só


e eu queria


e eu


… eu quero estar só


 


tenho uma mão que não me pertence


e acariciou o teu labirinto corpo de canela


acredita que vivia


não vivo


caminho somo sonâmbulo nos carris do medo


na paixão do segredo


acreditava e não o estou...


só abandonado triste desalmado e desamado


 


(acreditava que estava só


e eu queria


e eu


… eu quero estar só)


 


porque tenho uma mão de perfume que não me pertence


e que nunca me pertenceu


porque tenho um jardim com árvores e arbustos


bancos em madeiras e rapazes traquinas


saltitando


e nos anzóis que a tarde alicerça nas cancelas da maré


acreditava


e não estou só... porque tenho uma mão que não me pertence


 


 


(não revisto)


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


quarta-feira, 23 de Outubro de 2013



06.06.11

No amor em ti minha mão


Flor dos teus lábios de algodão


No amor em ti minha mão


No amor de ti meu coração


 


No amor em ti minha mão


Do amor teu corpo minha canção…


No amor em ti minha mão


Teu amor em mim submerso no chão


 


No amor em ti tua pele de carícia amanhecida


No amor em ti minha mão


Minha mão que acena na despedida


 


E no amor em ti minha mão


Abro-a vagarosamente


Abro-a como se fosse a gaveta dos sonhos…


Ai amor a minha mão sem tostão


Que baloiça sorrateiramente


Nos dias medonhos


 


No amor em ti minha mão


Do meu amor em construção


No amor em ti minha mão


Teu corpo meu amor sim ou não


 


Sim


Teu corpo meu amor


Cadente no silêncio amanhecer


Meu amor sem dor


Meu amor um jardim


No amor viver…


 


 


 


Luís Fontinha


6 de Junho de 2011


Alijó


23.05.11

Acredito que brevemente


Vou voar em direcção às estrelas


Vou escrever o meu nome nas nuvens


E semear as minhas palavras no mar


 


Brevemente eu pássaro a planar


Sobre os ramos da dor…


E a solidão cada vez mais enterrada num buraco negro


Onde o tempo e o espaço são infinitos


 


Brevemente acredito que na mesa-de-cabeceira


A minha mão finalmente uma mão


Finalmente eu com asas


Finalmente eu vou ser eu…


 


 


Luís Fontinha


23 de Maio de 2011


Alijó


16.05.11


 


 


Este sou eu


Umas vezes de livro na mão


Outras


De mão estendida


 


Mas serei sempre eu.


 


Este sou eu


De cachecol da selecção de Angola


Pendurado na estante dos livros


De bandeira de Angola suspensa na estante dos cachimbos…


 


Este sou eu


De cachecol do FC Porto


 


De livro na mão


Este sou eu


Outras


De mão estendida…


 


Eu suspenso na claridade do dia.


 


 


Luís Fontinha


16 de Maio de 2011


Alijó


14.05.11

Três cordéis prendem-me a este país (Portugal)


E eu um papagaio de papel


Com muitas cores


À deriva nos céus


 


Levado pela tempestade


Fugindo das nuvens


Eu um papagaio de papel


Suspenso em três cordéis


 


Caminhando por montanhas e socalcos


Encalhado entre o Douro e o Tejo


Estacionado em Belém


À espera de embarque


 


E quando passa o navio?


 


Não navios a passear


Não petroleiros com tosse


Nada que corte os três cordéis


Para eu começar a voar


 


E quando acordar…


Quando acordar poisar a minha mão


Na baía de Luanda


E abrir os olhos para o mar…


 


 


Luís Fontinha


14 de Maio de 2011


Alijó


28.04.11

Que flor tão bela


Poisada na tarde em despedida


Na mão dela


Nua e despida


 


As horas ensonadas


No relógio embrulhado na escuridão


Rosas encarnadas


Rosas na tua mão.


 


 


Luís Fontinha


28 de Abril de 2011


Alijó

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