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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


25.04.22

As palavras que te escrevo,

Nas páginas da tua mão,

São rosas, são flores,

São grito de canção.

As palavras que te escrevo,

Nos lábios da madrugada,

São incenso,

São silêncios de nada.

As palavras que te escrevo,

Na alegre manhã de liberdade,

São alegria,

São voos de saudade.

As palavras que te escrevo,

Em ti, meu amor,

São a chuva miudinha,

São as lágrimas em flor.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 25/04/2022


26.02.22

Somos instantes.

Sombras adormecidas,

Nas mãos do poema,

Somos cansaços,

Pinturas abstractas,

Somos liberdade,

Das palavras,

Nas palavras,

 

Somos nada.

Somos a noite,

Enquanto dormem os esqueletos de vidro,

Somos guerra,

Somos fome,

Somos instantes,

Pessoas sem nome,

Nesta vida sem sentido.

 

Somos abraços

Dos beijos que voam,

Somos luar,

Somos a fogueira,

Somos instantes,

Somos a pedra,

Somos o vinho…

Somos pedaços.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 26/02/2022


03.01.22

Um grama de saudade

Que adormece em mim

Caminhando terra adentro

Caminhos sem fim

Caminhos sem liberdade,

 

Um grama de saudade

Nas profundas lâminas de fogo

Da lareia ao inferno,

 

Um grama de saudade

Triste cansada amordaçada

Na chuva sem fim.

 

Um grama de saudade

Que caminha em mim,

 

Um grama de saudade

No solstício do medo;

Escondo-me

Ergo-me

Neste grama de saudade

Ao pedaço aconchego.

 

Um grama de saudade

À triste manhã sem raiz

Um grama de saudade

Liberta,

Liberta de mim.

 

Um grama de saudade

Na terra desalinhada

Profunda

Ou quase nada,

E neste grama de saudade,

Vejo minha pátria roubada.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 03/01/2022


01.11.21

Tenho as flores do teu olhar,

Da saudade em construção,

Tenho rosas as rosas do mar,

As rosas do teu coração.

 

Tenho as flores dos teus lábios madrugada,

Quando em mim vive a liberdade,

Tenho as flores do teu olhar, teu olhar minha amada,

Minha amada de verdade.

 

Tenho em mim, a tua boca de beijar,

Tenho no meu jardim,

As flores de te amar,

 

Tenho em mim, o beijo desejado,

Das tuas mãos de cetim,

Às tuas mãos neste corpo cansado.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 1/11/2021


28.04.19

Hei-de escrever-te um poema,


Numa tarde de Domingo,
enviá-lo pelo melro amigo,


Deste meu jardim recheado de palavras,


Hei-de escrever-te um poema,


Guardá-lo na algibeira,


Enquanto não regressa o melro amigo.


Hei-de semear uma bandeira,


Na tua mão de alecrim,


A bandeira do meu País…


Que vive a morte assim;


Uns são presos,


Outros, corruptos,


Outros nada são,


Só no meu País…


País do meu coração.


Hei-de escrever-te um poema,


Lindo de morrer,


Poema que vai aquecer,


O teu corpo de menina.


Hei-de escrever-te um poema,


Que um dia vai pertencer,


Ao livro da saudade,


Antes de eu morrer…


Hei-de escrever-te um poema,


Levar a espingarda,


E com o meu amigo melro,


Descer a escada,


Que dá acesso ao mar.


Levo a bandeira,


Levo a espingarda de papel…


Um dia vou,


Vou escrever-te um poema,


E assinar,


Ofereço-te a bandeira,


Ofereço-te o meu amigo melro…


Mas eu fico com o poema.


 


 


 


 


Francisco Luís Fontinha


28/04/2019


25.04.19

O pilantra poeta que vos escreve,


É um falso poeta,


É um nocturno livro com folhas de nada,


O abismo,


Na madrugada.


 


O falso poeta,


O profeta das palavras imaginadas por um louco,


Que um dia sonhou ser poeta,


E hoje é um palerma de merda,


Sentado numa qualquer esplanada.


