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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


03.08.21

Há um corpo de rosas

Pincelando os meus braços.

Lábios de espuma

Abraçados ao meu sorriso,

Há um corpo recheado de palavras

Que brincam no meu olhar,

A bruma,

Nos seios do mar.

Há um silêncio amanhecer

Que me ilumina,

Desenha e,

Alimenta na alvorada,

Há um corpo de rosas

Pincelando a madrugada.

Há a sombra das sílabas

Voando sobre o meu cabelo,

De vento em vento,

De socalco em socalco,

Semeando o medo,

O medo invisível dos rochedos envenenados pela paixão;

Há o teu corpo veneno,

Descendo a noite cinzenta da cidade,

Há no teu corpo o sorriso…

O sorriso da felicidade.

Há na minha janela o retracto de uma infância feliz,

Quando as palavras te pertenciam,

Há no teu corpo um grito,

Do cio que pincelo até às nuvens que fugiam.

Há um corpo vazio,

Recheado de flores,

Palavras,

Amores;

Há um corpo. O teu. Todas as noites na minha mão.

Há um corpo a preto e branco,

Que só a tela da saudade consegue escrever,

Na noite,

A mão que te faz crescer.

 

 

Francisco Luís Fontinha, Alijó – 03/08/2021


17.01.21

Flui o amor

Na rosa pétala geada,

Nasce nos teus lábios o sabor a amêndoa cansada.

Desparece a madrugada,

Nas páginas do poema flor;

Eis a manhã do meu sonhar.

Todas as horas e, todos os relógios a cantar,

Todas as flores na tua mão

Dançando a cantiga de embalar…

Flui o amor

Na rosa pétala geada,

Entre conversas de conversar

Entre murmúrios de adormecer.

Pobre coração!

O teu.

Janela para o jardim do amor,

Fotografia em flor,

Máquina volátil de enganar,

Revoltam-se todas as flores

Deste jardim de madrugar.

Flui, flui o amor

Nesta mão pétala rosa geada,

Canção de embalar,

Sorriso de nevão,

Cantiga,

Lágrima água ao acordar;

Dai-me a vossa mão,

Senhor, senhora, menina de brincar.

O doce lençol de linho,

Na triste cama da Donzela adormecida,

Menino,

Menina…

Foto muito querida.

Flores,

Paus,

Pedras de atirar,

Canções de mendigar

Quando a aldeia está a arder,

O fumo alimenta-a

Como todas as rochas de sofrer.

Encontrarás um dia o alegre destino?

Só aos Sábados,

Só aos Sábados, menino.

 

 

Francisco Luís Fontinha, Alijó-17/01/2021

...


10.06.18

Perdeste o sentido da vida. Alimentas-te de sorrisos e lágrimas e empunhas para mim o teu cigarro suicidado, tosco, escaldante Domingo na triste madrugada.


STOP… meu amor; STOP.


 


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Fotografia censurada pelo Facebook


06.03.15

O acrílico beijo


na tela do desejo


sem medo de perder


o acordar da madrugada


ele abre a janela


e percebe que afinal...


a madrugada é um fantasma


uma coisa de nada


sombras


silêncios


e


e abraços na escuridão


 


ela sabe que os dias morrem


e nas aldeias de granito


habitam pássaros de papel


coloridos


aventuras


sem destino


acorrentados aos gritos da caverna do adeus


ela sabe que os dias


poucos


nenhuns


absorvem a luz


disparada por um olhar invisível


 


e no entanto


o beijo transforma-se em fotografia


negra


como o poço da morte


na infância de uma cidade perdida


há nos seus lábios abelhas


e pincelados corações de pólen


e voam


poucos


nenhuns...


homens conseguem entranhar-se no seu corpo


e ela desaparece em cada avenida do sofrimento.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sexta-feira, 6 de Março de 2015


23.01.15

As imagens tridimensionais da fotografia a preto e branco


há no seu rosto a melancolia da cúbica equação


as sílabas castanhas do primeiro amor


a equação em dor


a metáfora linhagem do sangue embriagado


cintilando


amar


não tenho vida


sou um desabitado eterno apaixonado...


pelas palavras


sorrisos


e riscos


 


havia outro comboio para regressar aos teus lábios


perdi-o passivamente


como um gladíolo adormecido


derrubei muros invisíveis


palhotas de silencio


antes de nascer o dia


fui habitante da cidade dos mabecos


menino desenhando círculos


na húmida saudade


que só a chuva consegue abraçar...


e hoje


hoje pertenço às imagens tridimensionais da fotografia a preto e branco.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2015


01.01.15



(desenho de Francisco Luís Fontinha)


 


 


deixei de sentir a tua fotografia nos meus lábios


vi uma lágrima de vácuo galgando o teu rosto


em direcção ao mar


pertencíamos aos peixes sem asas


brincando sobre a árvore das palavras


havia uma tempestade de aço


sobre as tuas pálpebras amordaçadas


e não sabíamos que o amor era um fugitivo


um cadastrado destino


um homem suspenso na gravata dos cintilantes amanheceres


um cadastrado destino


acorrentado à tua fotografia


sem tu o saberes


perdemos os abraços


os beijos


e as caricias defeituosas da madrugada


perdemos o orgasmo literário de uma janela em Belém


sem tu o saberes


a noite construída de infinitos gemidos


e nem tempo tivemos para desamarrar o luar que nos cercava...


o fugitivo amor


um cadastrado destino


a noite construída de mimos


e armadilhas


e simples ruínas


como o vómito da cidade depois de acordar...


sem tu o saberes


o exilado casaco de couro balançando na ponte da angústia


o cheiro sulfuroso das avenidas em flor...


e da tua fotografia que vivia alicerçada aos meus lábios...


nada


desapareceu na neblina


talvez cansada


talvez... talvez


talvez ensanguentada nas mãos em ciúme.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quinta-feira, 1 de Janeiro de 2015



14.12.14



(desenho de Francisco Luís Fontinha)


 


Sinto as tuas finíssimas lâminas de agonia


sobre os meus ombros de xisto


tenho nos versos a enxada do silêncio


e no peito a espada do cansaço


sinto as tuas lágrimas de estanho


descendo a calçada


como uma fotografia


morta


rasgada


e a noite constrói-se no teu cabelo


sempre que um relógio engasgado


adormece no pulso da insónia,


não existem imagens nas minhas mãos


tenho medo da cidade depois de se erguer a madrugada


sinto as tuas finíssimas lâminas de agonia


sinto as tuas lágrimas de estanho


nesta triste parede embriagada


pelo medo


pelo tédio...


morta


rasgada


uma algibeira sem nome


perdida na estrada


sem nome... esquecida na perpétua estátua da liberdade.


 


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 14 de Dezembro de 2014



04.12.14

A lentidão do desejo sonífero


que mergulha nos teus abraços sem sentido


o espelho da insignificância em pedaços de papel


que do vento regressam os fios loucos do teu cabelo iluminado pelo luar


trazem alegria


trazem poesia...


e tu pareces não perceber


que a lentidão do desejo


é uma digital fotografia


que arde


e que grita


a cada novo dia...


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quinta-feira, 4 de Novembro de 2014

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