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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


02.11.23

Sou traço na tua face

Sou o círculo

O quadrado

Sou geometria descritiva

Equação desmiolada

Cansada,

Sou a lágrima,

E não sou nada.

 

Sou o sorriso de luz na tua face

Sou o silêncio disfarçado de alegria

Sou o teu poema-mar

Sou a tua poesia

A cada dia

Sou a lágrima de luz,

 

Nos lábios do luar.

Sou traço na tua face

Sou o círculo de luz com olhos verdes

Sou o vento

Sou a melodia

Da vida em cada vida

Da minha pouco ou coisa alguma,

Sou a lágrima de luz,

Na luz do dia.

 

 

02/11/2023


26.10.23

Silêncio

Tuas mãos em meu rosto

Tuas mãos abraçadas ao meu coração

Teus lábios de Agosto

Quando o mar se veste de canção,

 

Silêncio

Quando o mar é a luz do meu amanhecer

E dos teus olhos recebo a manhã em despedida

Que não se cansa de crescer

Que não tem medo da partida,

 

Silêncio

Tuas mãos em meu rosto

Teu sorriso embriagado em maré diáfana

Meu silêncio desgosto

De ver partir a manhã profana.

 

 

 

26/10/2023


14.06.23

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Neste pedacinho de luz

Que às vezes se esconde

Se esconde no teu olhar…

Que às vezes brinca

E alimenta o meu olhar…

Neste pedacinho de luz

Onde escrevo o teu nome…

Vêm a mim

(Quando cai a noite sobre a sombra das minhas mãos…)

Vêm a mim

Todas as estrelas do silêncio.

 

Neste pedacinho de luz

Que é ausente

Que é carente

Que ainda não tem nome…

Neste pedacinho de luz

Escondo o teu olhar…

E a paixão em fome.

 

Neste pedacinho de luz

Deste pequenino pedacinho de luz

Que sofre quando a madrugada se abraça à insónia

Quando a insónia me abraça

E me beija

Neste pedacinho de luz

Ao cair da tarde

Junto ao rio…

A este pequenino pedacinho de rio…

Que tem nome

Que ama

Que deseja…

E apenas o conheço…

Como o rio luz.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha

14/06/2023


28.05.23

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O corpo

O corpo é apenas um silêncio

Um segundo-luz

O corpo

É uma imagem

Não consensual

Para uns e tal

Para outros

Nada mal

 

O corpo

O corpo é uma fachada

Por vezes

Por vezes com estrutura defeituosa

Assim-assim

E o corpo não passa de um silêncio

Um pequeno silêncio

 

Se eu quero conversar sobre Dostoievski…

Não

Não pergunto ao corpo

Se ele quer conversar comigo sobre Dostoievski

E claro que o corpo nada sabe de Dostoievski

(mas acha-se de engraçadinho, às vezes)

 

O corpo

O corpo…

(é evidente que o poeta fala do seu corpo)

O corpo é um pedacinho de luz

Nos lábios do silêncio

O corpo não fala

O corpo escreve

E masturba-se

O poeta escreve

E o corpo…

É apenas um corpo

Um milímetro quadrado com massa de um grama…

À velocidade do desejo

 

O corpo corre

Na luz do silêncio

Tomba

Chora

Grita

O corpo morre

No silêncio que se move

Em círculos de luz

Em quadrados de saudade

O corpo vomita lágrimas de insónia

E um quintal (unidade de massa aprox. = 46 Kg) de estupidez

 

Depois o rio levou os caixotes

Pouca coisa

Algumas miudezas

E corpos

Corpo de medo embalsamados…

 

O corpo

O corpo é apenas um silêncio

Um segundo-luz

Um abraço desenhado pelo vento…

O corpo

O corpo é uma jangada

Onde se deita a madrugada

O corpo é tudo…

O corpo

Às vezes

Não é nada.

 

 

 

Francisco

28/05/2023


27.05.23

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Do teu corpo

Que abraço

No teu corpo onde escrevo o sorriso da manhã

E desenho o gemido da noite

Do teu corpo

Que abraço

No teu corpo

Que beijo

Do corpo

Que enlaço

Em desejo

Neste quarto.

