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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


24.11.22

Este dia

Que se esconde entre um suspiro de sono

E as palavras de um livro

Um livro que morre

Nos olhos do dia.

Este dia…

Este dia que sofre

Que grita

Este dia

No dia

Que morre

Que morre nas mãos da poesia.

 

 

Alijó, 24/11/2022

(Francisco)


23.11.22

Este livro

Dentro de mim

Este livro que cresce

E morre

Este livro

Que grita

Sorri

Este livro em revolta

Das palavras

Porque este livro

Que habita no meu peito

Dentro de mim,

 

É o meu livro

É a minha noite,

 

Este livro

Que sorri

Para ti

Quando a manhã

Se despede das estrelas,

 

E quando ele morrer

O meu livro

Irei visitá-lo todas as noites

Em todos os dias

Porque este livro

Vadio

O meu pequeno livro

Tem poesias

Tem desenhos de ti

E tem o teu sorriso

Quando os teus olhos me olham

E a cidade dorme,

 

E a cidade

Habita-me

Como este livro

Dentro de mim

Numa casa desabitada

Triste

Cansada

E este livro um dia será a tua madrugada.

 

 

 

 

Alijó, 23/11/2022

Francisco


15.11.22

Este livro

O nosso livro

Nestas pequenas folhas floreadas

Onde semeio as nossas palavras

E desenho os nossos olhares

 

Este livro

Que cresce

E é a manhã quando acorda

Este livro

Estas palavras

 

Que habitam sobre as árvores

As nossas árvores

Das nossas palavras

Deste pequeno livro

Onde escrevo todos os dias

 

E vai voando como um beijo

Na boca proibida da paixão

Este livro

O nosso livro

Que é vento que é chuva que é amor

 

Que não ouve

Escuta

Mas grita

E se revolta

À nossa volta

 

 

Alijó, 15/11/2022

Francisco Luís Fontinha


05.11.22

Sei que este rio

Que corre nas minhas veias

São os teus braços

Quando durante a noite roubas o mar

E o poisas sobre este peito envenenado

 

E depois o levas para os olhos da lua

Sei que este rio me pertence

Como te pertencem as lágrimas do luar

Quando todos os barcos

Se deitam nos teus seios de nuvem adormecida

 

E deste rio

Oiço o silêncio adormecido dos teus lábios

Quando um beijo prometido

É desenhado com a ponta dos meus dedos

Nas pequenas sílabas do desejo

 

E este rio traz-me a enxada

Com que escrevo na montanha

Os socalcos ausentados da tua sombra

E deste rio recebo as palavras

Que semeio no teu corpo

 

Quando o sol se deita sobre ti

E dos teus braços

Que se passeiam nas minhas veias

Vêm a mim as uvas da manhã

Que me embriagam dentro deste livro em construção

 

 

 

 

Alijó, 05/11/2022

Francisco Luís Fontinha


25.09.22

Sento-me nesta ausência percebendo que pertenço a esse mar imenso das paisagens do silêncio, oiço os teus gemidos de luz, percebo que sou apenas um pedacinho de nada em direcção ao abismo,

O frio e escuro silêncio da madrugada,

Oiço as fotografias enraivecidas que desde a noite passada resolveram, todas elas, invadirem os meus pensamentos, e percebo que cada personagem que habita nelas, são apenas sombras da minha infância,

Rasuro-me no espelho do quarto.

Ergo as mãos e sinto as amargas palavras escritas numa noite de neblina, onde barcos e putas deambulavam junto ao cais; parecia fácil, mas as tempestades voltaram do nada e amanhã…

Amanhã chove, amanhã chove…

Sento-me.

Invento o sono das persianas da janela e resolvo voar em direcção ao luar, como as abelhas em flor, como todos os pedacinhos de mel que sobejam no silenciado corpo nocturno do silêncio…

Inventam-se os gemidos da alvorada,

Amanhã?

Amanhã vou. Amanhã sonho. Amanhã eu faço…

E amanhã morre o derradeiro sarcófago das Primaveras em florida paisagem, porque nela habitam os pássaros dos pequenos milagres, porque o sono transporta o desejo e pelas primeiras imagens observadas, nada a declarar; culpado.

Levanta-se o reu. Levantei-me.

Idade? Desde ontem, ao final da tarde, fugiram todas as minhas palavras,

Cansado?

Pior; morto.

Em frente.

Amanhã eu faço…

E o amanhã não existe, e amanhã pertencerá às primeiras imagens da saudade, porque amanhã…

Amanhã eu faço.

Tudo eu tudo eu tudo eu…

Morreu.

Cansou-se das cavernas e foi viver para junto do mar da saudade, onde em pequenino brincava com uma mão de veludo e havia sempre um olhar protector a observá-lo, hoje

Amanhã eu faço.

E quando me pergunto o que faz um pedacinho de mel poisado num dos meus poemas…

Ele, ela, responde-me

Nada.

Peso.

Silêncio.

E mesmo assim continuam a morrer as abelhas das tristes Primaveras, como morreram as minhas três primeiras tristes palavras,

Junto ao mar.

Nasceram as acácias, nasceram as primeiras lágrimas, nasceram as sombras e das sombras nasceram a lua e o sol; mesmo assim, ele, ela, continuam a vaguear sobre aquele rio onde mergulhavam as sílabas da insónia.

Amanhã.

E hoje?

Amanhã todos os pedacinhos de mel serão crucifixos suspensos nas fendas do triste gesso que circundam o sótão do medo.

Medo. Medo. Medo.

Porque morrem as acácias, mãe?

Porque se apaixonam pelo triste silêncio, porque descem sobre a cidade as lágrimas dos grandes rochedos e o mar é apenas uma imagem…

Percebes agora porque morrem as acácias?

Não mãe…

E mesmo assim continuam a morrer as abelhas das tristes Primaveras, como morreram as minhas três primeiras tristes palavras,

Junto ao mar.

E junto ao mar ficarei à espera.

 

 

 

 

Alijó, 25/09/2022

Francisco Luís Fontinha

(ficção)

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