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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


08.12.21

Fui à cidade em busca do teu olhar,

Procurei na cidade, o silêncio do teu olhar,

Sentei-me junto ao mar,

Na cidade,

Onde perdi os teus lábios madrugada,

 

E hoje, habitam os teus cabelos de vento amanhecer.

Venho da cidade,

Com medo de te perder,

Com medo da alvorada.

Fui à cidade,

 

Em busca de minha amada,

E na cidade, sentei-me,

No colo da manhã, antes de acordar.

Estou na cidade,

E sinto o meu corpo a arder,

 

Como uma fogueira desvairada,

Dançando na madrugada,

Brincando no mar.

Venho da cidade,

Oiço as vagas contra os rochedos nocturnos do desejo,

 

Que na tua boca,

Se desenha o beijo.

Estou na cidade,

Procuro nela a tua sombra antes de acordar,

E uma gaivota, te transporte para o mar,

 

Para o mar da cidade das gaivotas amar!

 

 

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 08/12/2021


30.04.17

O desgostoso ancorado


Autómato desajeitado das tardes infelizes


O corpo fumado


Entre paredes de xisto e perdizes…


Da montanha de areia


Descendo pela veia


No braço do enforcado


O desgostoso


E desamado


Feitiço da madrugada


O corpo encostado


Aos pilares sombreados da falsa calçada…


E do rio vem a semiófora rebelião do desempregado


Malditos carneiros


Pastando na planície do amortecido emplastro desassossegado


A fotografia rima com preto-e-branco


Mais branco do que preto


Os olhos pintados de sonâmbulas bolhas de luar


O desgostoso


E desamado


Feiticeiro da noite


Volátil cansaço dos silêncios abandonados


Quando regressam os rochedos


Aos claustros fumados…


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 30 de Abril de 2017


11.09.16

O sonho morre nas mãos do luar,


A insónia do meu peito, arde nos teus olhos,


E do sonho, pequenos panfletos de areia… voam em direcção ao abismo,


O papel onde escrevo alicerça-se aos teus lábios,


Fico sem palavras, também morro nas pétalas do sonho…


Fixando no olhar a tristeza do mar,


Assassino os meus dias com as pedras da solidão,


Cravo espadas na sombra da noite, como um pedestal apaixonado,


Louco,


O sonho morre,


Como eu…, aos poucos dentro da tempestade,


Sinto nas tuas mãos o poema em sofrimento,


Rodeado de finas lâminas de desassossego,


Nas mãos do luar,


Arde nos teus olhos,


Como um Deus desvairado…


Suspenso na madrugada,


Galgo as rochas do infinito adeus,


Percorro pirâmides de luz como uma espada queimada no meu peito,


E choro a ausência do esquecimento,


Da vida,


Da vida camuflada pelas marés de Inverno,


Os barcos cercados pelos anzóis da pobreza,


Marinheiros escorregadios…, saltam até ao próximo bar,


Bebem desenfreadamente os copos da alegria,


Sentindo no olhar a Cinderela manhã de inferno,


Escoa-se o tempo nas janelas do sofrimento,


Há nas pálpebras da doença o sentido proibido da morte,


As nuvens vão levar-me,


E a cidade desaparece no caderno onde desenho os teus beijos,


Como desapareceram todos os fantasmas do meu secreto olhar…


 


 


Francisco Luís Fontinha


domingo, 11 de Setembro de 2016


01.10.15

Vagueio no teu corpo como se eu fosse um mendigo


Em busca de pão,


Paz


E desejo da liberdade,


Quando regressa a noite ao teu olhar


Todas as estrelas se suicidam no teu sorriso,


E as minhas palavras ardem nos teus lábios…


Vagabundo e apaixonado,


Mendigo e iletrado,


Pássaro,


Avião,


É tudo o que eu sou… em busca de pão…


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quinta-feira, 1 de Outubro de 2015


12.08.15

desenho_12_08_2015_2.png


(Francisco Luís Fontinha)


 


O amor entre quatro paredes em vidro


Pincelado por um louco,


O amor de tão pouco…


Em nada satisfaz a luz da solidão,


Um coração dilui-se na madrugada semeada nas palavras,


O livro que o louco tem na mão…


Arde como ardem os cigarros das quatro paredes em vidro,


Esqueci como era o mar,


Esqueci como enferrujado está o meu corpo,


Sem perceber a mendicidade nocturna das pontes entrelaçadas nos petroleiros do luar,


O meu relógio cessou de gritar,


Afogou-se numa esplanada de vento…


 


Quando o rio brinca nos meus lábios,


Sinto-te correndo em direcção às quatro paredes em vidro,


Escondes-te no meu peito,


Sofres,


E não sabes o nome da minha cidade,


O amor de tão pouco…


Louco travestido de alvenaria,


Entro, sento-me… e fico até encerrar a livraria,


A paixão é uma tempestade de saudade,


E nunca sei se hoje há literatura nas tuas coxas,


E nunca sei se hoje há coxas embrulhadas em literatura…


Porque tu és um quarto escondido entre quatro paredes em vidro.


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quarta-feira, 12 de Agosto de 2015


01.05.15

“Mãe, as pedras falam?


Um dia, um dia… meu filho!”


 


O silêncio adormecia em ti


Como adormecem todas as tristezas


Dos dias insignificantes


Entre poesia


E viagens ao desconhecido


Tínhamos todas as imagens do sono


Habitava em nós o cansaço


E a solidão da noite


Ouvíamos o ranger da janela


Em pérfidos orgasmos de prata


O silêncio das coisas inacessíveis


O sexo desacreditado


Numa cama de um qualquer hospital


As lágrimas


Nas janelas


Para…


O mar, mãe?


Um dia, um dia… meu filho!


No poço da penumbra


Os teus braços engasgados no medo


O amor


Quando inventado na madrugada de papel


E deixamos perder o luar


Amanhã, mãe, amanhã as pedras falam?


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sexta-feira, 1 de Maio de 2015

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