 


O profeta, poeta, embrulha-se no seu poema,


Roubado dos jardins públicos da aldeia,


Escreve no chão,


Grita a liberdade por estar vivo


E não ter ido à Guerra.


 


Esse mesmo, o eu, o poeta de merda…


O homem dos sonhos irrealizáveis,


Dos desenhos abstractos das montanhas do silêncio…


Quase nada,


Nada.


 


O pilantra poeta,


O dos livros queimados,


O transeunte ilustre da cidade apagada…


Fujam de mim,


Que nada valho…


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


25/04/2019


23.03.19

No rosto a flor queimada da madrugada,


A sombra voadora do silêncio inanimado,


Os sopros dos corpos amachucados,


Quando a minha voz, cansada, trémula… se desfaz,


Em pequenas gotículas de geada,


O triangulo, o quadrado,


A canção revoltada,


Pelas palavras,


Do nada.


A boca silenciada,


Para mim, tanto faz,


Que seja de manhã, anoitecer…


Ou nada,


No rosto, as lágrimas dos telhados,


Nas sílabas incendiadas por um louco,


De tudo, nada,


Ou pouco.


A geada madrugada,


Os camuflados sorrisos do nada,


Coitados,


Tanto trabalhar,


Tanto amor,


Que de uma flor,


Vê-se o mar


E o nada.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


23/03/2019


05.08.18

Que sítio é este, onde me trazias lágrimas e palavras,


Ao final do dia,


Quando o meu corpo sentia,


A saudade desorganizada da fantasia,


Que corpo é este, onde me alimentavas a poesia,


E ao nascer do dia,


Uma gaivota apaixonada,


Me dizia…


Amanhã não serás nada,


 


Que amor é este, que trazes na lapela,


E afoguentas o Verão…


São palavras, senhora,


São vírgulas envenenadas pelo vento,


Que vem e vão…


 


Que silêncio é este, menina das tardes perdidas…


 


Entre rochedos e riachos, entre parêntesis e lâminas de incenso,


E lágrimas vendidas,


Numa qualquer feira, numa qualquer cidade,


Incendiada pelos teus seios, numa qualquer madrugada,


 


E searas.


 


Que triste, meu amor, as amoras selvagens,


Dormindo nos caminhos pedestres,


Descendo até ao rio…


Setadas na penumbra liberdade,


De um beijo amaldiçoado…


Na triste saudade,


 


Que sítio é este, meu amor desgovernado, triste e cansado…


 


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 05/08/2018


22.04.18

Flor queimada.


Quando a enxada da saudade,


Dócil quimera da tempestade,


Mergulha na madrugada,


 


Perfume da solidão,


Rasgando a terra onde se entranha o teu cansaço,


Toco-te com a minha mão…


E sacudo a espada do abraço,


 


Nada faço,


 


A não ser escrevendo palavras ao vento.


 


Me sento.


 


Me alimento.


 


Menino da tua liberdade.


 


Flor queimada,


Que o mar semeia nos tempos de espera,


Quem me dera…


Nos soníferos da pomba assassinada.


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 22 de Abril de 2018


06.07.17

Era teu, meu amor,


Agora pertenço ao grupo dos desalojados locais,


Apátrida,


Silencioso esquecimento das nuvens em flor,


Solstício da saudade, e lá ao longe, muito longe… um jardim de silêncios envenenados pela escuridão,


Onde adormecem as faúlhas,


Onde poisam todos os pássaros em papel,


Antes do nascimento do Sol…


Terra queimada,


Húmus da liberdade condicional,


Os livros suspensos no teu olhar…


Quando cai a noite,


Ausento-me,


Desapareço no horizonte…


E aproximo-me de ti como fazem as gaivotas na Primavera,


Abraçam-te,


Abraçam-te enquanto um velho relógio se engasga entre ao catorze e as quinze horas,


E morre…


E morre no pulso do poeta,


 


As faúlhas ventiladas das noites em claro,


A clarabóia do destino encalhada nas estrelas,


Como eu, como eu depois da partida do ausentado destino…


Velho, velho de morrer.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 6 de Julho de 2017

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