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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


03.12.19

Não o sei.


Foram pedras da calçada que arranquei.


Foram lágrimas que chorei.


Não o sei.


Esta terra que semeei,


E depois me cansei,


E depois me sentei,


Não. Não o sei.


 


 


Não o sei.


Porque morrem, aos poucos, as palavras que plantei,


Na folha de papel que rasguei.


 


Não.


Não o sei.


 


Não o sei.


Porque brotam lágrimas esta lareira que amei.


Esta fogueira que incendiei,


Na madrugada que pintei.


 


 


Não.


Não o sei.


 


 


Não o sei.


Porque sinto os combóis que nunca sonhei.


Não o sei,


Porque brincam meninos na seara que pisei…


 


 


Mas uma coisa eu sei.


 


Que o Sol que bilha, não fui eu que o pintei.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


03/12/2019


21.01.18

Os poemas morrem na tristeza do teu olhar.


Como sofre o dia nos teus ombros,


Enquanto lá fora, ainda noite, uma jangada de nylon gagueja em frente ao mar,


As lágrimas no teu rosto,


O silêncio das tuas mãos quando afagam o meu rosto…


Distante maré no meu corpo abalroado nas insignificantes janelas de vidro,


Os tentáculos de seda, todas as coisas impossíveis, nas tuas mãos,


Quando regressa a madrugada.


Choras.


Escreves nos meus braços as palavras invisíveis da tempestade,


Os barcos ancorados aos teus dedos…


E sofres.


E morres de mim.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 21 de Janeiro de 2018


22.10.17

Nas cinzas do meu corpo


Habitam as palavras do fogo sombrio do sofrimento,


A dor semeia-se na terra cansada da minha mão,


Quando o luar adormece, quando uma flecha sangrenta se espeta no meu coração,


Domingo à noite,


Música fúnebre para me alimentar,


Palavras que voam em direcção ao mar…


E te levam, e te levam para o Oceano da tristeza,


E fica a beleza,


Os livros sobre a mesa…


Escrevo-te,


Imploro-te…


Que fiques, aqui, comigo…


À lareira.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 22 de Outubro de 2017


19.09.17

Penso em ti,


Pareces um desenho cansado numa tela invisível,


Sofres em silêncio para eu não perceber,


Finges que o mar habita o nosso quintal,


E que está tudo bem…


Claro que não está tudo bem…


O trânsito é infernal dentro dos nossos corações,


As ruas são estreitas, pequeníssimas…


Como as ruas de brincar dos brinquedos das crianças,


Choras,


Choras na escuridão para que eu não perceba…


Mas sabes que eu dou conta de tudo,


Conheço o teu cabelo quebradiço,


Conheço o teu rosto de granito e xisto…


Em direcção ao rio,


Penso em ti…


E não sei o que será de mim sem a tua presença…


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 19 de Setembro de 2017


14.07.17

Todas as minhas palavras são lágrimas tuas,


Nuas cancelas sobrevoando o Oceano,


Os barcos cansados e a remo…


Prisioneiros no teu cabelo ao vento,


Sofro, sofro e alimento


Estes carris do pensamento,


Todas as minhas palavras são lágrimas tuas,


Duas pontes absorvendo o rio da dor,


Uma pequena flor,


Um grande amor…


 


Nas janelas doiradas do sofrimento.


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 14 de Julho de 2017


04.07.17

Atravesso a cidade amedrontada,


Finjo não existir nas ruas sem saída,


A morte tem o seu encanto,


A partida… o não regressar nunca mais,


Atravesso a cidade sonâmbula que há em mim,


Deito-me no rio…


 


Sofro,


Choro,


 


E dizes-me que amanhã serei apenas poeira envenenada pela saudade,


 


A viagem às catacumbas do sono,


Invento desenhos no teu corpo,


Viajo incessantemente na sombra dos aciprestes…


E toco com a mão a fresca água da tua nascente,


 


Sofro,


Choro…


 


Enquanto houver luar.


