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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


17.03.22

Aos teus lábios

Lanço as minhas palavras em desejo,

Enquanto o mar

Se alicerça nos teus cabelos.

Aos teus lábios

Ergo os meus beijos

Como se fossem pássaros de amar

Ou canções de Primavera.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 17/03/2022


19.11.20

São doces, os lábios do poema.

São as palavras, nos lábios do poema,

Quando o mar entra pela janela.

Lá fora, gente dispersa, contínua, como a água,

A mesma água que jorra dos lábios do poema.

São estes beijos, meu amor,

Que travestidos de palavras,

Vivem nos teus lábios – o poema;

Escrevo-te enquanto tu, vestida de flor,

Danças na sombra, a mesma sombra, que beija os lábios do poema.

Percebo que as roldanas do amanhecer, antes de oleadas,

Estejam perras, doentes e cansadas,

Mas, durante a tarde, as roldanas que vivem nos lábios do poema,

Despem-se; vejo-as banharem-se no rio onde brincam os lábios do poema.

O ciúme. A paixão dos versos envenenados pelos lábios do maldito poema,

Dançam, como tu, nos lábios do poema.

Durmo docemente nas tuas asas, andorinha Primavera,

E, o amor,

E o amor nos lábios dela,

Os mesmos lábios que dançam nos lábios do poema.

É hoje, a derradeira manhã adormecida,

Despida,

Nua e envelhecida,

É hoje, meu amor,

Que todas as palavras são beijos,

Os beijos dos lábios do poema.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó, 19/11/2020


19.06.19

Os teus olhos são o poema.


O poema escrito nos teus lábios de amêndoa,


Quando cai a madrugada,


E a geada,


Engorda,


Não aguenta,


O beijo feitiço,


Da tua boca envergonhada.


Os teus olhos são o poema.


O poema inventado numa noite de tristeza,


Fico triste eu,


Ficas triste tu…


Porque o luar,


Junto ao mar…


Deixou de nos pertencer.


Grito,


Escrevo,


Escrever,


Que quando te vejo,


Tremo,


Fujo,


Adormeço.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


19-06-2019


05.05.19

A sombra dos teus lábios,


Suspensa no silêncio da noite.


Desenho a madrugada,


No teu corpo de escrever,


Escrevo palavras,


Silêncios de sofrer.


Em cio todos os pássaros,


Todas as abelhas,


No telhado da aldeia,


A sombra dos teus lábios,


Brincando na eira,


Escrevo palavras,


Parvas,


No teu corpo alvorada,


Desisto,


A melancolia,


Um dia,


Morta na calçada.


A sombra dos teus lábios,


Que a noite vê crescer,


É luar,


É mar,


É poema de sofrer…


A sombra dos teus lábios,


Os pinceis da revolta,


O jardim envergonhado,


Sem escolta,


Descendo a calçada,


O sem-abrigo desgraçado,


De livro na mão…


Deita-se no chão,


Dorme tranquilamente como uma pomba…


Engana a fome com o poema,


Bebe todas as sílabas do poema…


E morre.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


5/05/2019


19.04.19

É noite,


E hoje não estou ao teu lado.


É noite,


Começa em mim a procissão do adeus,


Nas lâminas incandescentes dos teus lábios,


Não, não estou apaixonado,


Nem pela madrugada,


Nem pela tempestade…


Apenas te oiço nos lençóis do mar.


É noite,


Abro a janela e apenas um fio de luz no teu olhar,


O silêncio espetado no teu corpo,


Como a espada que tenho na mão,


Para assassinar a noite.


Vou matá-la.


É noite,


É noite e os livros já dormem,


Como crianças,


Na cama da saudade.


As ruas sem ninguém,


Nem transeuntes,


Nem automóveis,


Nem submarinos,


Apenas petroleiros fundeados junto à porta de entrada;


Fugimos, hoje?


Para as grutas da montanha envenenada pela solidão,


Os amantes, as amantes, lambem-se entre quatro paredes envelhecidas,


Mortas,


Perdidas.


