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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


02.11.23

Sou traço na tua face

Sou o círculo

O quadrado

Sou geometria descritiva

Equação desmiolada

Cansada,

Sou a lágrima,

E não sou nada.

 

Sou o sorriso de luz na tua face

Sou o silêncio disfarçado de alegria

Sou o teu poema-mar

Sou a tua poesia

A cada dia

Sou a lágrima de luz,

 

Nos lábios do luar.

Sou traço na tua face

Sou o círculo de luz com olhos verdes

Sou o vento

Sou a melodia

Da vida em cada vida

Da minha pouco ou coisa alguma,

Sou a lágrima de luz,

Na luz do dia.

 

 

02/11/2023


01.11.23

Desta janela oiço a voz do silêncio em desespero,

Desta janela, converso, desta janela converso com esta lareira,

E percebo que o meu corpo flutua,

Navega nesse mar imenso,

Deste mar sem nome,

Invisível da minha janela,

 

Desta lareira, desta lareira observo a minha janela,

Olho-a sossegadamente,

Como se olha para uma criança que acaba de brincar,

De cabelo ao vento,

No cabelo em flor,

 

Desta janela oiço a voz

Do silêncio em desespero,

Desta janela vejo a manhã a erguer-se,

Vejo a noite quando se deita junto a mim…

E tenho a certeza que o meu corpo flutua…

E desaparece quando regressa o luar.

 

 

01/11/2023


24.10.23

Suplico-te senhora que ilumines o meu caminhar

E o de minha amada,

Que me alegres o dia

E a noite de sonhar…

E me tragadas a cada madrugada,

A mim e à minha amada,

Poesia para nos alimentar.

 

Suplico-te senhora que ilumines o meu caminhar,

Que com a luz do teu olhar

Me tragas os olhos do mar

E o sorriso do luar.

 

Suplico-te senhora que ilumines o meu olhar,

Que construas na minha mão

Uma jangada,

Suplico-te senhora do meu iluminar

Que me dês a mim e à minha amada

Todas as palavras do mar…

Para te oferecer esta oração…

 

 

24/10/2023


27.09.23

Escondes no olhar

As purpurinas palavras de escrever

Do silêncio da manhã sem poesia

Escondes na mão o mar

Que não se cansa de viver

Viver a cada dia,

 

Escondes no olhar

A alegria que acorda no amanhecer

Enquanto no teu cabelo de vento

Um pedaço de luar

Está desesperado e com medo de morrer…

Quando a morte é apenas um verbo sem tempo

 

E sem tempo de acontecer,

Escondes no olhar

A tristeza que avassala a sanzala com lábios de amar

Escondes no olhar o medo de viver

Junto ao rio que pincela o luar

Junto ao rio de amar…

Com o medo de tudo perder.

 

 

27/09/2023


26.09.23

Ofereço-te esta flor de lótus

Que acordou do poema

Ofereço-te um beijo

Que mergulhou no poema

E viaja em direcção ao mar

Ofereço-te a minha mão

Que pega no teu cabelo

Onde escondes a flor de lótus

Que eu te ofereci

 

Ofereço-te poesia

Ofereço-te palavras

E as tristezas do dia

E as tristes madrugadas

 

Ofereço-te esta flor de lótus

Como palavra ou confissão ou oração

Enquanto procuro nos teus lábios

Os segredos do luar

E as sombras da noite

Que te atormentam

E te ofereço

Esta flor de lótus

 

Ofereço-te esta flor de lótus

Que acordou do poema

Ofereço-te um beijo

Que mergulhou no poema

E viaja em direcção ao mar

Como se fosse uma lágrima

Não de uma lágrima de chorar…

Como se fosse uma lágrima de amar

Este porto transatlântico sem nome

E que transporto nos ombros.

Por tudo. Ofereço-te esta flor de lótus. E um punhado de fome.

 

 

26/09/2023


19.09.23

Sou guardião do teu olhar

Ó salgado mar!

Sou guardião do teu olhar

Sou pedaço de palavra que brinca com o luar

Sou estrela que não se cansa de brilhar…

Do teu doce olhar,

 

Sou guardião do teu olhar

Sou maré infinita

Manhã faminta

Sou árvore sonolenta

Que dança ao silêncio do vento

Que lamenta o invisível sorriso

Da sombra ferrugenta.

 

 

 

19/09/2023


13.08.23

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Aos olhos da lua,

Sou.

Sou qualquer coisa comestível

Que apenas a noite,

E só a noite,

Consegue mastigar.

Sou

Aos olhos da lua

Uma pequena lágrima de sono,

E abatato-me neste silêncio

E suicido-me nos teus lábios.

 

Aos olhos da lua

Sou.

Sou lágrima em flor,

Sou poeta,

Sou pastor.

Aos olhos da lua

Sou um miserável,

Poeta miserável,

Poeta…

O morto poeta

Quando as mãos da poesia,

Lentamente,

Masturbam a noite.

 

Aos olhos da lua,

Sou.

Sou.

Sou o quê, aos olhos da lua?

Se a lua não tem olhos

E eu,

E eu não sou nada.

 

Aos olhos da lua,

Sou.

Sou canção que se abraça ao rio,

Sou o poema que brota do mar,

Sou a fome,

O fastio,

Aos olhos da lua,

Sou.

Sou trombone na filarmónica,

Sou equação nas mãos dele,

Aos olhos da lua,

Sou.

Aos olhos da lua sou gaveta de armário,

Papel higiénico…

Aos olhos da lua,

Sou…

 

 

13/08/2023

Francisco

(desenho de Francisco Luís Fontinha)

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