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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


29.07.22

Trazias no olhar

A espada cansada da guerra

Que os meninos em brincadeira

Desenhavam na sonâmbula alma

As tristes palavras da alvorada,

 

E tu, em gritos pedaços de neblina

Dançavas sobre a água calma do rio

Sem perceberes que em cada luar

O uivo grito se alicerçava aos teus ossos

De poeira esbranquiçada.

 

Trazias no olhar

As lágrimas da mentira envenenada

Que não sabia voar…

Que não sabia nada.

Trazias no olhar

 

A saudade,

A dor triste oiro

Nos braços da madrugada;

Trazias no olhar

A espada cansada da alvorada,

 

Enquanto os meninos em brincadeira

Escreviam na tua mão

As palavras em despedida;

Trazias no olhar

A dor fingida da partida.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 29/07/2022


09.07.22

Quando o beijo envenenado

Desce na tua boca em delírio alimento,

Quando a espada sobre a cabeça do condenado

Escreve o poema da verdade;

Quando as flores levadas pelo vento

Trazem as palavras da saudade,

 

Quando acorda a manhã, quando morre a madrugada.

Quando a tua sílaba alicerçada aos teus seios madrugar,

É canção revoltada,

Quando trazes a mim o desejo desejado

Que só a tua mão sabe desenhar…

Neste meu corpo cansado.

 

Quando tudo isto acontecer,

Quando o poema em construção

Deixar de viver

E voar nas mãos de uma criança mimada;

Então, terei o teu coração

Que nunca mais irei esquecer.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 8/07/2022


24.06.17

Neste cansaço dia


Sinto o abraço da alegria,


Sou um homem desajeitado


E sem sono,


Sou uma pedra imperfeita,


Sou uma nuvem desfeita…


E este corpo ancorado,


E este corpo cruxificado ao teu olhar madrugada,


O feitiço de amar,


Na planície magoada


Pela bela trovoada…


Sou um homem desiludido com a cidade dos Deuses Tristes de Morrer…


Uma amêndoa apodrecida jaz sobre a minha mão de escrever,


Sempre me recordam as cinzas do teu silêncio amanhecer,


Neste cansaço dia


Sinto o abraço sem perceber o que sentia,


As albufeiras da solidão


Descem a montanha até ao meu coração,


Irritado,


Sou uma pedra de granito


E grito…


E sinto sem sentir…


A alegria de sorrir,


Na tristeza do grito.


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 24 de Junho de 2017

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