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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


24.10.21

Não preciso das estrelas do amanhecer

Quando tenho os teus lábios para beijar.

Não preciso dos meus poemas de escrever

Porque tenho a tua mão para acariciar.

 

Não preciso destas palavras semeadas

Nas páginas do vento;

Tenho todas as manhãs contadas,

E todas elas são meu alimento.

 

Não preciso das estrelas do amanhecer

Que dormem no meu jardim;

Vejos as flores a crescer,

 

A crescer junto a mim.

São em papel são em cetim…

São ténues, as flores do meu jardim.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 24/10/2021


21.10.21

Batem à porta

E o carteiro não é certamente,

Porque já é noite,

E o carteiro

Já dorme docemente.

Será a flor do meu jardim

Que acaba de acordar?

Não é a flor

Nem é a mim,

Que querem fazer levantar.

São palavras suspensas

Nas árvores do mar,

São batimentos

São pancadas,

Pancadas de embalar.

Batem à porta

E o carteiro não é certamente,

O carteiro já dorme,

Dorme felizmente,

Batem à porta

Da porta de embalar,

Batem na porta da porta,

Beijos de amar.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 21/10/2021


27.01.21

Oiço destas pedras frias e sonolentas

Todas as palavras de amor.

Escrevo todas as palavras cinzentas

Que habitam no jardim verso flor.

 

Pincelo os teus lábios de amêndoa adormecida

Quando acorda o amanhecer,

- Eis o perfume de mim, poesia perdida

Na esplanada do adormecer.

 

Os versos que dormem na tua mão,

Corpo cansado das palavras envenenadas,

Quando acordam, os livros e, sobre o chão

 

Uma fina película de nada.

Que vergonha, as pedras cansadas,

Quando choram na calçada.

 

 

Francisco Luís Fontinha, Alijó-27/01/2021


17.01.21

Flui o amor

Na rosa pétala geada,

Nasce nos teus lábios o sabor a amêndoa cansada.

Desparece a madrugada,

Nas páginas do poema flor;

Eis a manhã do meu sonhar.

Todas as horas e, todos os relógios a cantar,

Todas as flores na tua mão

Dançando a cantiga de embalar…

Flui o amor

Na rosa pétala geada,

Entre conversas de conversar

Entre murmúrios de adormecer.

Pobre coração!

O teu.

Janela para o jardim do amor,

Fotografia em flor,

Máquina volátil de enganar,

Revoltam-se todas as flores

Deste jardim de madrugar.

Flui, flui o amor

Nesta mão pétala rosa geada,

Canção de embalar,

Sorriso de nevão,

Cantiga,

Lágrima água ao acordar;

Dai-me a vossa mão,

Senhor, senhora, menina de brincar.

O doce lençol de linho,

Na triste cama da Donzela adormecida,

Menino,

Menina…

Foto muito querida.

Flores,

Paus,

Pedras de atirar,

Canções de mendigar

Quando a aldeia está a arder,

O fumo alimenta-a

Como todas as rochas de sofrer.

Encontrarás um dia o alegre destino?

Só aos Sábados,

Só aos Sábados, menino.

 

 

Francisco Luís Fontinha, Alijó-17/01/2021


31.12.20

Uma casa cansada despede-se da saudade.

Todas as portas e,

Todas as janelas,

Dormem docemente na umbria da tarde.

O beijo louco das árvores,

Quando o louco amor,

Desce a calçada,

Quando a boca, da casa, beija a tarde em despedida.

E essa mesma casa,

Cansada,

Dorme docemente na tua mão.

Sabes, amor? Todas as flores do teu jardim e,

Todas as árvores do teu jardim,

Alimentam-me quando o sono desaparece na alvorada,

Uma pomba, voa entre pedaços de papel,

Até à claridade do dia,

Uma casa,

O amor da casa pelo pobre jardineiro,

Uma carta escrita entre parênteses e,

Fica sempre aquém um simples ponto final.

O rio foge das suas margens,

Os peixes agradecem todos os rochedos que encontram,

Todos os dias,

Ao meio-dia.

O café encerrado,

A esplanada entre pontas de cigarro e,

Lâmpadas de néon…

Tristes, como a aldeia dos chocolates.

Sabes, amor?

O beijo é uma fotografia,

Como a casa,

Cansada da saudade.

 

 

Francisco Luís Fontinha, Alijó 31/12/2020


03.11.20

Sabes, meu amor, as rosas também se comem

(as de papel, as rosas de açúcar e as rosas de sombra).

As rosas são palavras que dormem no meu jardim imaginário,

Tem pássaros, o meu jardim, tem livros, o meu jardim e, tem roas, o meu jardim.

