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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Cachimbo de Água

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25.12.16

Minha lua encarnada


Subjacente aos lábios da madrugada


Doce manhã ao acordar


Sempre que o meu corpo sente


O cintilar da maré…


O sofrimento da alvorada


Minha lua


Meu amante desesperado


Nas ruelas íngremes da solidão


Minhas mãos ensanguentadas pela escuridão


Nos jardins suspensos do teu olhar


E deixei para ti o meu mar


E deixei para ti o meu coração


Desenhado numa rocha


Que a cidade absorve


Nas tristes e belas calçadas…


Minha lua encarnada


Meu silêncio de nada


Oiço do teu sorriso o sofrido amanhecer


Que em cada poema acordam


E se deitam


Como cadáveres de pano…


Como cadáveres sem viver.


 


 


Francisco Luís Fontinha


25/12/16

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