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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


13.02.22

Não sei porque chove

Neste poema envenenado.

Não sei porque chove

Nestas palavras sem nome.

Não sei porque chove

Neste corpo cansado,

Cansado da fome.

 

Não sei porque chove

Nos teus lábios de amanhecer.

Não sei porque chove

Na tua boca de luar.

Não sei porque chove

Neste corpo de morrer,

De morrer junto ao mar.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 13/02/2022


12.02.21

Escrevo o teu nome

Nas arcadas do pensamento,

Grito. Fico com fome

Das palavras alimento.

 

Os beijos desenhados

Na tua perfeita mão,

São abraços cansados

Que ardem no coração.

 

Tenho nas palavras abençoadas

A insónia de viver;

Do medo às caminhadas,

 

Quando o teu perfume

Me obriga a escrever.

Meu amor! Salva-me deste maldito lume,

 

Onde eu tenho de adormecer.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha, Alijó 12/02/2021


08.12.19

Trago em mim a fome da saudade.


Não sei quem sou, nesta cidade deserta,


Cansada da verdade.


Trago em mim a fome da tristeza,


Quando o vento se alicerça nos teus lábios.


Trago em mim o silêncio da noite,


Quando um livro perdido, se levanta, e avança contra a escuridão.


Trago em mim o sofrimento do desejo,


Como uma cancela escondida pela geada,


E na montanha, tenho escondidas as lágrimas da calçada.


Trago em mim a morte,


A dor,


E o sonho de adormecer no teu colo.


Trago em mim a saudade,


A fome,


A vaidade.


Trago em mim a felicidade,


De um dia, voar,


Nas tuas mãos,


No teu sonhar.


Trago em mim a fome de sofrer,


Dentro de um relógio indignado com o tempo.


Trago em mim a fome de escrever…


Escrever palavras de alento.


Trago em mim a fome de ser,


Ser quem não sou,


Que sou ser,


Invisível,


Nesta Galáxia complexa da noite.


Trago em mim o prazer,


O sonho,


A vontade de viver.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


08/12/2019


14.04.19

Recordações,


Equações diferenciais em construção,


Pedaços de silêncio suspensos numa mão,


A mão que assassina, a mão que escreve,


E nunca esquece, as planícies da minha infância.


Recordações,


Pequenos livros em promoção,


Livraria UNI VERSO,


Sempre em verso,


Nas palavras corações,


Nas palavras a clemência…


O silêncio verso,


O silêncio amanhecer,


De escrever,


Morrer…


Sem perceber,


Os dias da semana.


A fome em pedaços, em prestações,


O papel amarrotado,


Coitado, do papel, amarrotado,


Como as plantas,


Envenenadas pela voz da razão.


Um coração palpita,


Grita…


Junto ao mar.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


14/04/2019


25.07.17

Uma janela esfomeada


Virada para o mar,


O cansado dia prisioneiro na janela virada para o mar,


Uma janela esfomeada


Na luminosidade obscura da cidade,


Entra um barco em soluços,


Embriagado pelo sal,


Uma janela esfomeada


Na sombra das árvores do quintal,


Um pássaro vestido de janela…


Procurando o cortinado do anoitecer,


A prenda,


O segredo de hoje,


Os indignados de ontem…


Com a notícia de hoje,


O prego enferrujado no “CU” de Judas…


Longe de mim,


Perto de ti…


Uma janela esfomeada


Sem coração,


Recheada de beijos,


Abraços…


E o carrasco enforcado na janela esfomeada,


Virada para o mar…


Termina o Sol,


Nasce a noite nos socalcos do cansaço…


E vai-se vivendo ouvindo as tuas palavras vãs…


O anão,


O eterno anão a “cagar” no deserto.


FIM.


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 25 de Julho de 2017


14.06.17

As máquinas infernais do sofrimento não cessam de chorar,


Escavam o corpo até que a madrugada surja no horizonte,


 


Os ruídos sinusoidais da pequena vergonha de viver


Adormecem como cães raivosos deitados ao luar,


Chamo por ti, meu querido mar…


E sinto na arte de escrever


O sinfónico e desgraçado monte,


 


Sou uma alma aborrecida.