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 4 de Julho de 2017


14.06.17

As máquinas infernais do sofrimento não cessam de chorar,


Escavam o corpo até que a madrugada surja no horizonte,


 


Os ruídos sinusoidais da pequena vergonha de viver


Adormecem como cães raivosos deitados ao luar,


Chamo por ti, meu querido mar…


E sinto na arte de escrever


O sinfónico e desgraçado monte,


 


Sou uma alma aborrecida.


 


Sou uma alma faminta.


 


Os pássaros quando brincam na minha janela


E lá longe acordam as planícies de cartão


Dos dias desesperados à luz da vela,


 


Sou uma alma sem coração.


 


As máquinas infernais do sofrimento não cessam de chorar,


Escavam o corpo até que a madrugada surja no horizonte,


Uma criança não se cansa de brincar…


Entre risos e papeis na casa do rinoceronte,


 


Sou uma alma faminta…


 


Sou uma alma aborrecida…


 


Sou.


 


Sou


Uma alma


Sou uma alma sem tinta.


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 14 de Junho de 2017


15.12.16

Os desejos da morte quando acordava


A visibilidade da madrugada,


Os silêncios da sorte, os medos da alvorada


Nos espelhos cansados da manhã sonhada,


E ele chorava,


E ele não sabia


Que um dia,


Cessavam as lágrimas sobre a calçada.


 


 


Francisco Luís Fontinha


15/12/16


10.05.16

Não tenho fome,


Mas comia todas as palavras


Se a noite me deixasse…


Este terraço sem nome


Que as estrelas absorvem,


E levitam como se fosse um pássaro desnorteado,


Confuso, não, não tenho fome,


Nem me ausento do teu amar.


 


Não tenho fome nem sinto o madrugar,


Tenho sobre os ombros o silêncio deste telhado


Com vista para o mar,


Tenho no olhar o sangue de chorar,


Nas mãos a amargura de viver…


Não, não tenho fome,


Nem vaidade


Ou vontade de escrever.


 


 


Francisco Luís Fontinha


terça-feira, 10 de Maio de 2016


09.12.15

Entranhei as mãos no teu corpo de porcelana


Parecíamos dois pontos de luz em direcção à morte


Sem passaporte


Clandestinos destinos


Das madrugadas infelizes


Tínhamos no sorriso todas as fotografias da infância


Ai… ai meu amor


A tua partida


O abismo das tardes sem ouvir a tua voz


Que a janela da biblioteca absorvia


As coisas parvas que recordávamos


Sítios


Costumes


E palavras não ditas


Suspirava quando te via


Estranhava a palpitação do meu coração


Uma máquina absorta


Nas montras da velha cidade


Os apitos dos teus seios


Chamando-me para o desembarque


Os marinheiros aflitos


Embriagados


Sonolentos


Quando nos teus lábios acordavam beijos


E lamentos


Entranhei as mãos


Na caneta de tinta permanente


Escrevi no teu corpo todos os poemas da noite


(sempre te amei na noite)


Escrevia no teu corpo como se brincasse nas planícies do sofrimento


Deixei de estar presente no teu ventre


Desenhei pássaros na tua face rosada


E bebíamos como se o amanhã não existisse mais


Amava-te


Como amo as sombras desta casa


A lareira embriagada nos trilhos das montanhas da paixão


Novamente o abismo da escrita


O sexo suspenso na clarabóia do luar


Os gemidos invisíveis das noites com geada


Os términos suspiros das alvoradas


Amava-te


E tinha medo do teu cabelo


Como ainda hoje tenho medo do teu cabelo


Veio o sonho


Trouxe a morte


E acordaram todos os vampiros da madrugada


As motorizadas dos caquécticos transeuntes


Contra o medo dos dias


Tinha-me esquecido de acordar


Tinha no quarto uma fenda no espelho


Eu parecia um monstro


Uma ribeira em direcção ao púbis do Rio


Depois acordava o mar


Depois acordava o amor


A paixão


E a desilusão de não te amar


Os lençóis quase em brasa


O suor acorrentado à tua pele de cereja


Ai… ai meu amor


Que inveja


Que saudade


São dóceis as brincadeiras do teu olhar


São dóceis os sofridos orgasmos das tuas lágrimas


E tão longe


O mar


E tão longe


O mar de papel que habita nas tuas coxas…


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


quarta-feira, 9 de Dezembro de 2015

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