O meu jardim é a minha casa e,

A minha casa, são os teus lábios de amêndoa doirada,

Suspensos na infinita luz, das lágrimas, das rosas, do meu jardim.

Sabes, meu amor,

Hoje escrevi uma carta aos pássaros do meu jardim,

Os mesmos, que há pouco viviam abraçados às rosas, do meu jardim.

O meu jardim, meu amor, tem uma janela virada para o mar,

O mar, meu amor, que beijas antes de adormecer e,

Me envias em sonhos, todas as noites, debaixo das estrelas que cobrem o meu jardim.

Amanhã, não sei se tenho o meu jardim,

(porque as rosas podem não acordar) e,

A janela do meu jardim, virada para o mar,

Pode, no entanto, amanhã, também ela, não acordar.

E, e se eu não acordar, como as rosas do meu jardim?

Ai meu amor, com é bom ter um jardim,

Rosas para cheirar… e,

Os teus lábios para beijar.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha, Alijó, 03/11/2020


03.05.19

A morte.


A tempestade dos cadáveres poéticos,


Quando do espelho, ao anoitecer, a mão do poeta sufoca o próprio poeta.


O comboio alimenta a morte,


O poema,


O texto.


O corpo do poeta evapora-se nos lábios de uma rosa,


Voa,


E chora ao anoitecer.


A morte.


A fragrância das palavras deitadas sobre a mesa,


Um candeeiro a petróleo vomita lágrimas de luz,


Escrevo,


Apago o que anteriormente escrevi,


Porque não faz sentido,


Porque a morte é parva, estúpida e ignorante…


A faca,


O pescoço alicerçado à lâmina,


O frio do aço que escorrega debaixo das mangueiras,


E nos braços, junto aos pulsos, a cratera do desespero,


Sem perceber o significado do sonho!


As nuvens suspensas na madrugada,


De hoje,


De ontem…


E de amanhã.


A morte,


A sagrada morte num corpo sofrido, silenciado pela sombra…


Nos teus braços.


Adormecer.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


03/05/2019


21.04.19

Roubo as palavras aos meus poemas.


Nem assim ficas contente,


Pareces o vento,


Na cama sorridente.


Roubo as palavras aos meus poemas,


Vejo-te em sofrimento


Como um gladíolo camuflado,


Vai haver uma revolução…


Todos as flores,


Serão todas as espingardas,


Que vão tomar conta da cidade.


Roubo as palavras aos meus poemas,


Roubo os versos,


Os livros,


E fujo de ti.


O cansaço levo-o,


E a enxada da tristeza, também,


Roubo todos os desenhos nas paredes envernizadas da minha casa,


Um casebre ambulante,


Numa qualquer cidade,


Disfarçada de aldeia,


Entranhada nas montanhas do sangue…


Abruptamente, sofro com a tua partida.


Roubo as palavras aos meus poemas,


Batem-me à porta,


O carteiro não será,


Hoje é Domingo


Páscoa,


Dia Santo…


Santo não o sou,


Se o fosse queria ser o santo das esquinas,


Onde habitam os meus amigos,


Parentes e familiares…


O fim de tarde,


O fim dos livros, nos fins de tarde;


O domingo fatídico…


Abstracto,


Como sempre foram os meus Domingos.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


21/04/2019


19.04.19

É noite,


E hoje não estou ao teu lado.


É noite,


Começa em mim a procissão do adeus,


Nas lâminas incandescentes dos teus lábios,


Não, não estou apaixonado,


Nem pela madrugada,


Nem pela tempestade…


Apenas te oiço nos lençóis do mar.


É noite,


Abro a janela e apenas um fio de luz no teu olhar,


O silêncio espetado no teu corpo,


Como a espada que tenho na mão,


Para assassinar a noite.


Vou matá-la.


É noite,


É noite e os livros já dormem,


Como crianças,


Na cama da saudade.


As ruas sem ninguém,


Nem transeuntes,


Nem automóveis,


Nem submarinos,


Apenas petroleiros fundeados junto à porta de entrada;


Fugimos, hoje?


Para as grutas da montanha envenenada pela solidão,


Os amantes, as amantes, lambem-se entre quatro paredes envelhecidas,


Mortas,


Perdidas.


É noite,


É noite e não consigo pegar na tua mão…


Talvez amanhã o consiga…


Amanhã.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


19/04/2019


15.04.19

Flor do meu jardim,


Palavras do meu verso,


Página do meu livro,


Vento que amachuca o meu corpo,


E folheia o livro que és tu…


Nuvem minha paixão,


Tempestade do deserto,


Pôr-do-Sol do meu sonhar,


Nos finais de tarde junto ao mar.


Papel onde escrevo,


Retracto do meu espelho…


Flor do meu jardim,


Nas noites de desassossego.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


15/04/2019

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