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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


12.01.23

Enquanto a noite dorme

(porque a noite também dorme)

Oiço o silêncio das lágrimas que se desprendem do teu rosto

Que se transformam em lâminas afiadas

E cortam em pedacinhos

A sombra do mar,

 

E se a noite dorme

E demora a acordar

Quando desespera nos braços do mar

Os teus olhos de estrela Polar,

Também elas, a sombra do mar.

 

 

 

Alijó, 12/01/2023

Francisco Luís Fontinha


11.01.23

Converso com as palavras deste pobre rio

Onde se afunda o barco da minha vida,

E todas as noites

Uma nuvem de sono foge de mim pela janela,

Aquele barco sem braços

Sem mãos para acariciar o meu rosto desassossegado,

Uma vida entre muros de insónia

E inocentes sorrisos de amanhecer,

 

Quando acordo,

Trago comigo a noite

Onde me visitas

E me repreendes,

 

Depois vêm a mim as roupas negras

Que transportas sobre os ombros

Mas sei que és apenas poeira

E pequenas sombras de embriaguez,

 

Como eu queria estar nos teus braços

Como quando em menino

Me levavas a ver as estrelas…

 

E se estou vivo…

Se estou vivo

Devo-o a ti,

E junto às palavras deste pobre rio com quem converso

Troco a noite por pequenas bugigangas

Coisas poucas

Coisas de quase nada,

Enquanto viajas pelo Universo.

 

 

 

 

Alijó, 11/01/2023

Francisco Luís Fontinha


08.12.22

Encosto a cabeça

À sombra do teu corpo.

 

Faço um cigarro com as estrelas do teu olhar,

Enquanto abraço a nudez do teu corpo

Que cresce no espelho da noite,

Escrevo nos teus doces lábios de mel,

 

Tanta coisa que poderia escrever,

Tanta coisa, minha querida…

Que nada escrevo.

 

Pego num pequeno cordel do sono,

E com ele,

Trago o silêncio

E o mar que habita no teu peito,

Depois,

Pego na insónia,

E da insónia faço uma flor

Que poiso na tua boca; uma flor colorida de beijos.

 

Encosto a cabeça

À sombra do teu corpo,

E espero que o nosso mar…

Que todo o nosso mar…

Entre pela janela,

Como entram as estrelas do teu olhar,

Quando abro a janela da manhã.

 

 

 

 

 

Alijó, 08/12/2022

Francisco Luís Fontinha


22.11.22

Trazes nos olhos

O doce mel do mar

Que em teus lábios de fina madrugada

Dançam as andorinhas da adornada Primavera

Que na tua boca inventam o beijo,

 

Que no teu corpo

Menina em marítima lágrima de sono

As minhas mãos escrevem

O poema em construção

Do desejado Deus em oração,

 

As flores que transportas nas mãos

Do silenciado sorriso do centeio

Às pobres pedras da calçada

Onde danças

E brincas menina cansada,

 

E sorris à alegria janela

Que a manhã semeia e levita

Nas árvores envenenadas da paixão

E as nuvens poéticas em pérfidos luares

Poisam nas tuas coxas de ribeira acoitada,

 

É a tua voz que se liberta desta lareira

E em cada pedacinho de insónia

Diz-me ao ouvido

Que o doce mel que trazes do mar

São os sonhos que escreves no meu peito.

 

 

 

 

Alijó, 22/11/2022

Francisco


13.11.22

Trazias-me o sono envenenado

Que a noite lançava nas pequenas esquinas de luz

E não sabias que dentro de mim

Uma radiografia de insónia

Gritava na madrugada

 

Depois

Abria a janela onde podia ver as lágrimas do poema

E percebia que dos teus olhos

Uma mão invisível me tocava

Como tocam as flores nas rugas do sol

 

Pegava nas pedras ausentes que a calçada

Me atirava

Pegava nas palavras que da tua mão se erguiam

Sobre o meu corpo

Em putrefacção nos libertados ossos do mar

 

E a morte já me pertencia

O medo

Quando as lâminas do desejo

Se abraçam aos meus braços em suicídio

Quando um pequeno barco zarpa dos teus lábios

 

Trazias-me o sono

O derradeiro veneno que lanças nas águas envergonhadas

E das tristes paredes da cidade em combustão

Um espelho suspenso na manhã

Cortava-me a cabeça e vinha a mim o medo do regresso

 

 

 

 

Alijó, 13/11/2022

Francisco Luís Fontinha

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