Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


05.04.15

Desce a noite pelos teus ombros de silício


Percebo na tua voz


O silêncio poema da paixão


O falso livro


Embrulhando-se nos teus seios


Em prata


A sombra


O prateado fugitivo


Descansando o olhar numa livraria


Livros


AL Berto


Lobo Antunes


 


Saramago


Pacheco


Livros


Estórias


Cesariny


A sombra


Lapidando o teu corpo


Oceano de palavras


Mergulhadas no teu púbis


A madrugada


Livros


Perdidos


 


E achados


O amor


Meu amor


O significado verdadeiro da saudade


Nos dardos envenenados da solidão


A fala


Não


A sanzala mergulhada em lágrimas de cartão


O vento trazendo as coxas do capim


Oiço-a enquanto durmo


Os seios minúsculos


Masturbados na poesia nocturna da alegria


 


A noite


Não


A fala


Os lábios incinerados na lareira do prazer


O suor alicerçado à tua pele


A húmida vagina em imagens tridimensionais


O PET


O maldito PET


O juízo


A mentira


A insónia


Novamente


 


Triste



As ruas do teu sofrimento


A lotaria da vida


Morres


Não morres


Vives


Em mim


Meu amor


Vives nas minhas veias semeadas de tempestade


A saudade


Novamente


 


No meu corpo


O pénis encarcerado numa estrofe


O enjoo da solidão


Quando à nossa volta gravitam


Sombras…!


A penumbra tarde de Novembro


Nas janelas do Hotel da Torre


Belém


A vagina procurando cacilheiros de luz


Um cigarro


Dentro de mim


Aso beijos


 


E eu sabia que a carta


Sem destino


Morreu


O amor das sílabas encarnadas…


Travestis amigos numa mesa


A vertigem do amanhecer


Acariciando pássaros e cavernas de medo


Não tenho morada


Cidade


Casa


Rua…


Mas tenho um poema para ti meu amor.


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 5 de Abril de 2015


01.12.12

Saboreava-te percebendo que na rua sofrimentos e cansaços emergiam da literatura que sentados na esplanada em frente ao rio, ele, pegava na tua mão, silenciava os teus gemidos, e


 


- viste as minhas calças amor?


 


e percebia-se que lentamente como se o vento fosse uma lâmpada incandescente, covarde, lenta, e percebia-se que os outros miúdos de mãos na algibeira esperavam pelas quatro badaladas amorfas do relógio de água, Não, Não via as tuas calças e nem saudades tenho delas, às vezes, entra no quarto disfarçado de cadáver, cruza as mãos e poisa-as no peito dissecado sobre o mármore frio e longínquo dos barcos de papel que o novo inquilino trouxe do outro lado do rio, levantas as mãos até construíres um cordão de pedras preciosas à volta do meu pescoço, e novamente a tua voz de malmequer abandonado no jardim da saudade


 


- viste as minhas calças meu amor?


 


chaleiro, filho da puta, agora já sou o amor dele, Meu amor, Meu querido, grande cabrão este, da saudade até chegar ao Chiado, as ruas desertas, nuas, abruptas dentro dos lençóis levantes que as madrugadas de Belém deixavam na insónia entre espelhos e sofrimentos e cansaços emergiam da literatura que sentados na esplanada em frente ao rio, e não, Não vi as tuas calças nem desejos beijos às janelas sobre a cidade verde e ténue de cinza quando os orgasmos nocturnos subiam a Calçada da Ajuda, à direita olhava-a cambaleada nos paralelepípedo de cintilações que os corpos transeuntes questionavam nos folhetos de apresentação para o sarau onde sílabas e pedacinhos de peixe frito mergulhavam na geada poeirenta que em Trás-os-Montes se alicerça nos ombros dos vultos gaguejares com plumas de avestruz sobre o susto que a noite provoca no amor,


 


- sabes o que é o mar, guardião das minhas calças? Nele percebia-se a ausência melancólica das andorinhas e dos grunhidos fósforos semeados nas planícies húmidas do Tejo quando pescava mãos com os lábios cor de veludo, e ouvia-os em cada suicídio imprimido no pavimento circular do ciúme,


