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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


27.07.14

Feliz aquele que tem alguém para amar,


feliz aquele que tem um livro para ler,


escrever, tão feliz... tão feliz aquele que sente a noite adormecer,


adormecer... nos braços do luar,


 


Feliz aquele que tem lábios para beijar,


que habita numa boca com sorriso de amor,


feliz aquele que inventa cabelos na planície do amanhecer,


e sem querer... e sem querer começa a chorar,


 


Felizes os barcos que têm marinheiros de papel,


corpos nus, corpos com sabor a mel...


feliz aquele que tem seios para pintar,


segredos para desvendar, quando o calendário da solidão... desaparece no mar,


feliz, eu?


talvez venha um dia a acreditar,


que há sanzalas com odor a chocolate,


que existem nuvens plantadas nos socalcos das coxas cinzentas dos pinheiros bravios...


feliz aquele que morre sem o perceber,


feliz..., tão felizes os cigarros de fumar,


tão felizes os cigarros de viver,


… quando há uma mulher embrulhada numa folha amarrotada,


 


Feliz aquele que tem alguém para amar,


feliz aquele que tem um livro para ler,


feliz..., tão feliz aquele que tem um poema a crescer...


a crescer... no verbo desejar.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 27 de Julho de 2014


13.03.13

Pensava que a erva era uma sopa concentrada


alimento respeitado para a alma


pensava eu


que a dita madrugada


não chegava


e mesmo assim


chegou


regressou do longínquo jardim


só e abandonada


como as estrelas do céu


de sal em pitada


na mão madrasta que o vento levou,


 


Pensava que a erva se fumava


e eu fumei-a como sílabas descarnadas


pensava que da sopa apareciam bailarinas desesperadas


como as mortalhas do mordomo


e os tripés de arame com pernas de navalhas


mas a erva não bateu e o mordomo chorava


deitado nas loiças palhas


pensava eu antes do sono,


 


Pensava eu pensava


quando olhava para o espelho traidor


sem perceber que o doutor


comia a erva e fumava ovelhas


cagava abelhas


e bebia mel


com pedacinhos de papel


e fumava luzinhas fumava.


 


(não revisto)


Francisco Luís Fontinha

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