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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


06.04.22

Não desistas,

Enquanto o vento te leva para o mar,

Não desistas e,

Não te deixes ofuscar pelo luar,

Não desistas de voar,

Amar,

Brincar,

Beijar…

 

Não desistas das palavras

Que escreves no céu nocturno do sonho,

Não desistas das canções de embalar e,

Que os teus pais te ensinaram…

Não desistas das tardes límpidas junto ao rio,

Não desistas de observar as montanhas e,

Todas as pedras.

Não desistas, não desistas de sonhar.

 

 

Alijó, 06/04/2022

Francisco Luís Fontinha


04.03.22

As palavras envenenadas

Dançam sobre a floresta

Dos olhos cansados.

O poema nasce

Depois da noite se abraçar à ribeira,

O poema cresce,

Enforca-se nas páginas de um livro.

Os poemas são os olhos,

As palavras são a espingarda da madrugada,

As palavras envenenadas,

Que dançam sobre a floresta,

Nos olhos assassinados,

 

Nos olhos da madrugada.

As palavras morrem,

As palavras crescem,

A espingarda que dispara palavras,

Dentro da alvorada.

Estas palavras assassinas,

Nestas tardes de canseira,

As palavras disparadas,

Contra a lua desgovernada.

As palavras de mim,

Nas rochas amorfas da solidão…

Quando as palavras se enforcam.

 

 

Alijó, 04/03/2022

Francisco Luís Fontinha


27.02.22

Silêncio no teu olhar

Menina das flores desenhadas,

Saudades do mar

E das palavras abraçadas.

 

Menina do meu luar,

Descendo a calçada,

Menina dos beijos de beijar,

Enquanto dorme a madrugada.

 

Silêncio no teu olhar

No poema adormecido,

Silêncio de amar,

 

Amar o verso encantado.

Menina do poema perdido,

Perdido no meu corpo envenenado.

 

 

Alijó, 27/02/2022

Francisco Luís Fontinha


19.02.22

Ausento-me.

Enquanto o sono se despede de mim,

Enquanto esta fogueira me consome,

Enquanto o dia se derrete,

Enquanto a lua se deita,

Enquanto o medo me absorve.

 

Ausento-me.

Enquanto o silêncio habita neste corpo,

Enquanto estes ossos não se transformam em pó,

Ausento-me.

Enquanto o mar não entra pela janela,

Enquanto a morte não me vem buscar.

 

Ausento-me.

Enquanto ainda tenho beijos,

Enquanto ainda existem abraços,

Enquanto este relógio não pára de caminhar…

Ausento-te.

Enquanto este poema não morre.

 

Ausento-me.

Enquanto esta cidade não dorme,

Enquanto este rio não deixa de correr para o mar.

Ausento-me.

Ausento-me,

Enquanto escrevo e a tua mão não deixar de me tocar.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 19/02/2022


20.11.21

Se me imagino sentado nas tuas coxas de incenso?

Imagino-o enquanto as palavras envenenadas pelo desejo,

Quando se suicida a tarde junto ao mar,

E oiço o silêncio de um beijo,

Um beijo de amar.

Pode ser também um beijo de beijar,

Pois no meu jardim,

Junto a mim,

Habitam flores em delírio,

Flores com sombra de Luar.

Se me imagino?

Imagino-me sentado

Nas sílabas imbecis do poema escrito por mim,

Quando na minha mão,

Números e equações de miséria,

Acreditam que as palavras de uma canção,

A minha canção,

São apenas nadas, artéria

Ensanguentada dentro desta cidade,

Dentro deste cubo de vidro martelado.

Sinto-me prisioneiro às árvores da madrugada,

Árvores habitadas por pássaros que infelizmente, não sabem nada,

Não sabem que as pedras amam outras pedras,

Que outras pedras podem amar as flores,

E estas, amar outras flores,

E outras flores, amarem outras manhãs,

Manhãs que amam outras noites,

Noites que amam as pedras:

Poemas meus, que não amam,

Desenhos que me amam,

E,

Palavras que me odeiam.

Que todos amam a Lua e o Luar,

Que a Lua não ama nada,

Ninguém,

Nem ao primeiro astronauta que lá poisou,

As flores também amam a Lua e o Luar,

Os pássaros amam a noite,

Porque dormem e sonham,

Porque o amor é um verso,

Um poema enorme,

Que vive junto ao mar.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 20/11/2021


30.05.20

A terra gira e volta a girar,

Corre, corre, sem parar,

A terra é ula lágrima,

Nos lábios do mar.

A terra gira e volta a girar,

Corre, corre, sem parar,

A terra é silencio,

Que não se cansa de trabalhar.