 


saboreava-te percebendo que na rua sofrimentos e cansaços emergiam da literatura que sentados na esplanada em frente ao rio, ele, pegava na tua mão, silenciava os teus gemidos, e


 


- viste as minhas calças amor? E quando o desassossego aparecia e silenciava os teus gemidos questionados pelos transeuntes amorfos do espelho da morte, ouvia-te chamares-me de dentro dos livros que eu deixava esquecidos sobre a mesa-de-cabeceira, e nunca tive coragem de pegar em ti, e possivelmente as tuas calças fazem parte dos cortinados inventados por ele, quando o rio se sentava no colo emagrecido do fim de tarde, vodka em cada suicídio imprimido no pavimento circular do ciúme


 


e percebia-se que ontem te ausentaste de mim como fazem as gaivotas depois do pôr-do-sol, sobe em ti a maré nocturna das palavras, lá fora uma lâmpada incandescente, covarde, lenta, e percebia-se que os outros miúdos de mãos na algibeira esperavam pelas quatro badaladas amorfas do relógio de água, Não, Não via as tuas calças e nem saudades tenho delas,


 


- há em mim o cheiro intenso a cadáver,


 


sem perceber que o ciúme telegráfico da tua língua brinca docemente nas asas do vento, e a cidade adormece nos teus olhos de milhafre esquecido nas nuvens fictícias das palavras inventadas nas tuas calças,


desejarei o amor ilimitado dos plátanos magoados pela noite teus abraços em pedaços de aço inoxidável pigmentado com acrílicos voos do fatídico inverno, e um dia desenharei o amor dentro de quatro paredes de vidro,


 


- viste as minhas calças meu amor?


 


experimenta na biblioteca, na prateleira do Lobo Antunes ou do AL Berto.


 


 


(texto de ficção não revisto)


27.10.11

João espera e desespera a chegada de Sofia, a cama encostada ao fogão na cozinha, os pássaros, os pássaros sob o céu cinzento da quinta, a casa despede-se da manhã,


- “ faço tudo o que elas querem mas nunca tiro o chapéu da cabeça para que se saiba quem é o patrão”,


E Sofia não vem, nunca ao meu lado, desço à garagem e olho o barco que estou a construir e logo que pronto e logo que chegue a Sofia zarpamos pelos terrenos de Palmela em direção à noite,


Ela nunca ao meu lado,


- conto os pássaros da quinta, e hoje não quinta e hoje não pássaros,


E hoje,


Hoje não Sofia,


João espera e desespera,


O pai do João estacionado na clinica,


- “ faço tudo o que elas querem mas nunca tiro o chapéu da cabeça para que se saiba quem é o patrão”,


E percebo que nunca existiu nenhuma Sofia, e percebo que nunca existiram pássaros na quinta de Palmela, e percebo,


- “ faço tudo o que elas querem mas nunca tiro o chapéu da cabeça para que se saiba quem é o patrão”,


Eu sei pai, eu sei,


João espera e desespera a chegada de Sofia, a cama encostada ao fogão na cozinha, os pássaros, os pássaros sob o céu cinzento da quinta, e um livro a que A. Lobo Antunes chamou O Manuel dos Inquisidores…espera e desespera pela chegada de uma Sofia, espera e desespera pela chegada de um João…


Ao cair da noite.


 


(Inspirado e baseado no livro de A. Lobo Antunes “O Manual dos Inquisidores”)


30.03.11


 


 


Pego num livro de A. Lobo Antunes e suspendo a minha revolta nos cachimbos estacionados na estante dos livros. Pensando melhor, ninguém, nada, têm culpa da minha fúria, pego num livro e converso com as personagens, e enquanto me alimento de páginas deliciosas, esqueço-me das necessidades à minha volta.


Talvez amanhã seja outro dia, talvez amanhã o sol me ilumine, talvez amanhã o mar entre pela janela e se deite na minha cama.


Talvez amanhã, hoje, hoje não…


 


 


FLRF


30 de Março de 2011


Alijó

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2012
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2011
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub