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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


26.10.22

À tua janela

Das minhas palavras ensonadas,

Na tua boca estes transversais silêncios,

Luzes, estrelas, beijos de luar

Que poisam nos lábios dos pequenos círculos do sono,

 

À tua janela

A geometria da paixão que das tuas mãos

Invade os quadriculados olhares,

E no peito, trazes as noites junto ao mar…

Sem que de dentro de nós

 

Acordem as palavras incógnitas

Que semeávamos no rio,

Haja alegria quando as noites

Têm janelas com braços,

E pequenas fotografias de medo,

 

À tua janela

Uma estátua de sal olhava-me,

E antes da minha entrada nos teus braços

Eu sabia que tinhas uma lâmina de geada

Que se alicerçava no meu rosto,

 

Pego neste relógio de pulso, e cansado

De me avisar que a noite vem em viagem,

Que as flores dos teus cabelos

Dormem nos lençóis da insónia…

Como dormiam todos os pássaros junto à tua janela.

 

 

 

Alijó, 26/10/2022

Francisco Luís Fontinha


25.10.22

Éramos quatro paredes, uma janela rectangular com acesso à rua onde um pequeno fio de luz incidia ao acaso sobre esta, na parede em frente à janela, um pequeno crucifixo em madeira parecia inventar o sono, quando sobre a cama, junto à parede onde ele estava pendurado, Mariana, seminua e com pose de silêncio sobre a pobre cama e coberta de lençóis envenenados pelo desejo, com uma qualquer publicação desconhecida aprisionada pelas mãos finas e débeis, murmurava as palavras invisíveis do pós madrugada, quando percebeu que ele enquanto tinha os cotovelos poisados no parapeito e numa das mãos o segundo cigarro da manhã, perguntou-lhe pausadamente

Que fazes?

Penso.

Só pensas?

Não.

E depois de uma longa pausa, de imaginar o mar ao longe, disse-lhe que com o pequeno fio de luz que abraçava a janela de vez em quando, iria puxar o mar e trazê-lo até esta.

Ela, sorriu.

Ele, sorriu.

Sobre a almofada pequena, semeava os cabelos loiros e finos da cor do sol e cansados como a lua de dar voltas à terra e mais parecendo uma linda seara de trigo nas mãos do Vale da Cabra, quando de soslaio

Acreditas que o Universo é infinito?

Tal como duas rectas paralelas se encontrarem no infinito.

E se essas duas rectas paralelas nunca se encontrarem no infinito?

O Universo é finito…

Ela, sorriu.

Ele olhou-a como se com o triste olhar que lhe pertencia desenhasse um longo e silenciado beijo, junto ao seio esquerdo, no direito, escreveu

E se amanhã chover?

E devagarinho, em pequenos soluços, foi puxando o mar até o estacionar junto à janela, e sentiu-o muito pertinho da mão, então

Enquanto chapinhava na água, sussurrou

Porra, e se as rectas se encontram mesmo?

Quero lá saber das rectas…

Poisou a pequena publicação sobre a mesinha-de-cabeceira, levantou-se e em pedacinhos de sombra aproximou-se dele, abraçou-o, colocou os braços sobre os ombros inclinados para o longínquo jardim e

Amo-te.

Ele, sorriu.

Vês, aquele barco lá ao fundo?

Sim, vejo, o que tem?

É o primeiro barco que vejo há mais de três anos por estas bandas…

E olha que estou aqui desde as seis horas da manhã até às vinte e três da noite,

E depois?

Depois vou desenhar barcos no tecto da alcofa…

Sabes?

Diz.

Esta noite sonhei que fui mãe e era uma menina

Como as rectas?

Parvo.

Muito parvo, mesmo.

Encerrou a janela, sentou-se na cama por alguns segundos, encostou a cabeça à parede e de olhar inclinado, enquanto o crucifixo lhe perguntava

Em que pensas?

Penso como será bela a noite, quando aquele barco estacionado lá longe, entrar pela janela, colocar os joelhos junto ao meu corpo e deitar-se no meu peito.

Acreditas mesmo?

Não sei!

Umas vezes acredito que duas rectas paralelas se encontram no infinito, outras, pelo contrário, que estas nunca se vão encontrar;

Então o Universo pode ser infinito ou finito, é isso?

Ele, sorriu.

E quando olhou para o lado, sobre a almofada pequena, ela semeava os cabelos loiros e finos da cor do sol e cansados como a lua de dar voltas à terra e mais parecendo uma linda seara de trigo nas mãos do Vale da Cabra, ouviram-se as silenciadas ondas de paixão mais lindas que alguma vez foram observadas.

 

 

 

 

Alijó, 25/10/2022

Francisco Luís Fontinha

(ficção)


17.01.21

Flui o amor

Na rosa pétala geada,

Nasce nos teus lábios o sabor a amêndoa cansada.

Desparece a madrugada,

Nas páginas do poema flor;

Eis a manhã do meu sonhar.

Todas as horas e, todos os relógios a cantar,

Todas as flores na tua mão

Dançando a cantiga de embalar…

Flui o amor

Na rosa pétala geada,

Entre conversas de conversar

Entre murmúrios de adormecer.

Pobre coração!

O teu.

Janela para o jardim do amor,

Fotografia em flor,

Máquina volátil de enganar,

Revoltam-se todas as flores

Deste jardim de madrugar.

Flui, flui o amor

Nesta mão pétala rosa geada,

Canção de embalar,

Sorriso de nevão,

Cantiga,

Lágrima água ao acordar;

Dai-me a vossa mão,

Senhor, senhora, menina de brincar.

O doce lençol de linho,

Na triste cama da Donzela adormecida,

Menino,

Menina…

Foto muito querida.

Flores,

Paus,

Pedras de atirar,

Canções de mendigar

Quando a aldeia está a arder,

O fumo alimenta-a

Como todas as rochas de sofrer.

Encontrarás um dia o alegre destino?

Só aos Sábados,

Só aos Sábados, menino.

 

 

Francisco Luís Fontinha, Alijó-17/01/2021


09.11.20

As cerejas serão sempre cerejas na tua boca.

Os lábios das cerejas, na tua boca, teus lábios, serão sempre o nascer do sol.

Das palavras, às cerejas, há sempre um poema envenenado,

Uma canção de espuma,

Na mão sardenta de um condenado.

Há sempre um drogado,

Entre poemas e textos de escrever,

As cerejas, quando doces, são frutos de querer,

São melodias do narciso,

Voando em direcção ao mar.

Depois, no final da tarde, todas as palavras se suicidam,

Dormem na boca das cerejas,

Depois, o beijo, das cerejas,

Parecendo o acordar dos pássaros embainhados pelo sono da Primavera.

Tenho em mim, na minha mão, as cerejas de beijar,

Tenho na minha boca as cerejas do desejo,

Quando no oceano todas as cerejas, entre palavras, se agitam como moças parvas,

Cidades entre esquinas,

Luzes de caminhar de encontro às esplanadas de brincar e,

As outras cerejas,

As cerejas de acariciar,

Pintam na clarabóia da insónia,

As planícies de amar.

Amam-se as cerejas.

Brotam da terra as cerejas mortas,

Caducas,

Velhas,

Onde alguém desenha hortas,

Árvores em papel… e,

Janelas abertas.

As cerejas, meu amor,

São o silêncio da bruma,

São barcaças,

São pingos de espuma;

Um telegrama,

Que não me grama,

Coça os tomates,

Puxa de um cigarro invisível,

Lê na tua mão, meu amor,

Que todos os restaurantes faliram,

Morreram de sono,

Pumba.

Fim.

Incrível,

As aldeias de xisto,

Cansadas,

Cansadas de tudo e de nada,

Visto.

Está visto.

Porta cerrada,

Número de polícia trocado,

O velho,

O farrapo,

O vagabundo.

Atravesso a calçada,

Limito-me a observar,

Os pombos que cagam,

Os homens que cagam nos pombos e,

Meu amor, as cerejas que esqueci na tua boca.

Alimento-me.

Sou um sem-abrigo com ordem de recolher;

Mas nunca, nunca serei um homem de obedecer.

Ponto.

Vivam as cerejas,

Porque de tão belas,

São doces,

São mulheres,

São donzelas.

E as abelhas?

Que se fodam as abelhas.

E as cerejas de comer.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 09/11/2020


11.03.20

O tempo silencia os teus lábios de cereja adormecida,


Quando a nuvem da manhã,


Poisa docemente no teu sorriso;


Há palavras na tua boca,


Que absorvo com saudade,


E, nada me diz, que amanhã será uma manhã enfurecida pela tempestade.


Subo à sombra do teu olhar,


E, meu amor,


O cansaço da solidão deixou de acordar todas as manhãs.


Fumamos cigarros à janela,


Dentro de nós um volante de desejo,


Virado para a clarabóia entre muitas janelas,


Portas de entrada,


Escadas de acesso ao céu,


E, no entanto, o fumo alimenta-nos a saudade,


Porque lá longe,


Um barco de sofrimento, ruma em direcção ao mar.


É tarde,


A noite desce,


O holofote do silêncio, quase imparável, minúsculo, visto lá de cima,


Ruas, caminhos sem transeuntes, mendigos apressados,


Vagueando na memória.


STOP. O encarnado semáforo, cansado dos automóveis em fúria,


Correm apressadamente para Leste,


Nós, caminhamos para Oeste,


E, nunca percebemos as palavras que as gaivotas pronunciam,


Em voz baixa,


Com os filhos ao colo,


Sabes, meu amor?


Não.


Amanhã há palavras com mel para o almoço,


Dieta para o jantar,


E beijos ao pequeno-almoço;


Gostas?


Das nuvens da manhã?


Ou… dos pilares de areia que assombram a clarabóia?


Nunca percebi o silêncio quando passeia de mão dada com a ternura,


De uma tarde junto ao rio,


Ele, folheia um livro,


Ela, tira retractos aos pássaros,


E, porque te amo,


Também vagueio,


Junto ao rio,


Sem perceber o meu nome,


Que a noite me apelidou,


Depois do jantar,


Numa esplanada de gelo.


O ácido come-me, a mim, às palavras, como a Primavera,


Num pequeno quarto de hote,


Entre vidros,


Livros,


Palavras,


E, desenhos.


(aos depois)


Nada.


Brutal.


Os comprimidos ao pequeno-almoço.


Fim.


Amanhã, novo dia, nova morada, beijos,


Cansaços,


Abraços,


E, portas de entrada.


O amor é luz.


O amor são flores, árvores e, pássaros.


E pássaros disfarçados de beijos.


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


11/03/2020


16.03.19

Tudo o que há em ti, meu amor,


São sílabas envenenadas,


Nos lábios cansados,


Do poeta.


 


Tudo o que há em ti, meu amor,


São amêndoas em flor,


Nas mãos da madrugada…


São palavras inventadas,


Poemas revoltados…


 


Do poeta.


 


Tudo o que há em ti, meu amor.


 


Do poeta,


Os livros engasgados no teu ventre,


O poema abraçado aos teus seios, como uma caravela,


Esquecida no mar,


 


À deriva.


 


Tudo o que há em ti, meu amor,


Os pássaros que brincam no teu cabelo,


Olhando a calçada,


Quando desce a noite na pele cinzenta das árvores queimadas,


 


Tudo, meu amor.


 


Tudo se cansa em mim,


Como pedras ensanguentadas,


Os comprimidos do sonho,


A injecção da esperança,


E tu, meu amor,


 


Nesta amaldiçoada canção.


 


Tudo o que há em ti, meu amor,


A manhã em pequenas quadriculas de tecido,


A agulha, o dedal…


Junto ao mar.


 


Tudo o que há em ti, meu amor.


 


O desejo da paixão,


Num corpo apaixonado,


 


Tudo, meu amor,


Da janela desventrada,


O silêncio dos livros queimados,


Na tua ausência…


Do poeta,


 


Tudo, tudo o que há em ti, meu amor!