A terra gira e volta a girar,

Corre, corre, sem parar,

A terra é amor,

É desejo no ar,

A terra gira e volta a girar,

Corre, corre, sem parar,

A terra é a cidade,

A cidade do madrugar.

A terra gira e volta a girar,

Corre, corre, sem parar,

Ai terra meu amor,

Amor de amar.

A terra gira e volta a girar,

Corre, corre, sem parar,

A terra são palavras,

Palavras de falar,

A terra gira e volta a girar,

Corre, corre, sem parar,

A terra na madrugada,

A terra do Luar,

A terra gira e volta a girar,

Corre, corre, sem parar,

A terra é ula lágrima,

Nos lábios do mar.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 30-05-2020


20.06.17

Vou escrevendo antes que termine o dia,


E o meu corpo, se transforme em cinza luar,


Vou escrevendo sem alegria,


Porque regressando a noite escura,


Não tenho força para abraçar o mar…


Nem tempo para a ternura,


 


Sei que aos teus olhos sou um cadáver sem destino,


Um barco ancorado ao teu sorriso de prata,


Um pobre menino…


Vivendo num bairro de lata,


 


Vou escrevendo…


 


Vou escrevendo antes que termine o dia,


E o meu corpo, se transforme em cinza luar…


 


Vou vivendo o dia, antes que este termine e regresse o teu cabelo desajeitado,


Oiço no teu silêncio a viagem do mendigo…


Quando em tempos sentia


O peso esquecido


Da morte espada sentes de lutar,


 


Há-de crescer um dia,


Onde vou escrever as palavras dardos de sangue das tuas coxas de xisto prateado…


Sento-me na rua…


Sento-me, escrevendo o que a mão me deixar,


E alguém dizia,


Que a tua poesia


Livre e nua


Adormecia na minha solidão de amar…


 


Vou escrevendo, vagabundo da cidade perdida.


 


 


 


Francisco Luís fontinha


Alijó, 20 de Junho de 2017


17.06.17

Somos poucos,


O lívido segredo da alma fica suspensa nas umbreiras da madrugada,


Silêncios muitos,


Neste exíguo espaço nocturno,


Não penso na vossa ausência, flores do meu jardim,


Em cada pedra um nome teu, em cada pedra um beijo,


Somos poucos,


Ou nenhuns…


Este exército de vespas prontas a atacar o pôr-do-sol…


Até à batalha final,


A vitória, somos poucos, ou nenhuns…


Silêncios muitos,


Quando rompe a solidão no longínquo Domingo de ninguém,


Amanhã será a derradeira despedida da cidade dos pilares de areia,


Os barcos amarrados aos teus pulsos sonegados pela escuridão,


Não me serve este destino…


Escrever não escrevendo as palavras de ninguém…


Que o coitado do menino,


Sempre oprimido pela tempestade…


Deixa ficar na terra queimada pela charrua,


Somos poucos,


Ou nenhuns…


Mas somos um exército de mendigos.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 17 de Junho de 2017


16.06.17

Uma nuvem sulfúrica poisa no teu silenciado sorriso,


Agacho-me sobre a terra prometida…


Mas não tenho jeito para a aprisionar na minha mão,


Minutos depois, palavras muitas, perco o juízo,


Pego na luz magoada que ficou em ti esquecida,


À porta de entrada do meu coração,


 


As aventuras na eira


Enquanto cai a noite sobre o espigueiro,


Livros perdidos dentro de um mealheiro…


Para serem vendidos na feira,


 


A casa é pobre, pequena… e aconchegante,


O quintal recheado de poemas envenenados pela charrua,


O meu corpo embebido em clorofórmio vomitando sinalização de rua…


Que o luar se torna brilhante,


 


E a lua,


É tua.


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 16 de Junho de 2017


14.06.17

As máquinas infernais do sofrimento não cessam de chorar,


Escavam o corpo até que a madrugada surja no horizonte,


 


Os ruídos sinusoidais da pequena vergonha de viver


Adormecem como cães raivosos deitados ao luar,


Chamo por ti, meu querido mar…


E sinto na arte de escrever


O sinfónico e desgraçado monte,


 


Sou uma alma aborrecida.


 


Sou uma alma faminta.


 


Os pássaros quando brincam na minha janela


E lá longe acordam as planícies de cartão


Dos dias desesperados à luz da vela,


 


Sou uma alma sem coração.


 


As máquinas infernais do sofrimento não cessam de chorar,


Escavam o corpo até que a madrugada surja no horizonte,


Uma criança não se cansa de brincar…


Entre risos e papeis na casa do rinoceronte,


 


Sou uma alma faminta…


 


Sou uma alma aborrecida…


 


Sou.


 


Sou


Uma alma


Sou uma alma sem tinta.


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 14 de Junho de 2017

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