 

Do teu corpo

Que abraço

Que beijo

E enlaço

No meu corpo

No teu corpo

O desejo

O abraço.

 

Do teu corpo

Que abraço

No teu corpo onde me deito

Nesse corpo

Das palavras

Dos desenhos

E dos beijos

Do teu corpo

Esse corpo

Nesse corpo que beijo

O do abraço

O silêncio

Em palavras

Em pequenos gestos…

De pequenos beijos.

 

Do teu corpo

Que abraço

No teu corpo me endireito

Do teu corpo

O uivo louco da tarde

Do teu corpo

Entre palavras

Entre corpos de luz

Me deito

Me abraço

E beijo

O teu corpo

Do corpo

Do corpo que me seduz.

 

Do teu corpo

O meu corpo

Enrolado em milhões de estrelas

No meu corpo

Deitadas

Quietinhas…

Quando o teu corpo

No meu corpo

Ferve.

 

Do teu corpo

O abraço

Quando o teu corpo

No meu braço

Voa

Voa para dentro de mim.

 

E do teu corpo

O meu corpo

Dois pontos de luz

Duas pequenas esferas de polietileno

Que dançam na noite

Que fervem

Que fervem como os nossos corpos

E dizem que são felizes

Muito felizes.

 

 

 

Francisco

27/05/2023


07.12.22

Vou abrir todas as cancelas da noite

As visíveis e as invisíveis

Acendo o luar

E ligo a telefonia

Vou à janela

Abro-a

Puxo de um cigarro

Acendo-o

Estendo o braço

Abro a mão e pego o primeiro pingo de chuva

Fecho a mão

Encosto-a ao peito

Depois

Beijo o primeiro pingo de chuva

E chamo o mar

 

Enquanto o mar não vem a mim

Sento-me e espero

E o mar começa a entrar no meu corpo como um rio selvagem

 

Abraço-o cuidadosamente para não o magoar

E segredo-lhe baixinho ao ouvido

 

- Vem a mim

 

Depois vieram os barcos

E todos os peixes

E os barcos trouxeram as nuvens

E os peixes trouxeram a alegria

E as nuvens trouxeram as estrelas

 

Ao fundo da rua

Um transeunte

Olha-me

Eu olho-o

Eu ignoro-o

Depois

Ele ignora-me

 

Entre nós

Nem palavras

Nem das palavras

 

Apenas as sombras das palavras

 

Vem a mim

Traz as lanternas que alimentam o sono

E ensina-me a desenhar círculos de luz

Nas janelas da alvorada

E imagina quantos silêncios de pedra

Tem esta alvorada

Abre os olhos e planta as flores no meu peito

 

Depois

Traz as enxadas com que vamos capinar

Todo o capim das planícies

Onde às vezes

Deitas a cabeça e soletras o meu nome

 

Pego nos círculos de luz que me ensinaste a desenhar

E coloco-os nas vidraças da janela

Escrevo o teu nome

E o teu nome

Cresce na lareira

Enquanto o primeiro pingo de chuva começa a voar

E condenado que está

Fica prisioneiro do teu olhar.

 

 

 

 

 

 

Alijó, 07/12/2022

Francisco Luís Fontinha


13.11.22

Trazias-me o sono envenenado

Que a noite lançava nas pequenas esquinas de luz

E não sabias que dentro de mim

Uma radiografia de insónia

Gritava na madrugada

 

Depois

Abria a janela onde podia ver as lágrimas do poema

E percebia que dos teus olhos

Uma mão invisível me tocava

Como tocam as flores nas rugas do sol

 

Pegava nas pedras ausentes que a calçada

Me atirava

Pegava nas palavras que da tua mão se erguiam

Sobre o meu corpo

Em putrefacção nos libertados ossos do mar

 

E a morte já me pertencia

O medo

Quando as lâminas do desejo

Se abraçam aos meus braços em suicídio

Quando um pequeno barco zarpa dos teus lábios

 

Trazias-me o sono

O derradeiro veneno que lanças nas águas envergonhadas

E das tristes paredes da cidade em combustão

Um espelho suspenso na manhã

Cortava-me a cabeça e vinha a mim o medo do regresso

 

 

 

 

Alijó, 13/11/2022

Francisco Luís Fontinha

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