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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


23.05.14



foto de: A&M ART and Photos


 


há um dia apelidado de “FIM”


um dia sem esqueleto


um dia esquecido nas esplanadas da cidade sem nome


há um dia com silêncios disfarçados de melodia


um dia poético


um dia procurando palavras


no teu resgatado olhar


há um dia apelidado...


com medo e cansado


há um dia laminado


que nas tuas mãos inventa baloiços


e meninos sorridentes,


 


há um dia


um dia “filho da puta”


um dia que te levará sem destino


um dia... um dia apelidado de “FIM”,


 


há um dia eternamente recordado


um dia feio


um dia desamado


há um dia que o teu corpo vai vacilar


desistir


um dia com janelas e pálpebras de mar


há um dia que será a noite


há as lágrimas do sofrimento


que nesse dia


o dia cessa de caminhar


pára


STOP...


 


 


Francisco Luís Fontinha – Alijó


Sexta-feira, 23 de Maio de 2014



17.03.13

(Domingo)





Temos de terminar isto, fiz-te sofrer durante duzentas, trezentas... não mais de quatrocentas páginas, mas hoje, juro, hoje vou matar-te, deixar-te em pedaços, destruir este e os outros pedaços de papel para que nada, absolutamente nada sobre de ti,


Chamei-te Zizi,


Como podia apelidar-te de Maria, Teresa ou Marilú, e quando penso em ti


Marilú,


Recordas-me o incenso em brasa e o cheiro a mar quando ele vive a mais de duzentos quilómetros de mim, recordas-me as caves misturadas na noite, recordas-me a literatura travestida de orvalho abraçado a um cais de embarque, cortaram-te as correntes que te prendiam à terra achatada e agora navegas desesperadamente como o vento sem rumo, como as pessoas de mim


Sobre as árvores à espera que regresse a segunda-feira, hoje serás o último dos textos, quer queiras quer não, porque me cansei de ti, das tuas mãos e das tuas tristes palavras, também me cansei dos teus lábios, da tua boca


Zizi: - Odeio-te quando não fazes amor comigo, odeio-te quando te finges de espelho e estaticamente pareces um fio suspenso por um fio de nylon,


E tu sabias que era essa a minha vida, ou não?


Mas hoje morrerás, hoje deixarás de ser texto, palavras, imagens a preto e branco, hoje, Domingo,


Fato, cansado


De ti


Do cheiro do papel e dos livros,


Das tintas,


E das histórias,


Pareço, pareço um vagabundo numa paragem de eléctrico, vestido de negro, confundo-me com a chegada da noite, mas fico com a sensação que vão cair gotinhas de água com perfume de incertezas, dores musculares, e uma estrutura óssea quase em ruínas, doem-me os pilares, doem-me as vigas, doem-me os alicerces inventados por um engenheiro desgovernado, escrevia palavras nas coxas de Zizi, e levava-a a passear, quando


O Tejo já dormia e quase nem se via com as luzes reflectidas nos olhos da madrugada, chegavas tardíssimo a casa, chamavas por mim, eu dormia, outras


Fingia dormir,


Tínhamos sobre as almofadas de linho os quatro cubos de areia com cinco esferas de aço, tínhamos três janelas sem vidros, sem esquadria, apenas o buraco com imagens de


Matar-te-ei com com uma caneta de tinta permanente, e imagino-te a derramares-te pelas folhas do caderno como um pente nas faces do xisto antes de acariciado pelas mãos de um feliz travesti


Marilú,


Com imagens de manhãs brancas e noites cinzentas, como fotografias penduradas num cordel, e de mangueira a mangueira, olhavas-me


Olhava-te na vida de silêncio que inventaste para mim, e sobre mim, e depois de mim, e


Matar-te-ei hoje,


E deixarei de escrever-te, morrerás ao som de “The Enlightement” The Ratazanas, e depois fazer-te-ei descer as íngremes escadas da melancolia, até que desaparecerás nas ondas híbridas do oceano em cio, e eu queria tanto abraçar-te, e eu queria tanto beijar-te


Antes de poisar a caneta e escrever sobre a noite


FIM,


E não sabias que um barco vinha buscar-me aos cais dos acorrentados, e nunca soubeste que uma gaivota vinha a mim, como vieram todos os soluços das manhãs quando acordava e do outro lado do espelho


Apenas


Do outro lado do espelho um vazio chamado círculo, com olhos verdes, com pernas e braços e coxas e púbis, um círculo trigonométrico encaixado no crucifixo que a parede segurava com as mãos da insónia, e dizias-me


Odeio-te quando não fazes amor contigo...


Zizi?


Sim, amor


Não percebes que é propositadamente


O quê amor?


Que eu


Tu o quê amor?


Quero que me odeies...


Como se odeiam os poemas ainda não escritos dentro da minha cabeça de abobora, lembras-te do homem com cabeça de abobora? Talvez um dia, quando leres estas palavras, percebas


Quero que me odeies...


Que das minhas pobres palavras nunca vão nascer coisas para encantar os espelhos, as ruas, as ruelas e tristes casas de pasto, sobre uma pobre mesa de madeira vestida com uma pobre toalha de plástico, um copo e uma garrafa de vodka, tu preferias vinho, tinto, a empregada, já de idade avançada tinha acabado de deixar uma travessa com peixe frito, pão, azeitonas, dispensamos tudo, excepto as bebidas, não tínhamos fome, mas comíamos palavras


E sussurravas-me baixinho


Amor,


Sim Zizi,


Odeio-te quando não fazes amor comigo,


(e não percebias que era propositadamente).





(ficção não revisto)


Francisco Luís Fontinha


02.04.11

A minha vida dois caris que no infinito se encontram, e tal como duas rectas paralelas, corro apressadamente rumo ao infinito, ao encontro do fim. E quando chegar lá, o que faço?


Encosto-me à sombra de um plátano?


Enrosco-me nas asas de uma gaivota’


Ou simplesmente espero que anoiteça?


A minha vida dois caris que no infinito se encontram, e o mais provável é sentar-me numa rocha, olhar o rio indiferente à minha presença, fumar através de um dos meus cachimbos… e esperar; esperar que o vento leve as minhas cinzas, as cinzas do meu tabaco, as cinzas dos meus sonhos, e as coloque no pôr-do-sol.


 


 


FLRF


2 de Abril de 2011


Alijó

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