 


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 16/03/2019


25.07.17

Uma janela esfomeada


Virada para o mar,


O cansado dia prisioneiro na janela virada para o mar,


Uma janela esfomeada


Na luminosidade obscura da cidade,


Entra um barco em soluços,


Embriagado pelo sal,


Uma janela esfomeada


Na sombra das árvores do quintal,


Um pássaro vestido de janela…


Procurando o cortinado do anoitecer,


A prenda,


O segredo de hoje,


Os indignados de ontem…


Com a notícia de hoje,


O prego enferrujado no “CU” de Judas…


Longe de mim,


Perto de ti…


Uma janela esfomeada


Sem coração,


Recheada de beijos,


Abraços…


E o carrasco enforcado na janela esfomeada,


Virada para o mar…


Termina o Sol,


Nasce a noite nos socalcos do cansaço…


E vai-se vivendo ouvindo as tuas palavras vãs…


O anão,


O eterno anão a “cagar” no deserto.


FIM.


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 25 de Julho de 2017


15.07.17

Ela,


Disfarçada de mar a entrar pela janela,


Ela,


Disfarçada de Pôr-do-sol antes do anoitecer,


Enganador sentimento de dor…


E ela,


Nas cansadas fileiras da sonolência,


Ignóbil projecto convertido ao silêncio,


À janela,


Ela,


Disfarçada de cortinado,


Verdejante,


Humilhante alimentares-te das minhas palavras indigestas,


Gastas…


Gastas como ardósias de papel.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 15 de Julho de 2017


14.06.17

As máquinas infernais do sofrimento não cessam de chorar,


Escavam o corpo até que a madrugada surja no horizonte,


 


Os ruídos sinusoidais da pequena vergonha de viver


Adormecem como cães raivosos deitados ao luar,


Chamo por ti, meu querido mar…


E sinto na arte de escrever


O sinfónico e desgraçado monte,


 


Sou uma alma aborrecida.


 


Sou uma alma faminta.


 


Os pássaros quando brincam na minha janela


E lá longe acordam as planícies de cartão


Dos dias desesperados à luz da vela,


 


Sou uma alma sem coração.


 


As máquinas infernais do sofrimento não cessam de chorar,


Escavam o corpo até que a madrugada surja no horizonte,


Uma criança não se cansa de brincar…


Entre risos e papeis na casa do rinoceronte,


 


Sou uma alma faminta…


 


Sou uma alma aborrecida…


 


Sou.


 


Sou


Uma alma


Sou uma alma sem tinta.


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 14 de Junho de 2017


02.04.16

Sofro por ti meu amor


Sinto a tua mão no meu rosto cansado pela doença


Sinto no meu corpo


As marras do destino


Habito em ti


Sou pedaço do teu cansaço


Livro das tuas palavras


Algumas parvas


Algumas insignificantes


Sofro o derradeiro sofrimento


Que as marés do inferno me trazem


Não tenho medo da tua partida


Não tenho medo da tua ausência


Suicido-me nos teus lábios


Acabrunho-me nas imensuráveis paixões dos poços da morte


Estou só meu amor


Partiste sem me avisar


Naquela noite das sombras do esquecimento


Suicido-me no teu perfume


Caminho calçada abaixo


As rosas da melancolia


As raízes dos soníferos orgasmos da manhã


Fugidios corações de aço


No corpo debruçado sobre o parapeito do desejo


Estou cego meu amor


Os dias tristes da tua ausência


Ao longe os apitos da locomotiva do adeus


Nunca mais quis o amor


Nunca mais quis a infância desenhada em Luanda


Perder-me numa Alijó encurralada no esquecimento


O frio


O frio disfarçado de abismo


O amor regressado do mendigo palhaço do deserto


Saber que amanhã estou só


Eu


A noite


O amontoado de sucata


As árvores do teu sorriso


Estou só



Só neste sargaço da sonolência do labirinto de asas


Pássaros enraivecidos


Limitados pela cabeça do sono


Tenho medo meu amor


Tenho medo da madrugada


E acreditar que estás vivo


Ao meu lado


Esticando o dedo…


Então engenheiro!


Não tenho palavras do suicídio fictício da minha vida


O Tejo peneirento algures nos teus lábios


Estou feliz hoje


Permaneço no esquadro envidraçado do teu olhar


Meu amor


Me encontro encurralado no esquecimento


Submersos esqueletos de gelatina


Ao espelho


O meu corpo envidraçado


 


Francisco Luís Fontinha


sábado, 2 de Abril de 2016

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