É noite,


É noite e não consigo pegar na tua mão…


Talvez amanhã o consiga…


Amanhã.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


19/04/2019


09.04.19

Desenho o círculo, o quadrado e o triângulo, nos teus lábios de papel quadriculado,


Escrevo-te enquanto brincas na chuva, como uma criança mimada,


Tenho pena dos jardins e das flores,


Quando me sinto abandonado,


Pela tempestade, quando acorda a madrugada,


Na sanzala dos amores.


Leio-te.


Todas as palavras escritas no teu corpo de cerâmica, e na tua pele, o perfume do silêncio amargurado,


Leio-te, como se fosses um livro de poesia,


Quando o poeta está triste,


Com heresia,


Na chuvinha que não resiste,


Ao beijo da alvorada.


Sinto a paixão das palavras no meu corpo cansado.


Desenho o círculo, o quadrado e o triângulo, nos teus lábios de papel quadriculado,


Percorro socalcos,


Pego no xisto,


Sei que existo,


Porque dos teus lábios, brotam a neblina da loucura,


Na cidade, encontro-me encurralado,


Como uma arma de fogo, uma navalha… apontada ao Sol,


E, no entanto, gosto das nuvens de algodão.


Tenho na mão o fogo do amor,


As luvas da paixão,


Tenho na mão a dor,


Quando a espada se entranha no chão.


O círculo,


O quadrado,


O triângulo…


Todos.


Apaixonados.


Todos.


Cansados.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


09/04/2019


26.03.19

Oiço-te.


Penso nas tuas sílabas quando poisam nos meus lábios,


Oiço-te, a cada madrugada, a cada hora passada,


Quando eu deitado, na esplanada encerrada,


Descanso de pessoal,


E, no final do dia, as palavras embriagadas,


Quebram o teu silêncio,


Como uma fechadura,


Pobre,


Nua,


Oiço-te.


Na vanguarda da noite,


Carregado de cartazes,


Lutando contigo,


Lutando…


Até que um dia, novamente,


Perderemos a guerra,


Já o senti,


Já o vivi,


Mas hoje,


Hoje tenho o prazer de te ouvir.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


26/03/2019


24.02.19

Lembro-me de ti.


Juntos ao rio das pedras cinzentas,


A aragem do teu cabelo saltitando entre as gaivotas,


Murmuravas as palavras do destino,


Sentada, junto a mim, uma rosa no peito adormecia,


E os teus olhos cor de amêndoa voavam na paisagem…


Lembro-me de ti.


Sentada.


Presos na minha mão todos os guindastes da insónia,


O medo,


No silêncio…


Sentada,


Junto a mim.


Lembro-me de ti,


E dos teus suspiros velejados pelos livros de poesia,


Unificados sejam todos os fins de tarde,


Quando pegava na tua mão e desenhava nela o sol da madrugada,


Junto ao mar,


A jangada,


O poema embriagado,


Só,


Junto a ti,


Sentada,


Junto ao rio…


Lembro-me de ti.


Todas as ervas daninhas embriagando os teus lábios de seda,


Desenhava o beijo no teu olhar, olhavas-me, criavas um sorriso na tarde, e descobríamos as tempestades da noite,


Tu, sentavas-te, no meu colo,


O medo,


O medo de amar-te sabendo que o amor é o mar enraivecido nos dias ímpares,


A jangada,


Junto a ti,


Sentada.


 


 


Francisco Luís Fontinha


24/02/2019

...


01.07.18

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Todas as tardes te encontro


Nesta desassossegada tarde de Inverno,


Invento a chuva que humedece os teus lábios,


Abraço-te como se fosses a última árvore da floresta…


Na tempestade dos sonhos.


 


 


Francisco Luís Fontinha


1/07/2018


05.02.16

Esta caneta de marfim


Que treme a minha mão,


Infinita na rasurada folha de papel,


Ela, absorve-me,


Como se eu fosse um filho obediente,


Capaz de rasgar todas as palavras escritas,


Esta caneta de marfim


Que às vezes dorme na minha mão,


E sonha na minha mão…


Esta caneta de marfim…


Cansada da minha mão,


Dor mar,


Do luar


E das estrelas,


Também eu me sinto cansado desta caneta de marfim


Que treme a minha mão,


Me grita,


Chora…


A cada palavra sussurrada pelo teu olhar,


A cada palavra assassinada pelos teus lábios,


Esta caneta,


Morre a cada final de página…


 


Francisco Luís Fontinha


sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2016

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