 


Sou uma alma faminta.


 


Os pássaros quando brincam na minha janela


E lá longe acordam as planícies de cartão


Dos dias desesperados à luz da vela,


 


Sou uma alma sem coração.


 


As máquinas infernais do sofrimento não cessam de chorar,


Escavam o corpo até que a madrugada surja no horizonte,


Uma criança não se cansa de brincar…


Entre risos e papeis na casa do rinoceronte,


 


Sou uma alma faminta…


 


Sou uma alma aborrecida…


 


Sou.


 


Sou


Uma alma


Sou uma alma sem tinta.


 


 


Francisco Luís Fontinha


Alijó, 14 de Junho de 2017


12.10.15

desenho_12_10_2015.png


Fontinha – Outubro/2015


 


Ouvi-los… nunca,


Estes loucos pássaros envergonhados e tristes,


Estes homens sem fronteira


Galgando a sombra de outros homens,


Na fome, na miséria beleza


Quando o mar se aproxima, e mata, e eles fingem morrer,


Junto à ribeira,


Com o medo de tudo perder,


Eles, os pássaros, eles, os homens sem fronteira,


Agachados nos riachos envenenados pelo dinheiro,


Rastejando no capim outrora fértil de palavras…


E hoje, e hoje Oceanos de lágrimas laminadas.


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Segunda-feira, 12 de Outubro de 2015


 


06.12.14

As migalhas do teu suor


quando há nuvens com fome


e esqueletos sem nome...


os tentáculos da tua dor


mergulhados na calçada do Adeus


há uma rosa


há uma flor


que a noite alimenta


e não quer


na lareira da solidão


mas só as estrelas conseguem


desenhar na tua mão,


há uma paisagem sem amor


no sorriso de um caixão


há jardins embriagados esquecidos na escuridão


as migalhas do teu suor


quando há nuvens com fome


e esqueletos sem nome...


há ossos de papel voando na madrugada


que só o amanhecer consegue parar


há barcos infelizes


e há barcos apaixonados...


mas as migalhas do teu suor


são os alicerces da cidade dos pássaros aprisionados.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sábado, 6 de Dezembro de 2014


30.11.14

A cidade a arder


quando os teus lábios se entranham nos meus lábios


alguém liga o interruptor da noite


e ela cai sobre os teus seios


como a tempestade


ou... ou a destruição do muro que nos aprisiona


e come a cidade a arder


e as ruas em fuga


para a outra margem


o barco escondido nas tuas mãos


nos leva


e desaparecemos na neblina,


 


A fogueira que há em ti


e faz do teu corpo o aço em delírio


o sino da aldeia nos acorda


e alimenta


e encanta...


como um jardim despido à nossa espera


tenho medo das tuas garras de serpente sem nome


envenenada pela paixão


a cidade a arder...


na cidade com fome


da cidade sem coração


da cidade dos rochedos em liberdade.


 


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Domingo, 30 de Novembro de 2014


12.02.14



foto de: A&M ART and Photos


 


Parecemos esplanadas de vento correndo nos algerozes das montanhas abandonadas,


penso se não existirá dentro de nós a melancolia dos barcos apodrecidos, como ossos molhados, como corpos cansados, como eu, e como tu, dois ventres desventrados, amorfos, humildes como sanzalas de granito, vadios...


parecemos dois loucos escondidos na sombra da madrugada ainda não nascida,


perdidos nas palavras ainda por escrever...


olhamos as estrelas que deixaram de brilhar,


comemos o pão como quem come a sombra de uma árvore...


indolor, infestados de giz depois do recreio escolar,


tu, e eu, debaixo de um busto sem nome,


 


Correndo, brincando... enganando a fome...


correndo, correndo calçada abaixo, até que acordava o dia, até que da tua bocas eu sentia a tristeza dos perdidos calendários de Fevereiro,


o medo,


o medo das clandestinas vozes da escuridão,


e no entanto,


sem o sabermos,


inventávamos estórias de adormecer,


sem o sabermos... estávamos mortos numa janela de esqueletos.


 


@Francisco Luís Fontinha – Alijó


Quarta-feira, 12 de Fevereiro de 2014


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